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Os tomarenses passaram-se dos carretos?

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Assim à primeira vista, a 7 mil quilómetros a sudoeste, parece-me bem que sim. Vejamos.

É bem conhecida a situação trágica que se vive em Tomar, desde muito antes da pandemia. Só não vê quem não quer. Muito resumidamente, o concelho perde população como nunca antes, perde empregos, e inevitavelmente perde peso político. Praticamente já não conta. Agora é Ourém que lidera o norte do distrito. E não se vislumbram dias melhores. Pelo contrário.

Perante tão negro quadro, que fazem os tomarenses, que em princípio deviam pensar um bocadinho, quanto mais não fosse na decorrência das funções que ocupam? Julgo que atazanados pelas duas crises – a tomarense e a do covid 19 – andam a dormir mal e já entraram em roda livre. Estão em “burnout”, como agora se costuma dizer, para dar a entender que se domina bem o inglês falado nos USA. Mais um logro.

Fortemente stressados portanto, os nabantinos vão-se transformando paulatinamente em especialistas no desvio da água do capote. Já não lhes basta apodar de má-língua quem quer que ouse criticá-los. Decerto por terem concluído que a mentira se foi tornando demasiado evidente, pelo que se tornou contraproducente. Vai daí, foram forçados a mudar de táctica. Vão descobrindo temas que julgam capazes de ir distraindo a atenção dos cidadãos, algo muito importante à medida que se aproximam as próximas autárquicas.

Temos assim direito a situações que involuntariamente roçam o caricato. Em vez de se empenharem no debate público, para a busca de soluções para a avassaladora crise local e nacional, viram-se para questões de lana caprina.

Esta semana tivemos direito, por exemplo, à abertura de um serviço municipal dedicado à violência doméstica, inaugurado por duas senhoras autarcas que por acaso até vivem desemparceiradas. Noutra ocasião, a  srª presidente da câmara mostrou-se receptiva à discussão de novas obras para ornamentar, naquela rotunda das raparigas enferrujadas, com os tabuleiros à cabeça. Isto na sequência de um reparo da vereadora Célia Bonet do PSD. Caso as obras venham a avançar, serão as quintas, em menos de 30 anos. A apregoada fartura europeia em conjunto com a pobreza de espírito local, dá nisto.

Como se não bastasse, e a mostrar que o trauma tomarense é geral, cá fora, numa outra casa em acentuada decadência – o Polítécnico de Tomar – os srs. Professores – donos daquilo também enveredaram pelo acessório (ou até supérfluo e impróprio), em vez de debaterem o essencial – uma saída para a aguda crise. Engalfinharam-se numa questão infantil sobre tratamento social.

Tudo porque um administrador daquela académica casa resolveu endereçar aos senhores professores doutores, e aos que nessa conta se têm, uma mensagem onde os trata por “colegas”. Juro que é mesmo verdade.

Pergunto, para não alargar: – Com gente assim aos comandos, para onde vais Tomar?

  • Para lado nenhum, porque insistem em cortar-me as pernas, como têm feito a tantos nabantinos. O poder cega.

                                  António Rebelo

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28 comentários

  1. É mesmo… Sai de Tomar faz 11 anos, e conheci outro mundo por assim dizer, uma boa parte de que lidera Tomar sempre foi e seguem a ser uns impertigados com mesquinhices e a mania que são superiores aos outros, achando que não precisam de mais ninguém… Quando regresso de férias, muitos amigos dizem: desde que saíste de Tomar tens uma mente mais aberta e mais acessível.. ora lá está também eu achava que era alguém, fiquei grata por essa lição de humildade, e passados estes anos tenho saudades da família, alguns amigos mas não desejo voltar a viver em Tomar exatamente por todos esses aspectos que mencionou…. Enfim…. existem bons tomarenses com boas ideias mas nem lhes dão hipótese….

  2. O Antonio Rebelo encarna o bom samaritano…ou então, acredita que agua mole em pedra dura…
    Certo é que o que escreve, quando não a “desvalorizar os nabantinos que sacodem agua do capote”, está carregado de razão, e de visão.
    Só não entende, quem, por razões partidarias ou outras inconfessas, não quer parar para pensar, ou nem sequer é capaz disso…
    E A. Rebelo até aponta caminhos, e vias de solução.
    Mas não, aparentemente, quem podia e ganharia em atentar no que ele escreve, não se dá a esse incomodo.
    Ou não é humilde bastante para tanto.
    E esta questão nem tem fronteiras partidarias, pois que há anos que A. Rebelo alerta ou denuncia. Passam os laranjas e passam os rosas, e todos são superiores às criticas.
    Já sabem tudo, e não ignoram nada.
    Pobre terra, pobres nabantinos, cada vez menos e mais velhos….
    É pena, muita pena.

