Iludidos pelas aparências

A degradação económica da cidade, aqui refletida pela degradação comercial. Algo que vai continuar devido à aposta no turismo e na cultura, atividades em colapso.
O comentário acima, a propósito de duas fotos da montra da falida Gráfica de Tomar, publicadas neste blogue, não deve passar sem um comentário. Por dois motivos. Desde logo porque, ao contrário do que se afirma, não é de todo verdade que o turismo e a cultura sejam actividades em colapso. Pelo contrário. São as que mais crescem na Europa e no Mundo, quando não há pandemia. Depois, porque o João Agulha -ao que se julga pessoa com elevada bagagem universitária- se deixou iludir pelas aparências, tal com tem acontecido com os eleitores tomarenses.
Num caso como no outro, ambos, o João Agulha e o eleitorado, assumem como realidade o que afinal mais não é que uma ilusão de ótica. Uma miragem, num deserto sem obras. A autarquia proclamou, porém nada fez.
Quanto ao eleitorado, seria fastidioso estar agora aqui a explicar, e demonstrar com exemplos, o que levou a que, desde o 25 de Abril, nunca tenhamos tido em Tomar um presidente de câmara à altura das circunstâncias. Com as notáveis exceções de Amândio Murta e António Paiva, que foram apenas medianos e cometeram bastantes erros, diz quem sabe.
Já o caso Agulha é mais grave, por agir de boa fé e por ter gabarito académico. Pois senhor Agulha, faça o favor de retirar os seus óculos ideológicos e de ver as coisas como elas são de verdade.
Ao contrário do que repetidamente afirma, a actual maioria autárquica, e mesmo a anterior, nunca apostaram no turismo nem na cultura. Limitaram-se a anunciar que iam apostar, o que é bem diferente. E pouco ou nada fizeram para justificar essa dita aposta. Por isso estamos como estamos. E com tendência para piorar, embora não seja uma pandemia. Apenas mais um caso de manifesta incapacidade para as funções a que se candidataram.
De resto, estimado senhor Agulha, a não ser no turismo e na cultura, como se faz por esse país e por esse mundo fora, na sua fundamentada opinião Tomar devia apostar em quê? Na indústria espacial, uma vez que anda tudo com a cabeça no ar? Na inteligência artificial, já que a natural parece não abundar? Na agricultura biológica, dada a enorme quantidade de nabos e outros legumes, nabantinos ou metecos?
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