
Dos milhares de turistas que visitam o Convento de Cristo, apenas cerca de 13 por cento visitam os restantes monumentos da cidade. “As pessoas visitam o Convento e não vêm cá abaixo” é o comentário que se ouve junto dos operadores turísticos para explicar esta diferença.
Segundo as estatísticas de 2019, o Convento de Cristo registou 365.379 visitantes, enquanto a Sinagoga (o segundo monumento mais visitado) teve apenas 46.758 entradas.
Um dado curioso é que são mais os estrangeiros do que portugueses (cerca de 1/3) que visitam a Sinagoga, estatística que não conseguimos apurar em relação ao Convento de Cristo.
De qualquer forma, foi notório um aumento do número de turistas em Tomar durante o ano 2019, facto que foi extensivo a todo o país.
Estatística de visitantes – Ano 2019
Nº visitantes | |
Convento de Cristo | 365.379 |
Sinagoga | 46.758 |
Igreja Stª Maria do Olival | 25.810 |
Capela de Santa Iria | 19.085 |
Museu dos fósforos | 17.094 |
Posto de turismo | 16.831 |
Sinagoga – Núcleo interpretativo (1º andar) | 2.927 |
Núcleo Arte Contemporânea | 1.786 |
Casa Lopes-Graça | 1.523 |
Fonte: CC e CMT; Elaboração própria
Temos portanto que em cada 100 visitantes do Convento, só 13 é que descem à cidade. Os restantes passam por aqui como animais por vinha vindimada. Que desperdício!
Mas os turistas não têm culpa alguma. Já sabem, graças aos amigos e às redes sociais, que lá em cima como cá em baixo o acolhimento é em geral pouco simpático e nada profissional, falta estacionamento, mesmo pago, a sinalização turística não existe, os preços são elevados e escasseia a animação cultural.
Tudo isto com a divisão de turismo e cultura a agir como se tudo estivesse a correr pelo melhor. Antes da pandemia até havia idas a feiras de turismo, como a de Madrid, por exemplo “para promover Tomar”.
Promover o quê? Que planos é que têm para o futuro? Em que nichos de criação de riqueza tentam inserir Tomar?
Sabem lá o que isso é.
À cautela, há até quem vá frequentando um mestrado em Lisboa, à custa do município, pois a situação pode vir a tornar-se mais agreste a partir de Outubro 2021, e mais vale prevenir que remediar.
Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe, reza o provérbio.
São dados interessantes, que servem para documentar alguns problemas locais. Assim, por exemplo, o slogan “Tomar cidade templária” parece ser chão que já deu uvas. Santa Maria dos Olivais, panteão dos Templários, teve em 2019 muito menos visitantes que a Sinagoga.
Na mesma linha, há algo que não bate certo quando se relaciona a Festa dos Tabuleiros com o Convento de Cristo. Em 2015, ano de festa, houve mais 40 mil entradas no Convento de Cristo, em relação a 2014.
Mas em 2019, também ano de festa, o aumento de visitantes no Convento foi de apenas 16.869 em relação a 2018, ano em que se registou uma queda de 3.544 visitantes em relação a 2017.
Menos de 20 mil visitantes suplementares no Convento em ano de Tabuleiros, põe em causa dois mitos locais: O do total de forasteiros que vêm à Festa grande, e o dos Tabuleiros como grande meio de promoção do turismo em Tomar.
Conviria ir pensando nisto. Porém, como estamos em Tomar, haverá decerto assuntos mais importantes, nomeadamente as próximas feijoadas pagas pela autarquia ou pela junta, uma vez que agora os passeios e convívios não são possíveis, mas continua ser preciso comprar votos. Agora mais do que nunca. Faltam apenas 16 meses para as próximas autárquicas!