
A realização do II Festival de Lanternas Flutuantes neste feriado de 10 de junho, vai obrigar ao corte do trânsito na ponte velha e na ponte nova em Tomar.
Segundo o edital da câmara, entre as 20h30 e as 23h00 fica interdito o trânsito na rua Marquês de Pombal, no troço entre o edifício da Junta de Freguesia e a Ponte Velha, bem como na Ponte Nova.
A partir das 21h30, e com a iluminação pública apagada, mil lanternas vão deslizar no rio Nabão, entre as pontes do Tomar.
A iniciativa do agrupamento de escolas Nuno de Santa Maria começou na quinta à noite com a colocação de dezenas de nenúfares de papel iluminados no rio.
Mil lanternas flutuantes nas águas do rio Nabão
Em 2019 foi assim:
Milhares em Tomar para ver as lanternas flutuantes no rio Nabão (c/ fotos e vídeo)
Em tempos, houve pela primeira vez, no Dia mundial da criança, uma Regata de barcos miniatura, feitos pelos alunos do 2º ciclo do ensino básico. A ideia fazia sentido. Comemorar o Dia da criança, pondo os alunos mais jovens a olhar para o rio e para a qualidade do seu trabalho manual, em competição com os dos colegas, na terra onde de facto foram pensados e planeados os descobrimentos portugueses.
Houve várias edições, sempre com o patrocínio da Câmara municipal, que com a atual maioria acabou até por levar a efeito uma edição da referida regata, entre o Mouchão e a Levada.
Antes da pandemia, tive ocasião de assistir, com alguma surpresa, ao 1º lançamento de lanternas flutuantes no Nabão e confesso que não percebi a ideia, situação que se mantém. É para comemorar o quê? Qual é o argumento básico? Porquê “Festival”?
De acordo com o dicionário, Festival pode ser 3 coisas diferentes: 1 – “Programa de eventos culturais renovado periodicamente”; 2 – “Festa de grandes proporções”; 3 – “Cortejo comemorativo em datas de relevância cívica.” Conforme se constata, nenhuma destas definições se encaixa nas lanternas flutuantes. Porquê e para quê então semelhante folia? Só porque é curioso e nem bonito chega a ser? Para espatifar dinheiro dos contribuintes a entreter o maralhal com coisas insignificfantes?
Vamos de mal a pior.
As lanternas no rio são uma manifestação religiosa com origem na Birmânia e adaptada na Tailândia para balões luminosos. Nesses lugares do simbolismo de oferenda ao de afastar infortúnios. No caso de Tomar, não sendo porque sim, talvez seja uma forma não declarada de afastar o isolamento atrofiante da cidade e trazer outro progresso que não seja o do turismo.
Pois o perigo é esse, António Pina, e daí o meu receio. Agora copiam a Birmânia e a Tailândia. Um dia destes, se lhes der na cabeça, resolvem copiar a Índia e começam a cremar cadáveres nas margens do nosso Ganges, chamado Nabão. Oxalá que não, mas somos tão parolos que na primeira metade do século passado até se chegou a imitar a França, elevando uma Torre Eiffel de madeira ao fundo da Corredoura. Só para enfeitar, claro…
Cretinices. Já Eurípedes escrevia “Se tentares inculcar bom senso na cabeça de um tolo, ele dirá que são tolices.” Assim estamos, séculos mais tarde.