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Por este caminho nunca mais lá chegamos

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Vamos lá então pregar mais um bocadinho no deserto. Mas num deserto sem camelos nem dromedários. Em Tomar somos todos muito inteligentes, graças a Deus. ´É mesmo o que nos tem valido, perante a evidente má vontade de tantos outros contra nós.

Na área do turismo, por exemplo, é do conhecimento geral no sector que os profissionais só não fogem de Tomar quando de todo não podem. Exemplo disso é aquele grande operador europeu, o alemão TUI, que tem vários circuitos em Portugal, mas nenhum passa por Tomar. Simples má vontade, já se vê. Pura maldade, sem dúvida.

Mas, porém, todavia, contudo, há sempre nestas coisas do desenvolvimento económico e noutras, uma quantidade de adversativas. Num texto promocional enviado à comunicação social, a srª vereadora Filipa Fernandes, que tem a seu cargo o pelouro do turismo, distraiu-se e não usou do habitual negacionismo da autarquia. Escreveu, ou mandou escrever, nomeadamente que “Uma das lacunas que todos identificamos – a ausência de sinalética turística – vai também ser alvo de estudo desta equipa de profissionais.

Andam já no terreno clientes mistério.”

Temos assim que, ao cabo de mais de 6 anos de mandato, a srª vereadora do turismo acaba por reconhecer que afinal não está tudo bem na sua área de actuação. Acrescenta até que há lacunas identificadas por todos. Tanto tempo para reconhecer tamanha evidência, senhora vereadora?

Mais grave ainda. Reconhecida a lacuna, o que se segue? A sua resolução rápida? Nada disso. Não é o estilo da actual maioria autárquica. Segundo uma fonte autorizada, os membros da maioria PS “respeitam a missão para que foram eleitos, mas de forma reflexiva.” São como a nova deputada do Livre, que também “deseja trabalhar mas de forma descansada.” Só que, por enquanto (?), em Tomar ainda nenhum autarca pediu a protecção da GNR, contra o assédio dos jornalistas. Que, reconheça-se, é coisa inexistente nas margens nabantinas.

Neste contexto, em vez da rápida supressão da lacuna, reconhecida ao fim de tantos anos, a mesma “vai também ser alvo de estudo por parte desta equipa de profissionais.” Que equipa? Que profissionais? Os tomarenses não sabem, mas também que importância tem isso? Temos uma maioria autárquica de gente competente. É quanto basta. Diria o cidadão Pompeu, por exemplo.

Com ou sem equipa competente, com ou sem profissionais credenciados, na melhor das hipóteses, teremos a conclusão do estudo da sinalética lá mais para finais do ano que vem. Segue-se então outro ajuste directo, com outros compadres, para arrematar a implementação da tal sinalética turística. Porque a desconhecida micro-empresa de Braga, contratada por ajuste directo para efectuar uma série de coisas, entre as quais o aludido estudo da sinalética, revelou grande prudência. Consta do contrato assinado entre as partes que a posterior colocação no terreno da dita sinalização não está incluída. Com que intenção?

As ideias da srª vereadora e as da actual maioria autárquica tomarense serão decerto as melhores. Porém, na área do turismo, por este caminho não vamos lá. Conforme dizia o presidente LIncoln, há dois séculos “Pode-se enganar uma pessoa durante toda a vida. Pode-se até enganar muita gente durante um certo tempo. Mas é impossível enganar toda a gente durante toda a vida.”

Um sabidão, este LIncoln.

                                             Gualdim Porque Sim

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8 comentários

  1. Um belo texto.
    Realmente sinalização turística é coisa que não tinha reparado que faltava… para mim primeiro tratavam de ter wc’s publicos espalhados pela cidade (e já agora no concelho) e depois então tratavam da sinalização para os turistas… porque não ter onde defecar e urinar enquanto se visita um local turístico é de coisa muito mal planeada & mal pensada… especialmente quando se conhece a aversão do comércio à utilização dos seus wc’s em especial por não clientes… e já aos clientes se a lei não obrigasse de certo que muitos também não o permitiriam.

