DestaqueSociedade

Tomarense de 28 anos: “estou muito contente por viver na Alemanha”

- Patrocínio -

João Gomes, nasceu, cresceu e estudou em Tomar, mas, aos 25 anos, aproveitou uma oportunidade e foi trabalhar para a Alemanha, país onde gosta de viver e onde conta ficar não sabe até quando.

A experiência de um jovem emigrante, atualmente com 28 anos, é tema para mais uma entrevista da rubrica “Tomarenses pelo Mundo”.

 

Tomar na Rede – Estás há três anos em Frankfurt. Quanto tempo contas ficar na Alemanha?

João Gomes – Tenciono fazer o resto da minha vida aqui, no entanto nunca se sabe o dia de amanhã.

 

Neste momento qual é a tua atividade profissional?

Sou o responsável de logística de uma empresa que trabalha em parceria com a Amazon. Há três anos inscrevi-me para trabalhar na Ryanair e fui colocado na base de Frankfurt. Fiquei mesmo contente. Há seis meses deixei a Ryanair para abraçar este novo desafio.

 

Já sabias falar alemão?

Não, sabia o básico quando vim, e aos poucos vou melhorando.

 

Emigrar foi um mal necessário?

Tenho muito orgulho em ser português, mas infelizmente Portugal não dá a estabilidade para uma pessoa se realizar sobretudo a nível profissional. A vida deu-me esta oportunidade, a qual agarrei e estou muito contente por viver na Alemanha.

 

Como foi a adaptação nesse país?

Ao início foi um bocado complicado, mas é assim para todas as pessoas que emigram. A cultura, a mentalidade, tudo isso é bastante diferente de Portugal. No entanto posso dizer que me adaptei bastante bem.

Quais as maiores diferenças que sentiste em relação a Portugal?

Tudo é bastante diferente de Portugal. A começar pela remuneração, que é, naturalmente, superior à remuneração em Portugal. No entanto, o custo de vida na Alemanha, no que toca a bens essenciais é igual e muitas vezes mais barato do que em Portugal. Por exemplo, os combustíveis são mais baratos também (embora o preço oscile várias vezes por dia). Mesmo que se receba o salário mínimo daqui, uma pessoa consegue ter uma vida estável, desde que tenha cabeça e seja orientada. A nível profissional, sinto-me bastante valorizado. Creio que, com muito trabalho, esforço e dedicação uma pessoa poderá progredir bastante na carreira. Claro que existem outros fatores, sendo a língua alemã um dos fatores mais importantes (senão o mais importante claro).

 

Mas é fácil arranjar trabalho na Alemanha?

Há bastante oferta de trabalho, basta uma pessoa ser versátil e querer trabalhar.

joao 9312616 3762137910308871062 n

A gastronomia alemã é muito diferente da nossa?

Naturalmente que não se compara à portuguesa. Sinceramente, acho que não há gastronomia nenhuma no Mundo que se compare à Portuguesa, quer seja na variedade, quer seja no sabor. Existem pratos típicos alemães bons também, sendo que o meu preferido é o “Schweinshaxen” (joelho de porco). Recomendo verdadeiramente este prato. Temos também os famosos Schnitzel, as Bratwurst, Currywurst, Rindswurst (diferentes tipos de salsichas alemãs). Não me posso esquecer de pratos que incluam as famosas “Kartoffeln” (batatas). O facto de existir uma comunidade muçulmana bastante vasta faz com que a cada 10 m praticamente se encontre um restaurante de kebabs, onde se podem comer os famosos Döner kebab (bastante deliciosos ) ou para os vegetarianos, os famosos falafel (muito bons também).

 

E o clima?

O clima é bastante diferente de Portugal. Aqui faz bastante mais frio e temos muita neve, no entanto as casas estão bem preparadas para o frio. No verão o clima é quente (não tão quente como em Portugal, naturalmente), mas dá para irmos aos lagos fluviais, que são as nossas praias daqui. Confesso que o clima é o que mais sinto falta de Portugal.

