Opinião

Três vertentes de uma opção controversa – 2

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O escrito anterior apresentou o caso, que seria insólito se não fosse habitual. O vice-presidente Cristóvão avançou, de forma inopinada, durante um programa de rádio, a intenção camarária de construir um edifício nos terrenos do ex-Quartel de S. Francisco, para nele agrupar os serviços administrativos da autarquia. Não está em causa a legitimidade para o fazer. Apenas o sentido de oportunidade e a indispensável informação suficiente aos cidadãos. Eu por exemplo, como eleitor contribuinte, fiquei surpreendido, tanto pela forma, como pelo fundo.

Pela forma, porque um diálogo radiofónico não será decerto o melhor veículo para as mensagens da autarquia. Pelo fundo, porque continuo sem perceber qual a intenção do vice-presidente: Sondar o eleitorado? Apresentar um trunfo eleitoral? Exibir a usual unanimidade PS/PSD? Tudo isso em simultâneo?

Por desconhecer a cadeia decisória municipal, parto do princípio que a maioria PS pretende saber o que pensam os tomarenses sobre a anunciada edificação do citado centro administrativo. Aqui vai portanto a minha opinião, na qualidade de simples eleitor que escreve habitualmente, e procura evitar (na medida do possível) ser apenas mais uma ovelha pagante.

O vereador laranja José Delgado disse, durante o mesmo programa de rádio, que apoiava o projecto, “para melhorar as condições de trabalho dos funcionários municipais”. Louvável ideia eleitoralista, que peca no entanto por desadequada.

Com efeito, desde as obras que custaram milhões no edifício dos Paços do concelho, executadas durante mandatos PSD, todos sabemos que os funcionários municipais sentados dispõem felizmente de boas condições de trabalho.

Quanto aos técnicos superiores, aos eleitos e respectivos serviços de apoio, há em Lisboa ministros com instalações mais modestas.

Temos assim que melhorar as condições de trabalho dos funcionários municipais sentados, não colhe como argumento favorável à edificação de um centro administrativo municipal. Ou estarei a ver mal?

Convém igualmente ter em conta que a autarquia dispõe neste momento de vários edifícios devolutos, uns por arrendamentos, outros de sua propriedade.

Além de parte importante do prédio onde funcionaram os SMAS, e do Edifício escavação, onde funcionou em parte a autarquia, durante as obras acima referidas, destacam-se o Palácio Alvim, ex-esquadra da PSP, e a ala nascente da parte sul do Convento de S. Francisco, antiga sede do GAT.

Com tantos recursos imobiliários disponíveis, alguns dos quais a pedir há anos urgentes obras de manutenção, porquê e para quê um edifício para agrupar serviços administrativos? Para aproveitar fundos europeus disponíveis? Para apresentar obra? Então e as carências várias existentes no concelho, e até mesmo a cinquenta metros dos Paços do concelho? Ficam mais uma vez a aguardar melhores dias?

Não me parece justo. De todo.

                                                   António Rebelo

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7 comentários

  1. Futuro centro administrativo e aviso a proibir o povo de subir as escadarias da câmara, é afinal mesma intenção. Um dois em um. Evitar que os cidadãos possam importunar os autarcas e os funcionários superiores com culpas no cartório.

  2. Caro António rebelo,

    Este episódio é mais um momento zen dos 2 vereadores, um com pretensões a subir e outro já sabendo que vai sair.
    Estamos a 1 ano das novas eleições municipais e já sabemos o destino. Reeleição da presidenta!!
    No entretanto e passado mais de 7 anos de mandatos seria o momento para escalpelizar os resultados práticos desta “governação”.
    Gostaria de ouvir a sua opinião , nas várias áreas , e sobretudo programa para um futuro diferente de Tomar

    Pode ser difícil com esse bom clima.

    Aceita o desafio??

  3. A precipitação (ou a imaturidade politica?) do senhor Cristovão é por demais evidente, quando anuncia, ou admite a possibilidade, de construir novos edificios para instalar a Câmara.
    Bondoso é o autor do post, ao admitir a possibilidade de uma “discreta” consulta de opinião, a ao estilo, a ver se pega…
    É que são por demais evidentes tantas carências de intervenção (em obras, e não só) em Tomar e no Concelho, bem como a existência de espaços que apenas carecem de reparação ou de manutenção , para (re) instalar os serviços camararios.
    Por isso, só se pode atribuir tal manifestação de intenção à precipitação do senhor Cristovão.
    Ou então, à imaturidade politica que o leva a a fazer anuncios como este.
    Quanto ao vereador da oposição que logo apoia, estamos falados.