  3. Concordo com a sua opinião. Infelizmente é verdade… Para alguém que ainda esta na casa dos 20, é triste ver que todos os meus amigos de escola saíram de Tomar. Inclusive os pais deles que venderam tudo e muitos deles mudaram se para Leiria.
    Em breve será a minha vez. Infelizmente.
    Não se trata só de uma questão de política ou partidos. Trata-se de uma questão de inteligência, de bom senso, e imensa falta de amor próprio, principalmente para com os tomarenses.
    Trata-se de querer lutar pelo concelho, pelas pessoas que lhes deram os cargos que têm hoje. É uma responsabilidade que deve ser desempenhada com respeito.
    Infelizmente temos presidentes e em especial vice-presidentes que não tem nada disso. Agarram se a maçonaria.
    Vamos todos admitir… Tomar, já não é o que era, acabou. Não há condições sócio-económicas para se continuar a viver aqui.Está totalmente estagnado. Não vale a pena continuar a investir numa falásia. Mesmo quando os jovens querem lutar para ajudar… Simplesmente não dão oportunidades….
    É preciso novas ideias, novos rumos, novas pessoas, nova estratégias, estratégias e médio, longo prazo.
    É preciso uma nova Tomar.

  4. Concordo, as coisas já não estavam bem antes do executivo Anabela vir para o poder. Mas com esta câmara, as coisas pioram em muito. Não preservam nada em Tomar. Nem empregos, nem serviços nem comércio. Ela nem gerir uma empresa de água consegue quanto mais um município.

  5. Pois…. mas assim é que não chegamos lá! Quando os filhos da casa falam mal.
    Sou Tomarense de nascimento, fui criança para Lisboa, tenho casa em Tomar, pago os meus impostos. Mas quando vou a Tomar só o cheiro da minha aldeia me dá forças para voltar ao trabalho, tal como os meus filhos e familiares. Amo a minha cidade e sinto-me bem aí. Só quem está longe ama o que é seu. Amem Tomar por favor!!!!!!!

    1. A srª dª Maria Santos vai decerto desculpar-me, pois somos ambos tomarenses e, pelo que acabo de ler, ambos adoramos Tomar. O problema é que a srª parece ignorar aquele velho dito popular, segundo o qual quem muito ama muito castiga. Exactamente aquilo que julgo fazer.
      A srª discorda e está no seu direito. Ainda existe felizmente em Portugal liberdade de pensamento e de expressão. Só que não posso de modo algum concordar com a srª, ao escrever “Quando os filhos da casa falam mal” Felizmente nunca padeci de tal problema. Sempre falei e falo de forma clara, tal como a generalidade dos meus conterrâneos. A diferença fundamental é que eu digo coisas menos agradáveis, porque ouso escrever frontalmente aquilo que penso. Pior ainda, ao contrário da sua opinião, considero que ASSIM, CRITICANDO SEM PANINHOS QUENTES, É QUE CHEGAMOS LÁ! Só não sei ainda é quando.
      Está demonstrado que calados é que não vamos a lado algum. Em tempos, o calado foi a LIsboa e veio, sem pagar bilhete. Mas isso foi no século passado, quando o fumo e o calor das máquinas a vapor por vezes escondiam alguns passageiros. Sobretudo quando os revisores e maquinistas andavam sempre com sede.

  6. Tem toda a razão. Mas tal como o Sr., alguns tomarenses têm alertado para a degradação de Tomar. Acontece que a grande maioria dos cidadãos tem mostrado estar satisfeito. O convento e os tabuleiros parece serem motivo suficiente para o contentamento local. Quanto ao partir as pernas, não se entende o sentido. Não está a milhares de Km daqui?

