
Foi a 29 de outubro de 2018 que a câmara de Tomar aprovou o contrato de arrendamento para exploração turística da estalagem de Santa Iria com o consórcio Sólido Favorito, Limitada e Nélio Oliveira Duarte.
Um ano depois, a estalagem continua fechada e não há quaisquer projetos nem datas para obras muito menos para reabertura, pelo menos que seja do conhecimento público.
Este facto levou um dos concorrentes da hasta pública para arrendamento da unidade hoteleira a escrever um artigo no jornal Cidade Tomar no qual lembra o atribulado processo de concurso e as muitas dúvidas que pairam no ar.
Transcrevemos o referido artigo:
Opinião
Estalagem de Santa Iria: Um ano passou e nada mudou
No próximo dia 19 de outubro (quase dia de Santa Iria) faz um ano que decorreu a Tramitação do Segundo Ato Público do Programa da Hasta Pública – Contrato de Arrendamento para Exploração Turística da Estalagem de Santa Iria na Cidade de Tomar, onde os concorrentes foram chamados a apresentar uma PROPOSTA MELHORADA.
Tendo nós ficado em primeiro lugar na primeira fase deste processo (depois de afastados alguns concorrentes de forma pouco ortodoxa e até questionável) passámos à segunda fase elaborando uma PROPOSTA MELHORADA consciente, ponderada e exequível, num tempo de execução útil que considerávamos válido para nós, para o próprio edifício e para a cidade. Proposta essa que naturalmente subiu, mas não desmesuradamente nem excessivamente, pois o que nos propusemos fazer, constante na memória descritiva apresentada manteve-se, alterámos naturalmente alguns materiais e equipamentos, que justificassem essa subida de valor. Para que conste, a nossa primeira proposta teve um valor de investimento de 601.050.00€ e de renda 605.400.00€ e a Proposta Melhorada um valor de investimento de 765.206.54€ e de renda de 605.400.00€.
Ora, o concorrente que venceu esta hasta publica, Sólido Favorito, Lda e Nélio Oliveira Duarte apresentaram uma primeira proposta no valor de investimento 328.431.95€ e de renda de 372.000.00€ e uma Proposta Melhorada com um valor de investimento de 1.001.501.00€ e valor de renda 465.000.00€ sem qualquer justificação válida, concreta, que teve cabimento numa folha A4.
Permitam-nos que estranhemos a subida de investimento de 673.069.05€ sem qualquer motivo nem esclarecimento adicional.
Passado um ano, e nada se vendo acontecer na Estalagem de Santa Iria, é natural que nos questionemos sobre o processo, não só como munícipes da cidade de Tomar, mas também por termos participado na referida Hasta Pública.
Questão que já colocámos à Câmara Municipal de Tomar, no sentido de sermos esclarecidos.
Em que fase estamos afinal? O vencedor já tomou alguma iniciativa junto da Câmara Municipal de Tomar? Já existe algum projeto? Existem prazos estabelecidos? Cronogramas de trabalhos? Esses prazos são exequíveis? Interessam à cidade? Porquê tanto tempo sem nada acontecer? A que se deve esta demora?
As nossas questões prendem-se com o facto de que a nossa proposta tinha como base a requalificação do edifício existente, não pondo nunca em causa a sua arquitetura exterior.
Propunhamo-nos interferir o mínimo possível, de forma a reconfigurar a estalagem adaptando-a aos requisitos contemporâneos de qualidade, modernidade e conforto que qualquer unidade hoteleira deste tipo oferece nos dias de hoje. Ações que não demorariam mais que uns meses a desenvolver.
Quem sabe… neste momento a Estalagem de Santa Iria já estaria aberta ao público?
De facto é de lamentar todo o decorrer deste processo de hasta pública, de um bem imóvel público, mal conduzido, mal elaborado, com omissões que levaram à sua dualidade, a mal interpretações e oscilações que causaram desconforto a todos os participantes, que se propunham devolver alguma dignidade ao espaço em questão, bem como a explorar a estalagem de forma clara, profissional, com objetivos reais e exequíveis.
Um ano passou e nada mudou.
Luís Jardim Pereira
Luís de Sousa Bibi
Valérie de Sousa Bibi
Notícia oportuna, num contexto em que nada se sabe, por exemplo, sobre as obras da Av Nun’Álvares e as da Várzea Grande. Ou ainda sobre o já célebre “Bairro Calé”. Já está habitado? As obras decorrem com normalidade?
Regressando à Estalagem de Santa Iria, a opinião transcrita compreende-se. Mas não é tão inocente como os seus autores querem fazer crer. Porque na realidade eles sabem muito mais do que aquilo que escrevem. Não querem espantar a caça, é o que é. Procuram apenas afastar legalmente os vencedores, assim com falinhas mansas: “Propunhamo-nos interferir o mínimo possível.”
Segundo fontes geralmente bem informadas, o processo da estalagem simplesmente encalhou. O clã que organizou o concurso e assinou o contrato chocou com o clã dos sentados. Segundo estes, o concurso público foi ilegal. O projecto de obras de remodelação e ampliação, entretanto apresentado pelos vencedores do referido concurso, não pode ser aprovado, porque não respeita o disposto no “Plano de pormenor do Açude de Pedra”, do tempo do Paiva e do qual já ninguém se lembrava.
Sucede que esse plano, que prevê o parque de campismo junto ao açude, do lado esquerdo do caminho de acesso, e uma ETAR do lado direito, não engloba quaisquer obras na estalagem.
Garantem as mesmas fontes geralmente fidedignas que quando foi perguntado ao clã dos sentados porque é que não informaram atempadamente o executivo nem o DF, a resposta foi pronta e seca: -porque não nos foi perguntado.
Adeus unidade de actuação camarária, adeus entrosamento, adeus solidariedade profissional e institucional, adeus empenhamento e zelo. É cada um para si e Deus para todos.
Depois indignam-se quando alguém escreve que há gente a criar dificuldades, para mais tarde venderem facilidades por baixo da mesa. Não querem admitir que em política o que parece é. E neste caso, se não há quem esteja a tentar sacar mais algum aos vencedores do concurso, pelo menos da fama já não se livra..
É assim mesmo, como elucida a Carlota Fagulha.
Faltará acrescentar que os clãs tamnem têm ciumes, e que a senhora camara, com todos os clãs, os sentados, os punhos fechados e a oposição, considera-se Soberana.
Fala do que quer, quando quer, e os eleitores que estejam calados e não façam perguntas porque só são precisos para o proximo ano. Então, com mais umas festanças e uma lembranças, hão-de levar algumas prendas e deixar os votos.
Mas nãpo chateiem agora, sff.
Sim, mas não foi a população tomarense que a mandatou? E não é a mesma população que entende que entre tabuleiros, festas do feijão e de Estátuas, Tomar está no rumo certo? E que a oposição autárquica acha o mesmo?
É verdade sim senhor. Uma minoria de mamões e equiparados elegeu o que temos e comparece com visível satisfação a tudo o que cheira a festa, a comezaina, a tintol ou a subsídios.
Mas isso não deve levar aqueles mais conscientes e capazes a desanimar. Se mesmo com a (pouca e pobre) crítica existente, as coisas estão como estão, já viu o que seria se todo o pessoal se calasse?