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A Diocese de Santarém criou, no dia 7, uma Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, conforme solicitado pelo Papa Francisco para tentar combater e denunciar os eventuais abusos dos clérigos.
A comissão, que inclui um juiz, duas médicas e dois padres, tem por missão “assegurar que sejam tratados com dignidade e respeito quantos afirmam que foram ofendidos, bem como as suas famílias”.
O decreto assinado pelo bispo D. José Traquina, sublinha a necessidade de oferecer “acolhimento, escuta e acompanhamento através de serviços específicos, como assistência espiritual, médica, terapêutica e psicológica”.
A comissão é criada em regime experimental e pelo prazo de três anos, com os seguintes membros: padre Aníbal Manuel Vieira, canonista, coordenador; Francisco Martins Guerra, juiz jubilado; Isabel Maria Pestana de Nápoles Sarmento Santa Marta, médica pediatra; padre João de Sousa Ramos Ramalho Ribeiro, membro do Secretariado Diocesano de Comunicação Social; Margarida Maria Lagoa Ribeiro de Almeida, médica especialista em medicina geral, com mestrado em sexologia e terapeuta familiar.
Para facilitar o acesso ao público para apresentação das eventuais, foi criado o endereço de mail e um endereço postal: Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, Praça Sá da Bandeira, Edifício do Seminário 2000-135 Santarém.
D. José Traquina sublinha que esta comissão responde à obrigação de “acolher, com generosidade, os menores e os adultos vulneráveis e criar para eles um ambiente seguro, atendendo de maneira prioritária aos seus interesses”.
O bispo de Santarém determina que ainda sejam garantidos aos acusados “o direito de serem informados e de se defenderem”, bem como a “assistência espiritual, médica, terapêutica e psicológica, consoante as necessidades, aos suspeitos de atentarem contra o sexto mandamento (“não adulterarás”), o bem-estar ou a integridade de menores ou de adultos vulneráveis”.
Em 2019, o Papa publicou a Carta Apostólica ‘Motu Proprio Vos estis lux mundi’, com disposições gerais a aplicar em caso de denúncias de abusos sexuais de menores ou de pessoas vulneráveis.
O documento determinou a criação, em todas as dioceses católica, de “um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público” para eventuais denúncias.
No distrito de Santarém o último caso conhecido de abusos aconteceu na Golegã. O padre António Santos, entretanto suspenso, foi detido em dezembro de 2013 e condenado em março de 2015 a uma pena suspensa de 14 meses de prisão por abusos sexuais de crianças.
Da agência Lusa – Diocese de Santarém cria comissão para proteção de vítimas de abusos
Ministério Público pensou acusar a hierarquia da Igreja por não ter denunciado padre