Os catalisadores continuam na mira dos ladrões em Portugal. A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 178 processos-crime relacionados com o furto destas peças durante o primeiro semestre de 2026, num contexto de aumento generalizado dos furtos de acessórios e componentes automóveis. Tomar e outros concelhos do Médio Tejo já registaram vários casos nos últimos anos.
Entre janeiro e junho deste ano, a GNR contabilizou 685 crimes de furto de acessórios ou peças de veículos motorizados, mais 108 do que no mesmo período de 2025. O aumento de 18,72% representa uma média nacional próxima das quatro ocorrências por dia.
Do total de crimes registados, 178 deram origem a processos relacionados especificamente com o furto de catalisadores. Os restantes casos abrangem outros acessórios ou componentes retirados de veículos.
Porque são os catalisadores tão procurados?
Segundo a GNR, o principal objetivo dos autores destes crimes não é reutilizar ou vender os catalisadores como peças de substituição. O interesse está nos metais presentes no seu interior, nomeadamente ródio, platina e paládio.
Estes metais têm uma elevada procura e valorização nos mercados internacionais devido à sua escassez e utilização industrial, tornando os catalisadores particularmente atrativos para circuitos ilegais de recetação.
A GNR refere que a valorização destes metais representa um forte incentivo financeiro para redes criminosas, que apresentam uma elevada mobilidade geográfica e conseguem transportar rapidamente as peças para circuitos ilegais.
Setúbal lidera número de ocorrências
Setúbal foi o distrito com mais crimes de furto de acessórios ou peças de veículos registados pela GNR, com 135 ocorrências, mais 40 do que no mesmo período de 2025. Seguem-se os distritos do Porto, com 113 casos, Lisboa, com 93, e Aveiro, com 59.
A Guarda assinalou igualmente aumentos percentuais expressivos nos distritos de Portalegre, Viseu e Leiria. Para a força de segurança, estes dados demonstram a mobilidade das redes envolvidas, que se deslocam do litoral para zonas do interior do país.
A informação divulgada não apresenta dados individualizados para o distrito de Santarém nem para os concelhos do Médio Tejo. Por esse motivo, não é possível determinar, com base nestes números, a evolução deste tipo de crime especificamente em Tomar.
No primeiro semestre de 2026, foram detidas seis pessoas por furto de acessórios ou peças de veículos motorizados. Durante todo o ano de 2025, a GNR tinha efetuado oito detenções relacionadas com este tipo de crime.
Tomar já registou vários furtos de catalisadores
O furto de catalisadores não é um fenómeno desconhecido na região. O Tomar na Rede tem noticiado diversos casos ocorridos na cidade e noutros concelhos do Médio Tejo ao longo dos últimos anos.
Em setembro de 2021, o furto de catalisadores chegou à zona da Choromela, em Tomar, onde foram visadas viaturas estacionadas durante a madrugada.
Em março de 2022, foi registado outro furto na Rua dos Arcos, numa zona de estacionamento reservada a moradores e que, na altura, apresentava problemas de iluminação pública.
No final desse mesmo ano, foram relatados novos furtos em diferentes pontos de Tomar, incluindo junto ao quartel dos bombeiros, na zona industrial e nas proximidades da estação ferroviária de Santa Cita.
Mais recentemente, em janeiro de 2025, pelo menos quatro viaturas ficaram sem catalisador no parque de estacionamento do Hospital de Tomar. Os furtos ocorreram durante o dia e afetaram sobretudo veículos pertencentes a funcionários daquela unidade hospitalar.
Em julho do mesmo ano, foram novamente comunicados furtos de catalisadores em Tomar, Entroncamento e Abrantes, incluindo em parques de estacionamento próximos do Hospital de Tomar e de estações ferroviárias.
Estes antecedentes demonstram que o problema também tem afetado a região. No entanto, os casos noticiados em anos anteriores não permitem concluir que esteja atualmente em curso uma nova vaga de furtos no concelho de Tomar.
GNR reforça fiscalização de oficinas e sucateiras
Para combater o escoamento ilegal destas peças, a GNR intensificou as ações de vigilância e fiscalização junto de oficinas, operadores de gestão de resíduos e sucateiras.
As autoridades estão também a verificar a documentação que comprova a proveniência dos metais entregues para reciclagem e a reforçar a fiscalização rodoviária de viaturas suspeitas de transportar ferramentas de corte ou componentes furtados.
A GNR recorda que a compra ou comercialização de peças sem comprovativo legal da respetiva proveniência pode constituir um crime de recetação.
Como proteger os catalisadores contra furtos
A GNR recomenda que, sempre que possível, os veículos sejam estacionados em garagens fechadas ou em parques movimentados, bem iluminados e vigiados. Os condutores devem evitar deixar as viaturas durante longos períodos em locais isolados ou com pouca circulação de pessoas.
A instalação de alarmes com sensores de inclinação ou de proteções metálicas específicas pode dificultar o acesso aos catalisadores. Antes de avançar com qualquer alteração, o proprietário deve aconselhar-se junto de uma oficina especializada para garantir que a solução é adequada ao veículo.
Perante movimentos, ruídos ou comportamentos suspeitos junto de automóveis estacionados, não é recomendável enfrentar os possíveis autores. Deve ser contactado imediatamente o posto policial mais próximo ou o número nacional de emergência, 112, caso o crime esteja a decorrer.
Sempre que seja possível fazê-lo em segurança, devem ser registadas informações relevantes, como a matrícula, a marca, a cor e a direção de fuga de uma viatura suspeita, bem como uma descrição dos intervenientes. A recolha de fotografias ou vídeos nunca deve colocar pessoas em risco.
O que fazer se encontrar o veículo sem catalisador
Quem suspeitar que o catalisador foi retirado não deve mexer nas zonas danificadas nem remover objetos que possam conter vestígios. A ocorrência deve ser comunicada às autoridades, preservando-se o local até serem recebidas indicações.
O proprietário deve ainda contactar a seguradora para confirmar se os danos estão abrangidos pela apólice e solicitar a avaliação do veículo numa oficina. A reparação pode implicar não apenas a substituição do catalisador, mas também uma intervenção no sistema de escape e noutros componentes eventualmente danificados.

