Preço da água vai baixar… e brutalmente

O preço da água de abastecimento público no Concelho vai baixar muito significativamente, e poderá ter um valor abaixo da média nacional, segundo uma fonte por nós contactada.
Essa descida pode atingir 35%, e será concretizada em 2020. A primeira preocupação é aproximar o nosso preço dos que vigoram nos concelhos vizinhos.
Com efeito, não seria fácil de entender que, após a integração dos serviços de águas na nova empresa intermunicipal, houvesse cidadãos a pagar preços muito diferentes consoante o concelho considerado, quando a água é a mesma e os seus custos de produção da água são os mesmos. Será também executado um programa de redução de custos, visando a redução das percas e roubos de água na rede concelhia.
Os responsáveis políticos concluíram que é tempo de dotar o nosso Concelho de novos fatores de competitividade, e de anular as situações que a possam abalar. O preço da água é disso um bom exemplo. Criar condições concretas para atrair investimentos e criar emprego é o principal objetivo a alcançar. Estão também a ser estudadas outras medidas nesse sentido, pois finalmente se entende que é imperativo estancar o abandono de população que afeta o Concelho.
Outros observadores destacam ainda que os responsáveis políticos consideram agora, com a aproximação das eleições autárquicas, que é conveniente recolocar o preço da água em valores “atraentes”. A Oposição continua a observar, curiosa como tem sido.
Retirado de Notícias de Freixo de Espada às Costas, edição de Janeiro de 2020.
Manuel Santos
Acho que a data é 1 de abril de dois mil e troca o passo 🤣
Basta comparar a qualidade da água, sim a qualidade, com o concelho vizinho de Ferreira do Zêzere onde por lá a água é sujeita a tratamento anticalcario e, pese embora este facto tenha custos elevados, o preço é incompatívelmente mais barato.
Os cidadãos daquele município agradecem e os autarcas são reconhecidos pelo seu mérito, concretamente pela ERSAR em parceria com um conjunto de entidades. Depois surgem títulos como estes nos órgãos de comunicação social tomarenses: “FERREIRA DO ZÊZERE – Concelho distinguido. Água que sai das torneiras ferreirenses é que “qualidade exemplar para consumo humano”
Esta “notícia”, que se pretende irónica, é bem capaz de iludir alguns leitores. Dos já poucos que ainda lêem a informação local. Cansados que estão da inoperância geral. Os autarcas não são de primeira escolha, os jornalistas podiam ser melhores, os funcionários gostam de pensar que são muito competentes, os eleitores inscritos consideram-se em geral bem informados e capazes de discutir e decidir seja o que for. Que Deus os abençoe a todos, se assim o entender, na sua infinita sabedoria. Trata-se apenas de uma descrição sumária. Não de uma crítica.
Para todos, talvez seja útil esclarecer que a falência dos SMAS, (porque afinal é disso mesmo que se trata) resulta de três factores principais: 1 – Uma rede demasiado envelhecida e obsoleta, devido à evidente falta de investimento, que provoca perdas da ordem de um terço da água adquirida pela empresa em alta; 2 – os elevados preços finais do serviço fornecido aos consumidores, que potencia toda a espécie de vigarices, por vezes até com a conivência de “gente de dentro”; 3 – a ganância do executivo, composto por maus gestores, virados para a compra de votos, por isso sempre a braços com falta de verbas, o que obriga a cobrar taxas anexas obrigatórias, cada vez mais gravosas, por serviços cada vez mais reles.
É isto. Daqui não se pode fugir, sob pena de cair no irrealismo. Mas enquanto os tomarenses em geral continuarem anestesiados por festas, comezainas, passeios e subsídios, às claras ou encapotados, não se pode fazer nada. O mal está na árvore. Não nos frutos que dá.
Para não sobrecarregar, que o leitor tomarense não gosta de textos longos, omiti na intervenção anterior um aspecto importante. Mesmo que os autarcas digam e repitam que vão fazer o possível para baixar as tarifas da água, em Tomar isso não é verdade. Porque interessa à maioria do executivo que os preços sejam o mais elevado possívei, uma vez que as obrigatórias taxas anexas são calculadas em percentagem do custo do consumo da água.
Em vez de haver tarifas planas para o saneamento, o tratamento de esgotos e os resíduos sólidos, quanto mais água consumir um determinado núcleo familiar, mais terá de pagar em taxas anexas. Temos assim situações bastante curiosas. Eis duas, para não maçar muito: A – Um consumidor que tome dois banhos por dia, vai pagar mais em taxas de saneamento, tratamento de esgotos e resíduos sólidos, do que um outro que tome banho só uma vez por dia. Como se tomar banho mais ou menos vezes tivesse alguma influência sobre a recolha de mais ou menos resíduos sólidos, por exemplo; B – Como existe o chamado consumo mínimo obrigatório, um consumidor que passe largos meses fora de Tomar acaba por ter de pagar água que não consome e taxas correspondentes a serviços que não utiliza enquanto está ausente.
Perante isto, o espertalhão de serviço exclamará -E porque é que não manda cortar a água? Simplesmente para não pagar a taxa de corte e a da posterior religação, ou seja mais ou menos 90 euros. Mais as maçadas burocráticas inerentes.
É como apregoavam em tempos os esquerdalhos agora armados em autarcas: “Os ricos que paguem a crise!” No caso presente, Os consumidores com mais posses ou mais filhos que sustentem os autarcas espertalhuços que nos calharam na rifa.
Sra. Carlota,
Tendo a concordar com o seu ponto de vista, que afinal não difere muito do meu.
Ainda assim, queria apenas recordar que a ligação á rede pública de abastecimento de água ou de saneamento de águas residuais disponível a menos de 20 metros do limite da propriedade é obrigatória.
Legislação a consultar:
– Artigos 59.º e 69.º e alínea a) do n.º 2 do artigo 72.º do Decreto-Lei n.º 194/2009, de 20 de agosto;
– N.º 3 do artigo 42.º e n.º 4 do artigo 48.º do Decreto-Lei n.º 226-A/2007, de 31 de maio.
Tem razão. Mas os emigrantes que mandam cortar a água enquanto estão ausentes, justamente para não pagarem o tal consumo mínimo, mais as taxas obrigatórias, depois quando vêm de férias, têm muita dificuldade para mandar ligar de novo. Além dos 49 euros, ainda têm de pagar um almoço, ou avançar com mais 20 ou 30 euros, porque caso se recusem vão esperar várias semanas, e sem água…
Como qualquer outra entidade, sobretudo na função pública, os SMAS tinham bons funcionários, mas também tinham alguns que Deus nos livre de ter de os aturar, quanto mais agora de os sustentar.