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Banda da Frazoeira interpreta hino para Marcelo num dia cheio de emoções

Banda da Frazoeira convidada a ir ao Palácio de Belém interpretar o Hino na cerimónia de doação ao museu da partitura original da Portuguesa pelo bisneto de Alfredo Keil 

 

O Palácio Nacional de Belém alberga, desde outubro de 2004, o Museu da Presidência da República, instalado nas antigas cocheiras do palácio. Este museu é um testemunho da vida e da obra dos vários presidentes da República Portuguesa e resulta de uma pesquisa e recolha exaustiva, ordenada pelo Dr. Jorge Sampaio.  A partir de agora alberga no seu acervo a partitura original do compositor Alfredo Keil e a letra escrita pelo punho de Henrique Lopes de Mendonça.

Referiu a directora do Museu, neste acto solene que juntou a família de Alfredo Keil e de Henrique Lopes de Mendonça  – Maria Antónia Pinto de Matos, ex-diretora do Museu do Azulejo. “ Quando Francisco Keil do Amaral, bisneto de Alfredo Keil contactou o museu para doar esta partitura, numa altura em que as doações aos museus são tão raras e pelo seu significado, pelo sentido para Portugal, tratamos logo de receber”.

Assim foi preparada uma cerimónia oficial, com os bisnetos e trisnetos de Keil do Amaral e de  Henrique Lopes de Mendonça, para serem recebidos pelo Presidente da República na assinatura da doação e graças neste museu haver uma técnica de raízes ferrereirenses e saber que a Banda da Frazoeira (herdeira da do Carril) ter sido a primeira banda a tocar a Portuguesa, dado Alfredo Keil passar férias em  Paio Mendes, foi convidada para  vir ao Palácio tocar o Hino Nacional,  que registe-se a música do que veio a ser o hino, foi adaptada de piano para orquestra e que, certamente  os músicos da Banda do Carril (hoje Fraoeira) colaboraram, sobre a batuta de Keil do Amaral.

O convite chegou, assim  pelo reconhecimento de ter sido esta a primeira banda filarmónica a interpretar “A Portuguesa” junto de Alfredo Keil, que passava férias no concelho de Ferreira do Zêzere.

A acompanhar os 45 músicos estiveram os corpos sociais da associação, executivo municipal na pessoa do seu presidente Jacinto Lopes, o vereador da Cultura Hélio Antunes, o vereador Bruno Gomes e o presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pranto-  Manuel Nunes e o presidente da Assembleia de Freguesia.

A cerimónia juntou mais de 150 pessoas , com a leitura da Português na sua versão original por Maria João Luís, e depois o coro da presidência cantou o Hino e a Banda da Frazoeira,  formada no jardim fronteiro ao Palácio interpretou os acordes. O Presidente da República, na sua alocação, agradeceu aos doadores, à presença da Banda Filarmónica e recordou que o nosso Hino tem letra e música, ao contrário, por exemplo do Hino de Espanha que só têm música e lembrou que o “Hino Nacional é o outro símbolo nacional, para além da bandeira  definido pelo artigo 11º da Constituição.

Recordou os factos históricos, referindo “que  O Hino Nacional, também conhecido pela “Portuguesa”, foi composto em 1890 como uma canção de protesto na sequência do ultimato inglês

que exigia a retirada dos portugueses dos territórios entre Angola e Moçambique. A imposição foi considerada uma afronta ao país, mas a coroa, apesar dos protestos, pouco pôde fazer para reverter a situação.

A versão completa d’”A Portuguesa” afirmava a independência e apelava ao patriotismo contra os “Bretões” (britânicos), palavra que foi substituída na versão atual pela palavra “Canhões”. Foi rapidamente adotada pelos revolucionários republicanos que a cantaram quando em 31 de Janeiro de 1891 tentaram, no Porto, um primeiro golpe de estado para derrubar a coroa. A monarquia proibiu-a.

Com a implantação da República em 1910 a canção voltou a ouvir-se nas ruas e foi consagrada como Hino Nacional em 19 de junho de 1911 pela Assembleia Constitutiva.

Um dia memorável na história da Banda

Voltando à Banda da Frazoeira este foi o seu segundo palmarés a nível de actuações oficiais. Na Assembleia da República nos 90 anos do Hino e partindo de uma ideia de Paulo Alcobia Neves, um ferreirense amante da história e da terra, enviou ao então presidente da Assembleia da República- Almeida Santos a vontade desta banda, pelo facto histórico de vir ao Parlamento. Foi a primeira banda civil a tocar no Salão Nobre da Assembleia da República e registe-se nesta data era maestro o músico da GNR – Cassiano, que agora substituiu o maestro de saída. Após a interpretação do Hino o presidente da República, desceu aos jardins onde estava a banda, já que a cerimónia foi nas varandas do Palácio, cumprimentou um a um todos os músicos, preparou uma foto oficial com a banda e família de Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça e depois fazendo jus ao que se auto titula – o presidente das selfies – pegou nos telemóveis dos músicos e tirou ele mesmo várias fotos. Questionou os músicos quando ensaiavam, demostrando forte vontade de um dia destes num ensaio aos sábados rumar à Frazoeira, já que os presentes dados pelo presidente da Câmara – livro de António Baião sobre o concelho, provou, que  conhecia a vida e obra do o ex-autarca, politico e pedagogo e ao quadro dado pelo presidente da Junta, uma pintura da Torre Pentagonal exclamou: “Dornes a jóia do Zêzere que a  minha filha adora e visita tantas vezes”  Foi ainda oferecido a edição do Livro “Tojos e Rosmaninhos” que foi editado a partir de desenhos originais de Alfredo Keil. A banda deslocou-se no autocarro da Câmara e almoçou no Palácio. No final da cerimónia um sumo de honra e uns pastéis de nata, quentinhos confortaram os estômagos no regresso a Ferreira com o dever cumprido e um orgulho do tamanho do mundo. Não era para menos!

                                                  António Freitas

Escrita por António Freitas

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