Os “coach”, os “influencers”, os gurus das “Energias do Universo”, da “Grande Luz”, da “Mãe Terra”, das “Milenares Terapias Holísticas”, dos “Yogas” que tudo curam, (quem quiser que escolha um título) infelizmente estão na moda e a Net está repleta deles.
Um “coach”, um “palestrante”, como por exemplo esse grande “Mestre da Iluminação, do Saber e do Amor” como o agora falado Gustavo Santos, é um indivíduo que sabe mais do que todos os outros – mais até do que os médicos – e os pode ajudar a “curar”, a “crescer”, a “evoluir”, a resolver mil e um problemas físicos, mentais, financeiros, amorosos, a atingir a felicidade suprema, a prosperidade, a saúde plena, coisa que o cidadão comum, por ser limitado e pouco inteligente (!), por si só não consegue.
Estou doente, mas se fosse a uma das suas palestras pediria o microfone e diria para ele e todo o auditório:
– “Gustavo, meu irmão, salva-me do cancro que tenho há 15 anos e já me disseram os médicos que “é para a vida”. Ajuda-me, meu bondoso e santo homem, com os teus poderes sobrenaturais, a tua “Luz”, o teu “Despertar”. Salva-me, pois já disseste num programa televisivo que as pessoas é que escolhem ter cancro e só tem cancro quem quer! Salva-me lá, meu irmão!”
Um “coach” – ou outros nomes que as modas vão ditando para dar um ar inovador à coisa, perdão, à aldrabice – normalmente tem solução para tudo, e tudo apresenta como fácil.
No fundo é tudo uma questão de “mentalização”, de “meditação”, de “energias” (seja lá isso o que for), e de repente uma pessoa compra um livro (ou mais) ou faz uns “retiros” (retiram-lhe é o dinheiro da conta!) e num mês a sua vida muda radicalmente, transformando-se num mar de sucesso e felicidade!
Há muita ignorância no mundo. As pessoas é que são estúpidas e não sabem nada. Gurus do Saber como o Gustavo, esses sim, têm a Verdade, o poder de curar os outros. Deviam beijar-lhes os pés. Deus Nosso Senhor te dê o que mereças, Gustavo (e há de dar!), e a todos os outros que altruisticamente nos querem livrar dos nossos sofrimentos existenciais sem nunca quererem receber nada em troca.
F. S.