    1. Respondo-lhe com muito gosto e consideração.
      Sei bem que alguns tomarenses, entre os quais o sr., têm alertado para a degradação de Tomar. Entendo, porém que “todos não seremos demais” para tentar acordar os tomarenses. Que creio estarem apenas conformados. Alapados mas não contentes. Inquietos mas por enquanto dormentes.
      Falei em partir as pernas porque se tratar de uma especialidade tomarense muito praticada por quase todos os que detêm algum poder de decisão. Em sentido figurado, bem entendido. Eu próprio fui dela vítima em tempos idos. Tanto antes como depois de emigrar para França, nos anos 60 do século passado, após ter cumprido o serviço militar, designadamente no norte de Angola.
      Já bem mais tarde, um dos sócios da empresa que edita um semanário local perguntou-me se eu queria ser director do dito periódico. Obtido o meu acordo, deu o dito por não dito, com esta frase em “tomarensês”: “Afinal tu não podes ser director do jornal, porque não és bem-nascido.”
      O facto de estar a milhares de kms daí, nem sempre me livra do purgatório burocrático local, um dos grandes obstáculos ao investimento produtivo.
      De resto, se fizer o favor de voltar a ler o meu texto, concluirá que essa de partir as pernas é uma figura de estilo, uma prosopopeia. É Tomar que fala. Não o autor.

  7. Os elementos desta Câmara temos que reconhecer tem tido o mérito de serem coerentes, onde tocam estragam .Começaram por esquecer que o concelho não é só a
    Cidade ,depois fizeram como as criaturas porcas que escondem o lixo ,estes escodem o lixo da entrada
    Da cidade nos bairros e quem lá vive que suporte esse
    Lixo que eles não querem que turistas vejam.

  8. Seja bem aparecido sr. Rebelo! Quando voltar cá a Tomar vai ficar espantado com o resultado das magníficas obras de cá. Também lhe conto que este ano estão a entrar mais estudantes no politécnico. E como o maior ajuntamento que temos é a feira semanal, até a pandemia está controlada. Vive-se bem cá na Vila!

  9. Boa tarde!
    Concordo inteiramente com as críticas feitas pelo Senhor Professor António Rebelo à Autarquia, que, entre outras ações e omissões, há poucos anos, autorizou que, mesmo em frente à zona residencial da Rua Dr Lopo Dias de Sousa, junto à PSP, em pleno lugar de estacionamento, assassem um porco para uma festa de abertura de loja! O cheiro foi nauseabundo e o cenário hediondo, sobretudo com crianças em casa!! De nada valeu apresentar queixa…
    Caríssimo Sr Professor, corroboro ainda o seu sábio discurso, pois, também na qualidade de docente (por coincidência, de Português) sinto que querem “cortar-me as pernas”; quando faço valer o meu entendimento (sempre fundamentado) sobre determinadas matérias, não me dão ouvidos, uma vez que, hoje em dia, tudo parece ser permitido…
    Cristina Henriques

  10. Boa noite e lamentavelmente passados 50 anos vejo um TOMAR triste.
    Não sou nabantino mas tenho raízes e habitação ainda dos meus avós.
    Freguesia da serra.
    A ultima presidência e ainda atual é da maior végonha possível.
    A cerca de 1 ano sem luz em caminho que pago esgotos e saneamentos sem os ter.
    O que dizer.
    VERGONHA

    Á cidade está descalça e triste.

    É o governo que temos.

    Cumprimentos

    Carlos Ribeiro

    1. Meu caro (ou minha cara) leitor(a):
      A discordância é livre, mas os factos são o que são. O Verbo atazanar, que eu usei, está registado nos dicionários de português, como teve a ocasião de verificar. O seu reparo deixou portanto de ter qualquer base factual.
      Felizmente há quem discorde de quase tudo, pois vivemos em democracia.

  11. “Desemparceiradas”???
    Sexista ou simplesmente retrógrado. Desejosos da elite cultural de direita, lambendo as botas dos sucessivos presidentes que por cá passaram. Recordo os magotes em frente ao Cine-teatro rodeando António Paiva como abelhas desesperadas por um pouco de néctar. Saudades?… infelizmente mais cedo ou mais tarde vão conseguir. É tanto o vosso esforço…Vergonha!

