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Sair de Tomar para recomeçar a vida em Genebra (Suíça)

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Esta é mais uma entrevista da secção “Tomarenses pelo Mundo”. Agradecemos a recetividade que temos tido da comunidade nabantina espalhada pelos cinco continentes. Já temos várias entrevistas em carteira que vamos publicando à média de uma por semana.

Desta vez vamos conhecer a história de Miguel e Tânia Mendes.

Miguel Mendes tem 44 anos e há nove anos saiu de Tomar com a sua mulher, Tânia. Emigrou para a Suíça onde trabalha numa multinacional japonesa na área da informática, com sede em Zurique.

Tomar na Rede – Como surgiu a oportunidade de emigrar?

Miguel Mendes – Foi há nove anos. Em conjunto com a minha esposa tomámos a decisão de partir. Após o falecimento do nosso filho em 2010, período muito difícil, eu e a minha esposa sentimos necessidade de partir e recomeçar. A decisão de vir para este País (Suíça) prendeu-se com o facto de a minha irmã viver em Genebra o que facilitou essa decisão.

– Quanto tempo contam ficar na Suíça?

Para já ainda não tomámos a decisão de quando regressar. Assim como a decisão de vir foi tomada rapidamente, a decisão de voltar poderá igualmente ser… as saudades são mais que muitas.

 – Qual a sua atividade profissional aí na Suíça?

Trabalho numa multinacional Japonesa – Kyocera Document Solutions fabricante de impressoras, multifunções e software, sou o responsável pelas vendas diretas (Account Manager) na parte francesa da Suíça.

– Como foi a adaptação na Suíça?

O primeiro ano foi bastante difícil, depois as coisas foram melhorando e, tal como animais de hábitos, estamos completamente adaptados.

– Quais as maiores dificuldades que sentiram?

Ui, foram tantas… Para começar a língua, além do português e do inglês que eu considerava serem suficientes para comunicar inicialmente, sabia o mítico “Merci” e clássico “Bonjour”, tudo o resto era uma miragem.

Depois a adaptação a uma nova realidade e a uma nova cultura: um País muito organizado mas com regras que diferem de cantão para cantão (a Suíça é uma confederação de 26 Estados (cantões)) com quatro línguas oficiais, com horários de trabalho, de abertura e fecho de comércio muito diferentes de Portugal.

– Que outras diferenças sentiram em relação a Portugal?

Tudo é diferente aqui e por isso difícil de comparar. As remunerações auferidas são superiores às de Portugal mas o custo de vida também o é. Mas a valorização profissional está bem presente e é reconhecida. Um bom profissional na sua área é muito valorizado o que é bastante agradável sobretudo para um emigrante. Como já referi, os bons profissionais podem ambicionar uma progressão na carreira e essa ambição é apreciada.

Apesar do elevado custo de vida deste País e particularmente de Genebra, as condições de vida são boas, “tudo” é pago mas o retorno desse pagamento é em concordância com o que é pago. O sistema de saúde é muito bom e rápido a rede de transportes públicos é ótima, os melhoramentos na via pública, jardins, piscinas, infraestruturas desportivas efetuados são visíveis e constantes.

E o clima?

O clima aqui é uma montanha, mas russa, durante o dia, independentemente da altura do ano em que estejamos podemos começar com sol e terminar com neve passando pela chuva e sol novamente. A cidade na maior parte das vezes é cinzenta, sendo os Invernos frios com temperaturas negativas mas muito mais suportáveis do que na nossa cidade de Tomar. Os verões são insuportavelmente quentes (30 graus aqui são muito mais difíceis de suportar do que 40 aí).

A gastronomia também é muito diferente…

A gastronomia aqui é típica de um país frio, com os pratos mais famosos a terem por base o queijo derretido ou fundido como é o caso da Raclette ou da Fondue de queijo ou queijos que acompanham com carne seca, salsichas locais e chouriço. Tudo é feito com queijo. No prato ou em aperitivo, tudo leva queijo. Mesmo para quem não aprecia todo o tipo, existem inúmeras variedades (Gruyere é o mais conhecido) que são agradáveis surpresas.

– Como é o povo suíço?

Os Suíços são por norma pessoas calmas, simpáticas e respeitadoras, não têm todos Rolex no pulso ou andam somente de Ferrari, são pessoas “normais” que simplesmente não gostam de confusão, é claro que também existem exceções, mas são poucos.

– E outros aspetos que queiram destacar da cultura helvética?

Aqui, quase toda a gente tem um animal de estimação, seja um gato ou um cão, de pequeno ou grande porte independentemente do tamanho da sua casa ou apartamento e muito importante, os cães não ladram, são muito bem educados .

A gestão imobiliária é das coisas mais difíceis de entranhar para quem chega, os proprietários raramente entram em contacto com quem quer alugar ou comprar, tudo é gerido por imobiliárias que anunciam na internet a disponibilidade das casas/apartamentos.

A partir daqui começa todo um processo que é difícil de explicar mas que para resumir, temos que criar um dossier com todos os dados que pedem, dossier este que vais ser analisado para podermos ter o direito a nos candidatarmos a um apartamento que vamos pagar.

Este processo tem de ser repetido a cada vez que nos candidatamos a um apartamento, independentemente de ser a mesma imobiliária ou não.

 – Costuma frequentar as lojas de produtos portugueses e restaurantes portugueses?

Lojas e restaurantes portuguesas existem bastantes e sempre que queremos aquele produto ou refeição que somente naqueles sítios os conseguimos encontrar, não hesitamos em fazê-lo.

 – Quantas vezes e por quanto tempo vêm a Portugal?

Vamos a Portugal sempre que podemos. Vamos sempre no verão pelo menos duas semanas, no Natal quando é possível e vários fins-de semana sempre que os preços dos bilhetes são aceitáveis.

– Como se gere a saudade?

A saudade é difícil de gerir, as tecnologias hoje permitem dar a sensação que estamos mais perto de quem nos faz muita falta, família e amigos, mas não é a mesma coisa, portanto, sempre que podemos vamos aí, por vezes só um fim de semana, mas permite-nos aproveitar as boas energias que aí encontramos.

 

“Tomar na Rede” lança o desafio aos nossos emigrantes que queiram partilhar a sua experiência noutras paragens do mundo. Se quiser prestar o seu testemunho com uma entrevista, envie-nos um email para 

 

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