Opinião

O rigor dos números contra as tretas partidárias – 2

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Ao que consta por aqui, os socialistas nabantinos estarão todos satisfeitos, porque Anabela Freitas disse que votava Marcelo, e o eleitorado seguiu-a. Realmente, assim à primeira vista, foi mesmo isso que aconteceu. Todavia, dividido o concelho em dois grupos, um com as 6 freguesias do PSD e outro com as cinco dos PS, o panorama surge algo diferente. Assim, Marcelo obteve nas freguesias PS resultados bastante superiores aos conseguidos em 2016. Mais 23 pontos percentuais na Asseiceira, 18 na Madalena, 16 em Paialvo e Sabacheira, mas apenas 6 em S. João/Santa Maria.

Adicionando estas alegadas transferências de votos aos resultados conseguidos por Ana Gomes e comparado o resultado dessa soma com as percentagens obtidas por Sampaio da Nóvoa em 2016, conclui-se que afinal as tais transferências não explicam tudo. Assim, se na Asseiceira a soma das alegadas transferências com os resultados de Ana Gomes, dá uma vantagem de 31 pontos percentuais em 2021, contra 26 em 2016, nas outras quatro freguesias a coisa muda de figura. Na Madalena/Beselga a diferença é menor (apenas 29-25) e nas restantes três é mesmo negativa: 26 – 27 em Paialvo, 26 – 28 na Sabacheira e 19 – 23 em S. João/Santa Maria.

A conclusão que se pode sacar deste grupo de freguesias, lideradas por socialistas, é que, apesar da orientação de voto de Anabela Freitas, a candidatura PS obteve agora menos votos que em 2016. E quando a votação encolhe, algo não está como devia, quaisquer que sejam as eventuais desculpas.

No outro grupo de seis freguesias, cinco lideradas por social-democratas e uma por um independente próximo, os resultados divergem bastante, em relação às cinco anteriores. Há desde logo o estranho caso da Serra-Junceira em que Marcelo conseguiu menos votos que em 2016 (68,01 em 2021, 72,04 em 2016). Avulta a seguir a margem confortável de Marcelo em todas as freguesias, que chega a ultrapassar os 13 pontos percentuais em relação à média nacional, em Além da Ribeira/Pedreira e nas Olalhas.

Quanto às propaladas transferências de voto provocadas pela indicação de Anabela Freitas, só num caso, em Além da Ribeira/Pedreira, Ana Gomes conseguiria melhor que Sampaio da Nóvoa em 2016, com 29 pontos percentuais contra 22, respectivamente.

Em todos os outros cinco casos, mesmo adicionando os votos a mais conseguidos por Marcelo em 2021, ao resultado de Ana Gomes, a candidata socialista fica sempre aquém de Sampaio da Nóvoa, também socialista, em 2016, como segue: menos um ponto percentual nos Casais/Alviobeira, menos três pontos percentuais em Carregueiros, menos quatro nas Olalhas, menos oito na Serra e menos três em S. Pedro.

Como se pode constatar, social-democratas ou socialistas, em todas as freguesias o voto socialista encolheu. Com ou sem transferências. É óbvio que presidenciais não são autárquicas. Mas é também evidente que o país é o mesmo, os problemas são os mesmos, os partidos são os mesmos e os eleitores também.

Estes são os factos. Se agradam ou não, e a quem agradam ou desagradam, isso são já outras questões.

                                                António Rebelo

 

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