
O processo judicial que opunha a proprietária do imóvel onde funciona a Casa das Ratas e o inquilino, culminou nesta quinta feira, dia 12, com a execução judicial, o despejo e o encerramento compulsivo do estabelecimento.
Eram cerca de 15 horas quando chegou o solicitador de execução, a polícia e dois operários para cumprir o acórdão judicial de um processo que se arrasta há cinco anos, chegando ao tribunal constitucional.
Pedro Oliveira, o atual inquilino, lutou até ao fim para manter a porta da Casa das Ratas aberta, mas, a partir do momento que a decisão do tribunal constitucional transitou em julgado, já nada havia a fazer.
A decisão judicial ditou que o recheio da casa pertence ao inquilino, enquanto o imóvel é do senhorio.
De todo o recheio, falta retirar a garrafeira e os depósitos, operação que vai decorrer no fim de semana.
Situada no centro histórico de Tomar, a Casa das Ratas era um espaço emblemático da cidade desde meados do século XX. Antigo armazém, foi sendo adaptado a taberna, casa de petiscos e por fim restaurante.
Pedro Oliveira vai continuar a explorar a Casa Matreno, do outro lado da rua, e não põe de lado a hipótese de reabrir a Casa das Ratas noutras instalações.
Mas com o fim da Casa das Ratas, Tomar perde um espaço de referência, Tomar fica mais pobre.
A geografia humana em Tomar está a mudar a um ritmo alarmante com a agravante de as casas emblemáticas e carregadas de história estarem a desaparecer, para serem substituídas por “new coming business” destinados essencialmente a forasteiros, cuja vinda se saúda – é indiscutível – mas que acarreta descaracterização da cidade. Enfim, uma cidade é um ser vivo em constante mudança. É normal que quem a viveu durante décadas resista com alguma saudade.