  4. Grato pelo desafio que me lançou. Antes de ir mais além, permita-me discordar da sua exclamação “Reeleição da presidenta!!”. Tenho uma ideia que ainda “não sabemos o destino”. Uma larga e encorpada coligação de centro direita, como um programa adequado, original e robusto, era bem capaz de causar muito estrago.
    Basta pensar que a aventura IpT, cujos únicos trunfos eram três políticos locais assaz conhecidos (Fernando Oliveira, Pedro Marques e João Simões, por esta ordem) esteve quase a derrubar o poderio socialista da época, na primeira vez que se apresentou. Apesar de não terem um programa à altura das suas pretensões.
    O tempo agora é outro? Pois é. Já há cinco séculos o Camões escrevia “Mudam-se os tempos/Mudam-se as vontades/Todo o mundo é feito de mudança/Tomando sempre novas qualidades”.
    Vendo bem, nem sempre a mudança traz novas qualidades, como sucedeu por exemplo aqui no Brasil. Mas há que lembrar que o Camões era zarolho. Perdera antes o olho que via os defeitos…
    Volto ao desafio que teve a amabilidade de me endereçar. É uma situação muito complexa e delicada. Fazer o balanço de dois mandatos e apresentar um programa? Terei 80 anos aquando das próximas eleições. Já vi muito. Demasiado para me candidatar ao que seja. Poderei ajudar, mas só se houver gente realmente qualificada e com ganas de vencer e de servir o concelho. Se é para se governarem, governem-se sem a minha ajuda.
    Tenho muito medo de apresentar programas a executar por outros. Gato escaldado…
    Em tempos elaborei o processo de candidatura do Convento de Cristo a Património da humanidade. Para quê? As condições para os visitantes são hoje bem piores que nessa época, em que a entradas eram gratuitas.
    Consegui também, após horas de acalorado debate, sozinho em Santarém contra dezena e meia de presidentes de câmara, trazer para Tomar uma Comissão regional de turismo. Para quê? Verifiquei depois que os autarcas em funções nem sequer sabiam que designação oficial dar à nova entidade. Como cheirava a dinheiro, toda a gente se encavalitou. Do meu amigo Miguel Relvas à ex-president da câmara do Sardoal. É claro que só podia acabar como acabou. Absorvida pelos ratões do Turismo de Lisboa, que herdaram o património, nomeadamente a sede, instalada no ex-banco de Portugal, ali ao fundo da Corredoura. Fora comprada pelas câmaras aderentes, com Tomar a assumir a maior percentagem.
    Quando mais tarde Tomar resolveu mudar da Região de Lisboa e vale do Tejo para a região centro, por causa das percentagens a financiar por Bruxelas, mudou igualmente para o Turismo do Centro, mas a sede da região de turismo continuou a pertencer ao turismo de Lisboa, que a colocou à venda, até agora sem sucesso.
    E a srª presidente, em vez de se bater para reaver aquilo que pertence aos tomarenses, e restantes eleitores dos concelhos antes na Região de turismo dos templários, até já tentou arrendar o imóvel por 500 euros mensais, também sem sucesso até agora.
    Nestas condições, sr. Caldas, só depois de bem informado poderei decidir ajudar ou não. Entretanto continuo a procurar honrar aquela célebre quintilha do século XVI:
    Homem de um só parecer
    De um só rosto e uma só fé
    De antes quebrar que torcer
    Muita coisa pode ser
    Homem da Corte não é

    Por isso dizem tanto mal de mim.

    1. Tem razão. É cada vez maior a probabilidade de Tomar se tornar uma vila com história. Os jovens procuram outras paragens para desenvolver a sua carreira profissional; as empresas de âmbito nacional e com possibilidade de atrair e fixar quadros encerraram; no politécnico a ordem é para dispensar professores e sem professores não há projetos nem alunos; para a classe política local, PS e PSD, o mundo começa e acaba no seu umbigo. A visão é servir comida e vender dormida. Assim é bem possível que a cidade tenha atingido “o ponto de não retorno”. Fica a única coisa que parece interessar os locais: Convento e a Festa dita Grande. Fica também a população idosa reformada. É triste mas é verdade.

  5. Caro António Rebelo,
    Obrigado pela sua resposta. No entanto os Homens de um só rosto e de uma só fé não recusam um desafio. Porque de pessoas da Corte estamos nós fartos.
    A realidade deste esquema viciado da política não permite independentes. Por isso acho que se deveria pelo menos refletir sobre a situação do Concelho nas várias áreas e propor soluções. SE isto é um programa político talvez.
    Só criticar também não resolve, e mesmo um bom programa nunca consegue ser implementado por NÉSCIOS .Já não teve a prova??
    Agora justificar a sua idade para não nos permitir usufruir da sua experiência não me parece justo.
    Velho é jovem que deu certo!!
    Um abraço

    1. Peço desculpa, sr.José Caldas, pois parece que não consegui dizer por escrito aquilo que queria. Coisas da idade e da língua pátria, demasiado complexa, como todos sabemos.
      Julgo não ter recusado o seu amável desafio, argumentando com a idade para me escapulir. Apenas referi que já não tenho idade para me candidatar ao que seja, mas aditei logo que poderei ajudar. Ou seja, desde que haja um grupo de pessoas capazes, podem contar com a minha ajuda, se a solicitarem ou dela necessitarem. Sem esperar qualquer retorno.
      Avançar PUBLICAMENTE hipóteses de solução para os cada vez mais graves problemas da cidade e do concelho, isso é coisa que para mim está fora de questão. O que nem sequer vai prejudicar os actuais maioritários e oposicionistas oficiais, pois como bem sabemos consideram-se todos auto-suficientes. E quando precisam de assessoria, vão buscá-la longe, lá para as bandas de Braga, por exemplo, mediante ajustes directos e bateladas da ordem dos 80 mil euros. Bom proveito!
      Ainda há pouco contrataram uma entidade de Viseu, para lhes fornecer um fórum templário pronto a usar, para instalar naquela asneira monumental da Levada.
      É verdade que estou longe, mas via Zoom, Skype, ou outro até podemos debater olhos nos olhos. Basta marcar dia e hora.

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