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O Futuro da Democracia

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Foi no passado dia 26 de maio que os portugueses, à semelhança de outros povos europeus, foram chamados às urnas para escolher os deputados que se sentarão no Parlamento Europeu durante os próximos 5 anos.

O principal objetivo deste artigo de opinião não é esmiuçar os resultados. Resultados que pouco tiveram de surpreendente para os mais atentos.

Não escondo que não estou satisfeito com o resultado do PSD, o meu partido. Uma votação aquém das expetativas e que merece uma análise profunda a ter em conta nos próximos atos eleitorais.

Mas, o meu objetivo hoje é sim refletir convosco sobre o futuro da nossa democracia e, consequentemente, do nosso país.

Sou daqueles que acredita que há muito que o nosso sistema democrático e político necessita de ser reformado.

A prova disso está nos mais de 68% de abstenção. Dois em cada 3 portugueses optaram por não cumprir o seu dever cívico – muito longe da média europeia. Um número preocupante, cuja responsabilidade é partilhada entre eleitos e eleitores. E cujas consequências poderão ir além da abstenção, gerando resultados inesperados como o Brexit.

Estamos à espera de quê para passar à ação?

É precisamente com este sentido de urgência que devemos encarar o debate em torno da reforma do nosso sistema político. O mundo evoluiu a uma velocidade vertiginosa nas últimas décadas e os sistemas democrático, político e partidário não conseguiram acompanhar essa evolução. Urge a necessidade de firmar um compromisso entre partidos políticos e cidadãos, um compromisso de credibilização.

A reforma do sistema político passa necessariamente pela reforma dos partidos, ao nível do quadro legislativo, promovendo a transparência, e ao nível eleitoral, aproximando eleitores e eleitos. E esta reforma tem que ser encarada não como uma bandeira eleitoral, mas antes como uma missão, um desígnio nacional pela sustentabilidade e futuro de Portugal.

Acredito também que este caminho de credibilização se fará através da responsabilização. Desde a primeira hora que iniciei o desempenho de funções políticas, primeiro na Assembleia Municipal de Tomar, e atualmente na Assembleia de Freguesia de S. João Baptista e Sta. Maria dos Olivais que tenho defendido e praticado uma política de responsabilização, prestação de contas e transparência.

É fundamental comunicar e, se possível, envolver os cidadãos nas ações, nas iniciativas e nas posições tomadas no desempenho destas funções.

Conto convosco para passarmos à ação!

                                                        Tiago Carrão
                                      Vice-Presidente do PSD de Tomar

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3 comentários

  1. O sistema político está morto, enfadado, e devia ser enterrado. Ponto.

    O que requer reforma urgente é o sistema eleitoral português, que é do mais estúpido, para não dizer outra coisa, que existe. Com os avanços tecnológicos que temos não é possível obrigar ainda as pessoas a deslocarem-se, por vezes centenas de quilómetros, para irem votar. Nem o sistema de voto antecipado é o correto, já que as capitais de distrito distam bastante de algumas localidades desses distritos. Já para não falar do novo sistema de eleitores, que chegam a obrigar famílias inteiras a passear de local de voto em local de voto.

    Portanto, a 1ª medida para combater a abstenção passará pela reforma do sistema eleitoral. Não pelos partidos, esses continuarão sempre a ser o que são hoje, repositório de ânsia de poder.

  2. Excelente artigo, senhor Carrão. Parece-me que só peca por se virar demasiado para o quadro nacional, em detrimento do local. Quanto ao resto, absolutamente de acordo.
    Julgo que uma das medidas reformadoras mais importantes nem carece de grandes estudos. Falo das candidaturas individuais, para substituir as listas partidárias. Ou para concorrer com elas.
    Não consigo entender que, tendo as democracias adoptado o princípio um cidadão = um voto, ainda não se tenha adoptado em Portugal o são princípio um círculo/um deputado, a melhor forma de aproximar eleitores e eleitos, pedindo contas a quem aceitou servir sem se servir.
    Quanto à cova tomarense, é de pasmar a evidente passividade da oposição, assim como a praticamente óbvia inutilidade da AM, tal como vem funcionando.
    Se em 2021 o eleitorado nabantino vier a ser confrontado com a escolha entre uma técnica de emprego e outra técnica de emprego, receio que mais de metade dos inscritos considerem a ida às urnas como tempo mal empregado. Pense nisso, senhor Carrão. E não tenha medo de insistir. É aí que está o nó do problema tomarense.

  3. A União Europeia está condenada a desaparecer. As bases sobre as quais está assente não são as correctas, logo o seu desmoronamento é inevitável. Ainda levará vários anos, talvez umas décadas, mas chegará o seu fim.

    Dizem que votar é uma obrigação democrática, mas e quem não se revê num sistema de democracia representativa? Já alguém pensou que algumas das pessoas no povo podem não se importar que alguns de entre eles tratem das coisas legislativas, mas que no fim do dia querem ser os próprios a decidir se as regras decididas avançam mesmo ou não? Que representantes não necessariamente os representam de todo! Por vezes chegam a fazer exactamente o oposto daquilo que os supostos representados por esses representantes querem.

    A democracia representativa é um sistema que irá morrer, também ele, dentro de poucas décadas, pelo menos na sua forma actual. Futuramente as pessoas poderão eventualmente escolher alguns de entre os seus para os representar, como agora, mas eles terão de ser individualmente escolhidos e responsabilizados individualmente por suas escolhas por um lado, e por outro terá de ser implementado um sistema de voto directo sobre cada medida decidida, por parte do povo, já que tais regras se aplicam ao mesmo, então as pessoas terão de compreendê-las e aceitá-las

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