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Regresso às origens: de Tomar para Moçambique

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Carlos Pereira tem 47 anos e há um ano decidiu trocar Tomar por Moçambique, país onde nasceu.

Mestre em economia, deixou o lugar de diretor financeiro no hipermercado E.Leclerc do Entroncamento, e em março de 2020 rumou até à província de Gaza, a cerca de 200 km de Maputo, onde trabalha junto de familiares.

É mais uma entrevista da rubrica “Tomarenses pelo Mundo”.

 

Tomar na Rede – O que é que faz aí em Moçambique?

Carlos Sérgio da Costa Pereira – Sou Gerente de uma empresa comercial, com atividade em diversas áreas, nomeadamente alimentar, bebidas e materiais de construção.

 

– Porque optou por emigrar?

Nasci em Moçambique e toda a minha infância e juventude ouvi os meus pais falarem maravilhas deste país. Desde sempre tive intenções de regressar ao meu país.

Desde 2010 surgiram várias oportunidades de trabalho em Moçambique, tendo em 2014 a oportunidade de ingressar nos serviços centrais do BCI em Maputo, contudo divergências sobre condições salariais não permitiram chegar a acordo, tendo permanecido em Portugal.

De seguida surgiu a proposta para trabalhar no hipermercado E.Leclerc no qual estive quase cinco anos, adiando mais uma vez a intenção de emigrar.

Condicionantes de ordem profissional e familiar afetaram negativamente a minha saúde pelo que no início de 2020 tomei a decisão de que seria ano para uma grande mudança na minha vida, até porque a idade avança e começava a ser tarde para uma aventura profissional no estrangeiro.

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– Como foi a adaptação nesse país?

A adaptação tem sido muito boa pois fui muito bem recebido num ambiente muito familiar. Costumo dizer que desde que aterrei no aeroporto de Maputo e pisei solo moçambicano que me sinto em casa (foi um sentimento indescritível, como se sempre tivesse vivido em Moçambique).  A tranquilidade de vida, o clima e a comida permitiram uma recuperação muito rápida em termos de saúde, conseguindo recuperar 7kg em 6 meses, enquanto em Portugal estava muito magro e nem 1kg conseguia engordar.

 

– Quais as maiores dificuldades que sentiu nos primeiros tempos?

Conseguir adaptar o ritmo de trabalho a que vinha habituado do E.Leclerc à forma de trabalhar daqui, pois em Moçambique tudo funciona a um ritmo muito mais lento e tem que se ter paciência com os trabalhadores repetindo e explicando muitas vezes como queremos que determinada tarefa seja executada. Eu costumo dizer que onde trabalhava, tudo era urgente e feito para ontem, aqui é tudo para amanhã!

 

– Quais as maiores diferenças que sentiu em relação a Portugal?

Em termos profissionais, as funções que exerço são em tudo idênticas ao que fazia em Portugal, com as necessárias adaptações em termos de funcionamento e organização, tendo em conta o país em que me encontro. A remuneração é um pouco superior e o custo de vida é mais baixo.

Após o primeiro ano de adaptação e de no início deste ano ter conseguido o grau de Mestre em Economia reconhecido pelo Ministério de Educação de Moçambique, bem como a obtenção da carteira profissional de Contabilista Certificado aprovado pela Ordem do Contabilistas e Auditores de Moçambique, espero em breve conseguir uma valorização profissional, nomeadamente retornando à atividade de Docência, estando neste momento a aguardar resultados do concurso público de contratação de Docentes no ISPG – Instituto Politécnico de Gaza.

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– Como é a vida em Moçambique?

É ótima, bom clima, boa comida e excelentes praias. As pessoas aqui são muito simpáticas, por onde passo sou sempre saudado, são alegres e têm sempre um sorriso no rosto, com muito pouco são felizes.

 

– E o povo moçambicano? Sentiu algum tipo de choque cultural?

A vivência e os costumes do povo moçambicano são muito diferentes do que os portugueses estão habituados, pelo que me tenho tentado integrar na sociedade, conviver, festejar, estando mesmo a aprender a falar a língua nativa (Changane), desta forma tenho sido muito acarinhado pelas pessoas, para que a adaptação aconteça o mais rápido possível.

 

– Costuma frequentar restaurantes e lojas de produtos portugueses?

Sim, frequento lojas e restaurantes portugueses principalmente na cidade de Maputo. Nos hotéis e restaurantes encontramos muitos portugueses.

 

– Não o preocupa a guerra que se verifica no norte de Moçambique?

Esta é uma guerra de interesses pelo que, se existir vontade política, pode terminar de um dia para o outro, basta que o governo moçambicano aceite a ajuda internacional, mas infelizmente a situação tem-se arrastado devido aos interesses instalados. Esta guerra é localizada na ponta mais a norte do país, este país é enorme, são milhares de quilómetros de comprimento, pelo que não se faz sentir no resto do país, sendo a vida muito tranquila, pelo que não deve existir medo de viajar para cá e visitar as restantes cidades.

 

– Quantas vezes e por quanto tempo vem a Portugal?

Por norma irei a Portugal uma vez por ano durante 30 dias de férias.

 

– Como se gere a saudade?

A saudade gere-se falando diariamente com os filhos e amigos através de videochamada pelo watsapp.

 

– Quanto tempo conta ficar em Moçambique?

Se tudo correr bem ficarei em Moçambique muitos anos, quem sabe até à idade de reforma. Aproveito para convidar todos os portugueses e em especial os tomarenses a visitarem este lindo país, visitar estas lindas praias, conviver com este povo e comer estas belas frutas (Papaia, Manga, Anona, Banana, Ananás, Abacate).

“Tomar na Rede” lança o desafio aos nossos emigrantes que queiram partilhar a sua experiência noutras paragens do mundo. Se quiser prestar o seu testemunho com uma entrevista, envie-nos um email para 

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