    Por isso malta do município tratem lá de ter vários WC’s para residentes e visitantes espalhados por toda a parte, em condições, e bem sinalizados. Partam do princípio que a malta é toda não civilizada e façam tudo anti-grafite e anti-vandalismo. Podem ter um misto de instalações gratuitas e instalações pagas e publicitar em tais espaços para ver se são uma fonte de dinheiro e como tal se mantêm abertos e funcionais ao longo do tempo, e não apenas durante os primeiros dias.

    Depois venham essas placas turísticas com fartura… e locais para os autocarros estacionarem e outras coisas já aqui mencionadas no tom@r na rede… ah! espera, é preciso um estudo… estudem lá bem isso então.

  2. D. Gualdim Porque Sim em versão comedida, condescendente.
    Olhando lá do alto no meio da Praça da Republica, decidiu desta vez limitar-se à sinalética.
    Seja.

    Mas não esqueçamos, D. Gualdim, que continuamos sem saber o que se faz (melhor, o que se quer fazer) para desenvolver e consolidar o turismo entre nós, para atrair turistas em moldes organizados que os levem a querer visitar e permanecer em Tomar.
    Numa sintese curta, enfim, quais são as intenções da senhora Camara, e da esforçada e sorridente senhora Vereadora, para valorizar e tirar partido do potencial que todos sabemos existir em Tomar. A Bem de todos Nós, a Bem do Futuro da Cidade e do Concelho.
    Para tentar evitar que Tomar se transforme numa cidade(zinha) irrelevante.

    Descontamos obivamente, dessas intenções, a inscrição de Tomar em Rotas que levam a lado algum, as reuniões de Cidades com Centro Historicos que terminam com abraços e boas intenções, e outras iniciativas simpaticas que são apadrinhadas pela nossa Câmara, mas cujas consequência são apenas isso…simpaticas.
    Mas vão dando para umas viagens aqui e ali, e a uns almoços, ali e acolá.

    1. Pois. É bem capaz de ser verdade. Comedido e condescendente. Se calhar tendo presente no subconsciente a conhecida posição “Se me limito, atacam-me; se me excedo, matam-me”.
      Em qualquer caso, uma certa piedade. Os males são tantos, as asneiras tão grandes e as atitudes tão reprováveis, que uma pessoa a certa altura começa a ter pena deles. Coitados. É muito provável que nem sequer se dêem conta de todas as consequências da miserável actuação da autarquia. Um desastre tanto neste caso do turismo como em todos os outros. E contra isso, por enquanto nada a fazer para além da denúncia.
      Em Outubro 2021 logo veremos. Mas com a população que vai ficando…

      1. O desastre não será total como se escreve, mas lá perto.
        Em termos de obras públicas, apenas se olhou à possibilidade de fundos COMUNITÁRIOS, quanto ao interesse dos cidadãos, ZERO. Projecto para a Praceta Raul lopes é um desastre indo para a frente, várzea grande sem parque subterrâneo outro desastre, av. Nuno alvares idem aspas aspas com o desperdício de 2 ciclovias(1 de cada lado) e a não realização da rotunda no cruzamento da antiga ARAL.
        Outro desastre é o estado degradante da zona industrial e dos espaços públicos na cidade(cidade mto suja)……
        Pontos positivos: gestão da dívida do municipio

        1. É verdade. Usando uma expressão agora muito na moda por esse mundo fora, quando se aborda o problema do clima, “a situação é desesperada, mas não muito grave”. Assim acontece também em Tomar. Situação desesperada para aqueles com capacidade para intuir o que aí vem, a partir do que já está à vista dos que não são cegos e dos que o não querem ser. Situação não muito grave para todos os outros. Com relevo para os detentores do poder, regra geral vítimas voluntárias do bem conhecido “complexo da cegueira”, sobre o qual se alargou Saramago.
          É uma pena, tanto para Tomar como para os tomarenses. Aqueles que sabem vão, na sua maior parte, consentindo, com a justificação de que não há melhor. Os detentores do poder e outros beneficiários vão agradecendo a paz civil nabantina, que permite belas digestões, grandes arrotos e noites descansadas.
          Pontos positivos para dívida do município? Fale com os bombeiros municipais, que eles informam a esse respeito.