    1. Nem uma coisa nem outra, caro sr. Rodrigues. Nem sexista, nem retrógrado. Apenas realista e explícito. Esclarecedor, se prefere. Usei deliberadamente o termo que o parece incomodar, DESEMPARCEIRADAS, para realçar uma situação comum, pelo menos a nível europeu. Os movimentos feministas e afins, como este contra a violência doméstica, são sempre liderados e impulsionados por elementos femininos que já tiveram, mas deixaram de ter, parceiro/a permanente. O que se compreende.
      O que procurei dar a entender é simples: Os autarcas devem gerir capazmente as entidades a que se candidataram e para as quais foram eleitos. Não me consta que eventuais acções ou movimentos contra a violência doméstica integrem o quadro das atribuições de um município como Tomar.
      Se estou enganado, agradeço que me facultem os respectivos textos oficiais. Sem esquecerem que uma Câmara municipal não é, de forma alguma, um daqueles antigos albergues espanhóis, onde cada hóspede, além do abrigo coberto, só dispunha daquilo que para lá levava.

  12. Meu caro (ou minha cara) leitor(a):
    A discordância é livre, mas os factos são o que são. O Verbo atazanar, que eu usei, está registado nos dicionários de português, como teve a ocasião de verificar. O seu reparo deixou portanto de ter qualquer base factual.
    Felizmente há quem discorde de quase tudo, pois vivemos em democracia.

  13. Podíamos aqui inumerar um leque de desvaneios como este deste executivo.
    Pior mesmo é quando esses mesmos desvaneios ocupam mais de meia página de uma comunicação social muito parcial, que turva ainda mais a mente de muitos Tomarenses moribundos que por aqui habitam.
    Vai o tal gabinete querer sobrepor-se aos órgãos de polícia criminal e às autoridades judiciais!?
    É claro que não, nem tem conhecimento nem competências para tal, mas será certamente um bom atelier de “corte e costura”.

  14. Saúdo António Rebelo pela participação mais intensa nas coisas de Tomar, apesar de não o conhecer pessoalmente e de ter ficado sem perceber se regressou ou se se mantém no Brasil, como parece do que ficou agora publicado.
    Admiro a franqueza dos textos e quando quero reconstituir algum assunto da história recente do Concelho ainda me socorro do “Tomar a Dianteira”.
    Eu também penso que o que acontece em Tomar não é uma fatalidade e que existem alternativas para se fazerem coisas diferentes. Tenho vindo a exprimir essa perspetiva numa página d’ O Templário que a Isabel Miliciano me tem emprestado semanalmente.
    Para mim, o enfoque é em 3 questões:
    – O problema de Tomar é político?
    Penso que não é só. É também económico, social, de planeamento nacional, de infraestruturas e até de educação e cultura.
    Mas a resolução, a melhoria da situação, sim é essencialmente política.
    – Existe política para além dos partidos?
    Infelizmente acho que não, pelo menos de uma forma estruturada e consequente. Daí que seja fundamental uma atitude de exigência perante as organizações políticas. Elas estão lá para ser criticadas, só assim podem melhorar.
    – E os cidadãos o que podem fazer?
    A resposta é só uma: participar. Participar como puderem (ou quiserem, ou os deixarem).
    Não é a única maneira, mas escrever é uma forma de participação.
    Por isso, António Rebelo, gostava de o poder chamar de “colega”.

  15. É com muito gosto que começo por saudar o conterrâneo Fernando Caldas Vieira, cujos belíssimos comentários semanais n’O Templário tenho podido saborear. Procurando responder à dúvida inicial, desde 2016 que passo a maior parte do ano no Brasil. Este ano, devido às consequências da pandemia, só estive 5 semanas em Tomar, de onde regressei a meio de Outubro.
    Tenciono continuar por aqui, num exílio voluntário, sobretudo por questões climáticas. Aqui em Fortaleza a temperatura é praticamente constante ao longo de todo ano, enquanto em Tomar o clima invernoso é demasiado agreste para os ossos e as articulações. Recordações das noites ao relento e à chuva, durante a guerra em Angola.
    Deixo para melhor oportunidade o eventual debate sobre as questões pertinentes que coloca. No meu pobre entendimento, é prioritário proceder de forma a que os residentes na cidade e no concelho tenham finalmente a coragem de fazer aquilo que Lopes Graça incitou os portugueses a ousar: Acordai!!! Acordem! escrevo eu, que todavia nunca fui nem sou do PC ou lá próximo.
    Como é que isso se consegue, ter os tomarenses a debater serenamente os problemas da nossa terra? Bem gostaria eu de saber. Mas vou continuar a proceder por tentativas.

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