Após a publicação da notícia “Mãe de aluna suspensa na escola Santa Iria põe em causa processo”, no dia 14, recebemos da instrutora do procedimento disciplinar, Virgínia Mota, um email no qual entende “ser urgente esclarecer a veracidade dos factos ocorridos”.
A professora lamenta a divulgação do seu nome e considera-se “uma pessoa de valores corretos e de cumprimento do sigilo profissional”, que foi “indevidamente quebrado” pela mãe da aluna que foi suspensa.
De notar que “Tomar na Rede” teve a preocupação de ouvir a direção do agrupamento sobre este caso em que uma aluna é acusada de filmar agressões entre alunos na escola Santa Iria. Paulo Macedo, diretor do agrupamento, respondeu ao nosso pedido de esclarecimentos que publicámos, a par da versão da mãe da aluna acusada.
Virgínia Mota, a instrutora do processo disciplinar, considera que “o relato noticiado não corresponde à veracidade dos factos” e por isso decidiu apresentar a sua versão sobre o que aconteceu:
“No âmbito da fase de instrução de um Procedimento Disciplinar instaurado pelo Sr. Diretor do Agrupamento, foi por mim (nomeada instrutora) agendada uma audiência para o dia 23/01/2026, pelas 10h 30m, para a qual foram convocadas a aluna e a respetiva encarregada de educação em questão.
A encarregada de educação apresentou-se à hora agendada, na sala da Escola Básica Integrada Santa Iria, destinada para o efeito. Após a entrada da mesma, solicitei a uma das funcionárias que se encontrava no corredor exterior que fosse buscar a aluna à aula que frequentava naquele momento. A aluna veio e entrou na sala, sentando-se ao lado da mãe.
Comecei por perguntar a ambas se sabiam qual a razão de terem sido convocadas (ainda que o assunto fosse registado na convocatória datada de 20 de janeiro e enviada por correio registado pelos Serviços Administrativos). Ambas me responderam que não sabiam, tendo a encarregada de educação referido que para elas era “um mistério”.
Passei então a contextualizar a situação, explicando que tinha sido aberto um procedimento disciplinar na escola, que envolvia várias alunas, relacionado com filmagens efetuadas com telemóveis e a sua publicação nas redes sociais. Enquanto explicava, a encarregada de educação interrompeu-me várias vezes, dizendo, num tom brusco e rude; “Pois, pois, avance, avance; acelere, acelere; eu quero é saber o que é que a minha filha tem a ver com isso.” Pedi-lhe que tivesse calma, que lá chegaria, mas a interrupção foi constante.
Quando referi que a aluna autora da criação de uma conta com o nome da escola tinha referido que fora a sua educanda a filmar um dos vídeos envolvidos neste processo, a encarregada de educação disse “Da minha filha trato eu!”, virou-se de lado e iniciou um diálogo com a mesma acerca da informação que eu acabara de transmitir, ignorando a minha presença na sala. Ao deparar-me com este cenário, tentei interrompê-las; por três vezes disse que não podiam adotar aquela postura numa audiência e que teriam que respeitar as regras a seguir, ouvindo e respeitando as informações/questões da instrutora. As presentes continuaram a ignorar-me, até que, a encarregada de educação se levantou, dizendo, num tom agressivo, que iria abandonar a sala, o que fez de imediato, levando consigo a sua educanda.
Levantei-me, ainda tentei chamá-las à razão, mas, já junto à porta, a encarregada de educação disse bruscamente: “Você não grita comigo. Você não é juíza nem advogada e consigo, não falo mais!” Ambas saíram da sala.
Passados alguns minutos, dirigi-me ao corredor e ainda vi ambas a descerem as escadas, já com o material escolar da aluna, pelo que deduzi que esta teria ido buscá-lo à sala de aula. Enquanto descia, a encarregada da educação olhou para mim e voltou a dizer: “Consigo, não falo mais!”. Nada mais lhe disse. Dirigi-me então a uma das funcionárias e solicitei que ligasse para a chefe dos assistentes operacionais, à qual solicitei que dissesse à docente Assessora da Coordenação da escola para tentar falar com a encarregada de educação antes desta sair e que, caso esta decidisse voltar para a audiência, teria que vir acompanhada pela Assessora ou pela Diretora de Turma, se esta aí se encontrasse. Ambas as convocadas não regressaram à sala. Posteriormente, a Assessora e a Diretora de Turma transmitiram-me terem estado com ambas no gabinete da Coordenação.
Perante o sucedido, cabe-me elucidar que a audiência que a encarregada de educação decidiu abandonar, levando a sua educanda consigo, tinha como propósito ouvir a aluna, garantindo-lhe o direito de defesa, de acordo com o estabelecido por lei. A acusação feita pela colega da aluna visada, por si só, não sendo conclusiva, teria que ser devidamente provada (ou não). Não foi por mim utilizado qualquer tom intimidatório e acusador, muito menos, qualquer agressão física, tal como a encarregada de educação alega; esta, sim, sempre se dirigiu a mim num tom hostil, agressivo e desrespeitador.
Cabe-me ainda frisar que a minha intervenção, enquanto instrutora, relativamente a esta aluna, num total de 7 alunas envolvidas/ouvidas neste processo, cessou no momento do término da audiência, não me tendo cabido a mim, decidir qual o desfecho quanto à (não) punição da mesma, ainda que considere que a decisão tomada deva ter respeitado os procedimentos legais a considerar.
Lamento que por vezes, como é o caso, assuntos desta natureza não sejam tratados com o devido rigor, imparcialidade e sigilo que lhe são devidos por parte de alguns dos próprios interessados, optando por expor em praça pública o que deveria seguir o natural rumo das vias legais e do bom senso da cordialidade e apuramento da verdade. Mais grave ainda: expor em praça pública relatos não correspondentes à veracidade dos factos, sem ponderar consequências quer pessoais, para os nomes envolvidos e indevidamente divulgados, quer para o nome da Escola/Agrupamento que o seu próprio educando frequenta.
Este tipo de atitude, este sim, parece-me pretender intimidar e ameaçar, não sendo de todo, um exemplo positivo de relacionamento social e interpessoal para os nossos alunos/educandos”.
A Instrutora do Procedimento Disciplinar,
Prof.ª Virgínia Mota
Mãe de aluna suspensa na escola Santa Iria põe em causa processo

