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O que mostraram as Europeias em Tomar

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As recentes eleições europeias mostraram, no que concerne ao concelho de Tomar, algumas subidas e outras tantas quedas. Começando por aquelas, pelas subidas, destaque para o Bloco de Esquerda, que passou de 610 votos em 2014, para 1352 agora. Ou seja: mais que duplicou a sua votação.

Todavia, nada de alegrias excessivas. Pode tratar-se apenas de chuva passageira e as legislativas de Outubro são já ali adiante. Convém não esquecer que em 2009 o BE averbou 2055 votos = 13,32%, no concelho tomarense, o que não impediu o tombo em 2014, com apenas 610 votos e 4,33%.

Outro aumento notado é o da abstenção, sempre a subir. 60,86% em 2009, 65,20% em 2014, 65,34% em 2019. Sinal de que é cada vez mais evidente o divórcio entre os cidadãos e a política tal como vem sendo praticada, em regime de oligopólio partidário.

A CDU sofreu outra queda gravosa, perdendo metade dos votos (1.257 em 2014, apenas 612 em 2019). Outro tanto aconteceu com o CDS, mas em relação a 2009, visto que em 2014 concorreram coligados com o PSD.

Continuando a falar de quedas aparatosas, o PSD local ficou-se pelos 2.695 votos (22,56%), muito longe dos 4.916 (31,86%)  de 2009. Ou mesmo dos 3.645 (28,28%) de 2014, coligado com o CDS.

E chegamos assim ao PS, com os socialistas nabantinos todos ufanos, a transbordar de alegria, porque venceram a nível local. com 4.169 votos (34,9%), tendo melhorado o resultado. Mas não parece haver motivos para tanta alegria.  Por um lado, porque o PS local somou apenas mais 196 votos que em 2014. Sendo naturalmente melhor que perder, não deixa de ser poucochinho, um vocábulo que os seguristas detestam. Eles lá sabem porquê.

Por outro lado, entre 2014 e 2019, em 5 anos portanto, o concelho de Tomar perdeu mais 2.443 eleitores, uma média de 488 por ano. É preocupante. Muito preocupante mesmo.  Tendo em conta que, apesar de tal sangria demográfica, o PS melhorou, enquanto os outros partidos, à excepção do BE, perderam eleitores, o sinal parece ser claro. A política de compra de votos, seguida pelos socialistas tomarenses, está a dar os seus resultados. O pior é que, paralelamente, aqueles que não se querem vender ou que os socialistas não querem comprar, têm de “calçar os patins” e ir em busca de emprego para outras paragens.

Dirão os que já se venderam e outros instalados à mesa orçamental que a hemorragia demográfica é geral no interior do país. Será. Mas é também muito desigual. Aqui na nossa zona, por exemplo, Tomar foi o concelho que perdeu mais habitantes, nestes últimos 5 anos (-2.443), logo seguido por Abrantes (-2.356), Ourém (-1.522) e Torres Novas (-1.208).

E que pensar sobre Elvas que, encravada no Alentejo profundo, perdeu apenas 807 eleitores entre 2014 e 2019?

Perante tudo isto, e muito mais que fica por dizer, quer-me parecer que os senhores autarcas tomarenses devem parar para pensar. Antes que seja tarde demais.

                                                                               Vasco Abravanel

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3 comentários

  1. A sangria demográfica é um indicador implacável da saúde de cada território. É certo que está generalizada na nossa região.
    Mas No nosso caso, o que verdadeiramente nos preocupa, é que temos em Tomar ativos específicos que, se houvesse capacidade, visão e vontade, para dinamizar e valorizar, poderiam atrair população e riqueza.

    1. Atrair população e riqueza? É uma hipótese que não agrada à atual maioria. Ia obrigar o executivo e os funcionários superiores a trabalhar a sério, situação sempre aborrecida, porque cansa a cabeça e não se ganha mais por isso.
      Além de que viriam pessoas pouco habituadas à modorra tomarense, capazes de votar de forma mais independente, e depois lá se iam os lugares e as mordomias. Ná! O melhor é continuar nesta miséria alegre, aproveitando enquanto é tempo, que a atual bonança económica a nível nacional e internacional não vai durar para sempre.

  2. Para quem goste de comparar, como forma de obter um retrato da evolução demográfica, aqui vai um comparativo dos eleitores inscritos em 2001 e em 2019:

    TOMAR menos 4.743
    ABRANTES menos 6.067
    T. NOVAS menos 757
    OURÉM MAIS 4.032
    ELVAS menos 790

    Pois. Ourém é por causa do milagre de Fátima, segundo as luminárias tomarenses do costume. E os outros concelhos, que perdem muito menos população que Abrantes ou Tomar, será porquê?
    As capacidades dos senhores autarcas não têm nada a ver, é evidente. Ou não?

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