  3. Nunca mais lá chegamos e é bem verdade. Primeiro o futuro económico da cidade era o turismo. Até Relvas, um dos mais eminentes tomarenses, exclamava há 20 anos “Tomar é uma cidade com vocação turística”. Convencida disso, a autarquia passou a investir e investe no embelezamento como vai fazer na Várzea, prejudicando a população ativa que é obrigada a trabalhar fora da cidade. O tempo passou e viu-se que o turismo era insuficiente para a economia local. Face aos míseros resultados do turismo passou culpar-se disso a falta de sinalética, de wc públicos e estacionamento de autocarros. Seguem-se agora esses melhoramentos até se descobrir que falta mais qualquer elemento e a cidade está reduzida a 5 mil habitantes.

    1. Começo com uma correção: Relvas não é tomarense. Estudou em Tomar na sua juventude. Depois transformou-se pouco a pouco no cidadão do Mundo que hoje é. Com defeitos? Certamente. Até Cristo os tinha, apesar de filho de Deus. Por isso foi julgado, condenado e executado. Já Relvas foi crucificado na praça pública, sem prévio julgamento justo.
      Indo à questão do turismo como factor de desenvolvimento de uma terra, neste caso Tomar, digamos que acontece como no futebol. Há clubes muito bem organizados, sobretudo em Espanha e em Inglaterra, que ganham muito dinheiro, além das grandes competições desportivas. E há outros, por exemplo em Portugal, que é o que se vê.
      Sucede o mesmo com as cidades. Há muitas por esse Mundo fora que se desenvolvem graças ao turismo. E mesmo em Portugal, Fátima, Óbidos, ou até Lisboa e Porto, para não falar do Algarve, são claros exemplos de sucesso. Tomar, pelo contrário, é aquilo que vamos vendo.
      Porquê tal diferença? Porque, como em todas as áreas, uma coisa é ir ao sabor da corrente, como nas margens do Nabão. Outra muito diferente é ter planos, definir objetivos e escolher caminhos para lá chegar. Há em Tomar quem tenha um plano sólido para desenvolver o turismo local, mas não integra o pessoal eleito. E a presente maioria autárquica já deu mostras de preferir desprezar, e até tentar amesquinhar os (poucos) valores locais.
      Prefere celebrar ajustes diretos para tudo e mais alguma coisa, com “especialistas” desconhecidos na urbe e que habitam longe. Pareceres de advogados de gabinetes de Lisboa; candidatura dos tabuleiros entregue por 50 mil euros a um professor universitário de Campo Maior; sinalética turística entregue a uma micro-empresa de Braga, também por 50 mil euros.
      Em ambos os casos (candidatura dosTabuleiros e sinalética turística), havia e há em Tomar gente qualificada que faria muito mais barato, ou até grátis. Mas a srª presidente gosta mais assim e está no seu direito.
      Só que, depois de votarem como votaram, os tomarenses não devem queixar-se de que o turismo não é suficiente para desenvolver a cidade e o concelho. Como é bem sabido, os maus dançarinos dizem sempre que é do piso que é torto.

  4. Planos?
    Objetivos?
    Caminhos?
    Vão ou não dar a votos?
    Em caso negativo, esqueça essa abordagem, caro Francisco Castro. É certamente a correta. Mas é trabalhosa, e e não há tempo para tanta trabalheira até às próximas eleições locais. E as gerações vindouras não votam. Elas agradeceriam certamente o esforço. Mas não votam.
    Assistamos entretanto a mais umas Festas e Festivais, participemos em mais alguns almoços ou jantares, atentemos e-mais algumas condecorações, e votemos a seguir. Ordenadamente.
    Planos? Objetivos? Caminhos?
    Ora!

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