Opinião

O desânimo tomarense e o exemplo dos Açores

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Foi uma consequência da pandemia. A TAP suspendeu os voos Fortaleza -Lisboa, de forma que estive praticamente um ano fora de Tomar. No regresso, notei um ambiente humano algo estranho. Em geral, pelo menos na cidade, as pessoas mostraram-se temerosas, inquietas, tristes e desanimadas. Notei também gente que parecia alegre e despreocupada, mas na realidade, lá bem no fundo, preocupada com o que aí vem, quer se queira ou não.

Os conterrâneos com quem privei mais de perto confirmaram a minha primeira impressão. Nota-se uma desesperança, uma espécie de mal estar, de náusea, quando se aborda a situação local. E quando se fala abertamente de política, pior ainda.

Uma personalidade local, bem conhecida e com Mundo, avançou mesmo que já não acredita na evolução do actual quadro político. Tanto a nível local como nacional. Falou de rotura inevitável a médio-longo prazo, possivelmente com soluções autoritárias.

Neste sombrio quadro nabantino, as eleições regionais nos Açores apresentam-se como um exemplo a estudar com atenção, enquanto ainda é tempo. Particularmente em Tomar, conhecidas que são as afinidades entre ambas as populações.

Quais foram as grandes tendências nos Açores?

A – Ao fim de 24 anos de reinado, o PS perdeu a maioria absoluta. Coisa difícil num universo de eleitores assistidos de alguma maneira

B – Nem sequer há hipótese de geringonça de esquerda.

C – Maioria absoluta de centro+direita (PSD-CDS-PPM-PAN-IL-CHEGA)

D – Desaparecimento da CDU

E – Parlamento regional antes com 3 formações e agora com 6 partidos, apesar da derrota da CDU.

F – CHEGA aceita integrar governo de coligação, mas exige redução para metade dos beneficiários de rendimento mínimo, com obrigação de trabalharem para a comunidade, como contrapartida.

Perante isto, convém que os tomarenses, sobretudo os que ainda se interessam pela política local, ou dela vivem, meditem sobre o pântano local.

1 – No primeiro mandato, em 2013, os socialistas venceram por menos de 400 votos, num universo eleitoral de 35 mil.

2 – No 2º mandato, a eutanásia dos IpT possibilitou uma hábil manobra do PS, que veio a vencer com uma diferença de 1.300 votos.

E agora, em 2021, como vai ser? Haverá uma lista ampla de direita? Será cada um para si? O PSD vai continuar adormecido? A Iniciativa Liberal, o Chega e outros vão conseguir eleger autarcas?

Uma coisa me parece certa: É impossível que a população tomarense possa continuar desanimada e alheada de tudo, numa espécie de catalepsia proporcionada pela actual política socialista, sem graves consequências para o futuro de todos nós. Por isso, é urgente fazer algo. Mexer-se. Parar é morrer um pouco. E nós estamos de facto parados há anos, embora a alguns não pareça, porque lhes convém.

                                    António Rebelo

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9 comentários

    1. Evita de esconder-se por detrás do Z. Creio saber de quem se trata. Se não erro, as suas iniciais são MGB. Acertei? Estou enganado? Pronto, de qualquer modo ficamos assim, se não se importa: Quando tiver vagar, uma vez que exerce uma profissão liberal, explique publicamente, de preferência neste blogue, a relação entre o meu comentário e o presidente Bolsonaro. Pode ser?
      Agradeço-lhe muito sinceramente desde já.

      1. O Rui Pinto com facilidade consegue descobrir quem não se identifica com o nome nos comentários (anonimato que não é, aliás, contraordenação nem crime). Através da estrutura da PIDE já não é fácil obter essa ajuda por extinção da entidade. Acha que sabe quem eu sou mas está errado.
        .
        “Notámos imenso a falta. Como pode o Bolsonaro passar sem o senhor comentador?”
        Não fiz comentário ao seu texto mas sim uma piada com a sua ausência informada de um ano do território nacional. Confesso que não tinha dado pela falta. Por outro lado não o ofendi.
        Bolsonaro aparece, em exclusivo, porque é fonte rica de matéria para comentários (como Trump ou Ventura). Não ofendi VE – mas a sua reação foi muito pitoresca.

        Não se incomode que este Z não o vai incomodar! PONTO.