 

Em termos culturais há grande diferenças?

Lembro-me do primeiro dia em que cheguei à Alemanha ser um domingo, em janeiro, e ter aterrado as 16h30 hora local. Já estava escuro (no Inverno aqui às 16h30 já é de noite literalmente), e precisava de ir a um supermercado. Claro que não consegui pois estava tudo fechado (aos domingos os supermercados e a maioria das lojas estão fechados). Na rua não se via ninguém, um deserto autêntico. O meu primeiro pensamento foi: “Onde é que eu me vim enfiar?” A parte de ter tudo fechado ao domingo foi um pouco chocante, custou a habituar. Mas por exemplo, agora que já estou habituado, já me faz diferença ir às compras ao Domingo quando estou em Portugal.
Como já referi anteriormente, a comunidade muçulmana é bastante grande, e isso foi algo que me surpreendeu bastante, pois não estava à espera. No entanto, não tenho nem nunca tive problemas com isso. No trabalho tenho bastantes muçulmanos a trabalhar comigo, e dou-me bastante bem com todos eles. Creio que há quem tenha uma opinião não muito boa sobre a religião muçulmana (muito por causa da comunicação social também). Há espaço para todos neste mundo. O essencial é existir respeito e não existir racismo.

joao 1935924 7634621917472583634 n

Costuma frequentar as lojas e associações portuguesas?

Costumo ir por vezes a lojas portuguesas comprar produtos típicos quando a saudade aperta. Em relação a restaurantes portugueses, costumo frequentar (antes do Corona, pois agora estão todos fechados, só para take away) juntamente com um grupo de amigos portugueses que tenho aqui. É importante referir também que a comunidade portuguesa aqui é significativa, temos alguns restaurantes e lojas portuguesas aqui na zona.

Costuma vir a Portugal ao longo do ano?

Antes do Corona ia duas ou três vezes por ano. Agora é mais complicado…

 

Sente saudades?

Gerir a saudade é complicado. No entanto com o passar do tempo torna-se mais fácil de lidar com a saudade. Mas esta permanece sempre aqui. Ter a família a 2300 km de distância não é fácil. O facto de ter aqui amigos portugueses é muito bom, pois conseguimos ajudar-nos e apoiarmo-nos uns aos outros. Convivemos bastante.

 

Tem alguma história que queira partilhar nesta experiência de emigração?

Neste país passei por aquela que foi a experiência mais marcante da minha vida, e que ainda hoje me deixou sequelas. Em novembro de 2018 tive um incêndio em minha casa e queimei 9% do meu corpo. Fui transportado de helicóptero para o hospital. Tive de fazer cirurgias para o transplante de pele para o meu braço e para a minha perna. Um mês praticamente internado no hospital, com muitas dores. Quando regressei a casa, nas primeiras noites custava-me muito a entrar na cozinha (local onde aconteceu o incêndio). Ainda hoje tenho as marcas no braço e na perna, mas já não me faz diferença, embora por vezes ainda tenha dores sobretudo no braço. No verão com o sol foi mais complicado lidar, mas felizmente, graças à última cirurgia a que me submeti, será mais fácil suportar as dores daqui para a frente. Foi uma experiência traumática, mas que me ajudou também a ver a vida de outra forma.

 

“Tomar na Rede” lança o desafio aos nossos emigrantes que queiram partilhar a sua experiência noutras paragens do mundo. Se quiser prestar o seu testemunho com uma entrevista, envie-nos um email para

- Patrocínio -

2 comentários

  1. Como o site é um autêntico enxame de publicidade, nomeadente de jogos, não é fácil arranjar espaço livre para comentário. Quanto à entrevista, os sentimentos pessoais são o que são. Quanto às opções, trata-se de um jovem tomarense, estudante, com vontade de trabalhar mas com futuro incerto. Emigrado para um pais industrial e com serviços especializados, com possibilidade de carreira, já tem um início de vida autónoma, oportunidades diferenciadas de trabalho, independente da família. Algo quase impossível por aqui. Daí a inevitável desertificação.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo