Já não existe jardim formal no Convento de Cristo. O espaço verde da chamada praça de Armas, foi destruído por causa das obras de requalificação que vão criar uma nova entrada do monumento e um novo arranjo da zona envolvente.
O jardim formal datava dos anos 40 do século passado. Antes era uma horta. A sua destruição total gerou polémica na comunidade tomarense, tendo sido criada uma petição em defesa do jardim que conta com mais de 200 assinaturas.
O autor do projeto, João Mendes Ribeiro, argumenta com uma “abordagem de sustentabilidade e respeito pelos valores culturais e paisagísticos”.
“Reabilitação do Paço Henriquino, Alcáçova e Castelo e requalificação do jardim”, assim se chama a empreitada iniciada a 3 de novembro, adjudicada à empresa In Situ – Conservação de Bens Culturais por 3.952.219,37 euros, tendo como prazo de execução 300 dias, ou seja, cerca de 10 meses.
Vai ser criada uma nova entrada ao monumento para melhorar a acessibilidade (rampa para cadeiras de rodas).
Segundo o projetista, o principal objetivo é “a dignificação do Paço Henriquino, com a criação de um novo circuito de visita e a promoção de condições de acessibilidade universal”.
Castelo encerrado
Desde que começaram as obras, o Castelo Templário de Tomar, o jardim e outros espaços do Convento de Cristo estão encerrados ao público por um período previsível de quatro meses.
Entretanto já decorrem há mais tempo as obras de conservação e restauro dos Claustros de D. João III e Santa Bárbara, empreitada adjudicada por 1,7 milhões de euros também à empresa In Situ, com prazo de execução de 330 dias e conclusão prevista para o final de junho de 2026, segundo o Património Cultural.
A intervenção nos claustros integra um investimento mais amplo de 3,6 milhões de euros destinados à requalificação e reabilitação de novos espaços no Convento de Cristo, lançado a concurso em fevereiro.
Ao longo de 2025, o monumento receberá duas empreitadas de reabilitação e requalificação num total superior a cinco milhões de euros, financiadas na totalidade pelo PRR.
Estratégia de intervenção segundo a memória descritiva:
A ideia que preside à concepção do projecto de reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova, Castelo e requalificação do jardim é a de revitalizar o monumento para lhe conferir novas valências funcionais e condições de visita qualificadas, cumprindo com o programa preliminar.
O objetivo do projecto é o da transformação do complexo em ruínas num espaço habitável. Para esse efeito, procurou-se:
– Restaurar, recuperar e reabilitar o conjunto edificado;
– Não adulterar espaços e não comprometer o reconhecimento de realidades históricas;
– Configurar uma nova proposta que consolida e conserva o existente e que organiza o programa;
– Desenhar os novos edifícios como entidades que se adequam ao lugar específico e ao tempo presente, assumindo uma linguagem própria e, simultaneamente, recuperando e integrando as pré-existências;
– Configurar um percurso lógico e acessível resolvendo os problemas de circulação vertical (articulação entre pisos e promoção da acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida, adaptada às características específicas do conjunto em causa, dando cumprimento do disposto no Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de agosto);
– Equipar os novos edifícios com novas redes infraestruturais adequadas às características do conjunto e às funções de cada espaço;
– Requalificar a imagem global da paisagem na área do jardim numa abordagem de sustentabilidade e respeito pelos valores culturais, paisagísticos e construtivos.
Lançada petição em defesa do jardim formal do Convento de Cristo
Manifesto pela preservação do jardim formal do Convento de Cristo
Os jardins de sítios históricos são uma herança viva e um património de valor incalculável.
Neste contexto, o traçado do jardim formal posicionado na entrada do Convento de Cristo carateriza-se como um dos jardins de sítios históricos de referência entre as cidades do Médio Tejo, engrandecendo o conjunto monumental classificado como Património Mundial da Humanidade.
A imagem da Charola Templária desenhada sobre o traçado do jardim formal constituído por sebes de buxo moldadas em topiária é um dos principais salões de visita de Tomar, e é também, provavelmente, a imagem mais amplamente fotografada por turistas e amantes do património e natureza que visitam o cerne dos templários.
Porém, este traçado de jardim formal enquanto legado cultural e elemento paisagístico principal da entrada do Convento de Cristo, contrariamente à sua preservação, está em processo de eliminação, no âmbito das obras que decorrem da “Reabilitação do Paço Henriquino, Alcáçova/Castelo e Requalificação do Jardim”.
O início destas obras no dia 25 de novembro, ausente de apresentação/ discussão pública sobre o seu propósito, impôs a retirada de uma parte do jardim formal, considerando o objetivo de “Valorização, requalificação e conservação do Convento”, segundo a parca informação afixada e visível na obra, ou a insuficiente justificação dada na página de Facebook do Convento de Cristo, que refere o objetivo de criação de “novos percursos (…) a par de modernas e funcionais valências de apoio à visita”. Deste modo, consideramos importante a melhoria de acessos para visita ao Convento, abrangendo o aperfeiçoamento de percursos para a inclusão de todas as pessoas com mobilidade reduzida. Contudo, defendemos a valorização do restante traçado do jardim de estilo formal, a sua valorização, preservação e integração no projeto de requalificação referido.
Não aceitamos argumentos que desvalorizem a importância do jardim, e relevamos a sua importância enquanto elemento paisagístico principal da entrada do monumento, como legado paisagístico e cultural, contextualizando a contemporaneidade do século XX.
Defendemos o jardim de estilo formal do Convento de Cristo como um património vivo, uma herança das gerações anteriores, como um bem público que tem de ser mantido, preservado e valorizado.
Os cidadãos abaixo assinados, enquanto movimento cívico de defesa do património histórico-cultural e paisagístico de Tomar manifestam uma posição de salvaguarda pela preservação do jardim formal do Convento de Cristo.








3 comentários
Em Alcobaça também fizeram uma “requalificação” da zona envolvente do mosteiro, arrancando o jardim que havia á entrada e vejam bem a cagada ( perdoem a expressão) que lá está. Temo que em Tomar vá acontecer o mesmo
Luis tem muita razäo conheço muito bem aquele sitio cumpri là o serviço militar obrigatório no hospital militar passei la bons e belos moments a sombra daquelas magnificas arvores por isso tambem fico com duvidas.
Que pena, hà pessoas que se não atrapalhassem ja ajudavam e muito, conheci muito bem esse jardin alias todo o castelo e o convento passei la mais de um ano a cumprir o serviço militar obrigatorio no hospital militar.
Qum se l’embra?? Tinha então como diretor o dr. Aguinaldo coronel do exercito e o cunhado dr.Bento.tambem la conheci alguns amigos como o sargento Ventura ja falecido tambem o sargento mecanico falecido há poucos dias entre outras.sou de um concelho vizinho mas gosto muito de tomar.
Passei la bons momentos.