        1. Pois, realmente a minha reacção terá sido muito pitoresca, na sua douta opinião, que não contesto. Peço contudo licença para explicitar que também não ofendi, nem procurei ofender. Tão pouco referi que usar pseudo seja crime ou contraordenação. O que por vezes se escreve sob pseudo é que o pode ser.
          A sua explicação sobre a alusão a Bolsonaro parece-me um bocado atabalhoada. Ou estarei a ver mal? Se for o caso, corrija-me, por obséquio. A título meramente recordatório, aproveito o ensejo para lembrar que resido no Ceará, um dos 27 estados federais brasileiros, maior que Portugal e com 6,5 milhões de habitantes, entre os quais muitos ameríndios, repartidos em cerca de 50 tribos. O Ceará é governado por Camilo Santana, do PT (partido do Lula), que dispõe de confortável maioria no parlamento estadual. Estamos agora em campanha eleitoral, para eleições em Novembro. Há 11 candidatos ao cargo.
          As relações entre o governador do Estado e o presidente Bolsonaro são tão boas que, aquando de uma recente visita deste ao Ceará, para uma inauguração, Camilo Santana não compareceu, nem sequer para apresentar cumprimentos de boas vindas…
          Termino reconhecendo um lapso do qual aqui me penitencio. Realmente as suas iniciais não são MGB, mas sim AGB. O A corresponde a António, o G a Gomes, e assim sucessivamente. Fica a correcção.
          Faça favor de continuar a comentar, se assim o entender, que não incomoda absolutamente nada. Pelo contrário.

  1. Quer se goste do estilo, quer não, quer se goste do autor, quer não, certo é que tem frontalidade de formular e de lançar questões incomodas, e de pertinência absoluta.
    E termina este seu desabafo com uma questão nuclear: que consequências resultam para “o futuro de todos nós”, da situação social, económica e politica em que está a Cidade e o Concelho?

    Parte da População a envelhecer, parte da População a sair para assegurar a subsistência, parte da População adormecida, a contemplar.

    Ausência de investimento produtivo, ausência de criação de emprego, ausência de novos polos de criação de riqueza. Ausência de politica de atração de Empresas.
    Inexistência de politica habitacional, inexistência de medidas e de mecanismos de atração de população, inexistência de medidas para encorajar o rejuvenescimento da população.

    Inexistência de ligações funcionais e vocacionais ativas entre o Instituto Politécnico, uma restea de esperança que ainda existe, e a Cidade.
    Inexistência de cooperação efetiva entre o Património da Humanidade que é o Convento de Cristo e a Cidade.
    Não valorização e desperdicio de todo o Patrimonio monumental que poderia beneficiar Tomar e a população de Tomar, e a atividade economica e cultural.

    Ausência de Ideias, de Rumos, de Dinâmicas, em quem tem a responsabilidade de as ter, e de conduzir a Cidade e o Concelho para um Futuro promissor.
    A Câmara Municipal.
    A sua ação tem estado limitada à de uma simples Divisão de obras e reparações, animadas por episodios de animação, uns a mastigar, outros a cantar e a dançar.
    Que tem isto a ver com o Bolsonaro?

  2. Certamente por razões técnicas um comentário não foi publicado. Também não há paciência para o reescrever. Em breve, fica a surpresa pela defesa desse “farol” ser constituído por tal amálgama de partidos acoreanos e ser uma possível alternativa.

  3. Infelizmente para mudar algo em Tomar, tem de se andar a passar graxa a muita gente. Caso contrário nunca te deixam mostrar o teu valor. Convém a quem lá está manter tudo sobre o seu controlo.
    Mais triste é quando olho para o meu tempo no liceu que não foi há muito tempo,( porque tenho 28 anos) … E todos os colegas foram embora… Um dia, cruzei me com uma grande amiga… É ela disse me simplesmente… Eu sai, estou em Espanha, os mais pais vão vender tudo e mudar se para Leiria, aquilo agora está bem dinâmico, só cá venho para ver a minha avó uma ou duas vezes por ano… “… Infelizmente é este o destino que já se vive em Tomar. A minha própria família já pensa em sair de Tomar…
    Por favor… Há anos que estamos parados… E parar é morrer…
    Vamos lá… Pensar mesmo nisso.

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