Os preços dos combustíveis deverão voltar a subir de forma expressiva na próxima semana, entre 20 e 26 de julho. Segundo as previsões divulgadas pelo Contas Poupança, considerado um dos principais sites de referência em Portugal no acompanhamento semanal da evolução dos preços dos combustíveis, o gasóleo simples poderá aumentar cerca de 13,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples deverá subir aproximadamente 6,5 cêntimos.
Se as previsões se confirmarem, o preço médio do gasóleo simples poderá aproximar-se dos 1,99 euros por litro, enquanto a gasolina simples poderá ficar perto dos 1,98 euros por litro.
Trata-se de uma subida com impacto direto nos orçamentos das famílias e das empresas, sobretudo numa região como o Médio Tejo, onde muitas pessoas dependem diariamente do automóvel para trabalhar, estudar, aceder a serviços de saúde ou assegurar deslocações entre concelhos.
Gasóleo pode subir 13,5 cêntimos por litro
De acordo com as previsões divulgadas para a próxima semana, o gasóleo simples deverá registar a subida mais acentuada, com um aumento estimado de 13,5 cêntimos por litro.
Já a gasolina simples deverá aumentar cerca de 6,5 cêntimos por litro.
Estes valores representam uma alteração muito significativa de uma semana para a outra, sobretudo no caso do gasóleo, que continua a ser o combustível mais utilizado por muitos automobilistas, empresas de transporte, agricultores e profissionais que dependem da estrada.
Quanto poderá custar encher um depósito?
Num depósito de 50 litros, uma subida de 13,5 cêntimos por litro representa um agravamento de cerca de 6,75 euros.
No caso da gasolina, um aumento de 6,5 cêntimos por litro significa que um depósito de 50 litros poderá ficar aproximadamente 3,25 euros mais caro.
Para quem abastece várias vezes por mês, o impacto acumulado pode tornar-se relevante, especialmente num contexto em que os preços dos alimentos, da habitação, da energia e de outros serviços continuam a pressionar os orçamentos familiares.
Porque estão os combustíveis a subir?
O preço dos combustíveis nas bombas não depende apenas da cotação do petróleo bruto.
O valor final pago pelos consumidores resulta de vários fatores, incluindo:
- A cotação internacional do petróleo Brent;
- O preço dos produtos refinados nos mercados internacionais;
- A taxa de câmbio entre o euro e o dólar;
- Os custos de transporte, armazenamento e distribuição;
- As margens das empresas do setor;
- O Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos;
- O IVA aplicado sobre o preço final.
Por esse motivo, uma descida do preço do petróleo não se traduz necessariamente numa redução imediata e proporcional do preço dos combustíveis nas bombas.
Da mesma forma, movimentos nos mercados dos produtos refinados, alterações cambiais ou aumentos dos custos de distribuição podem provocar subidas mesmo quando o barril de petróleo não regista uma valorização equivalente.
O que está a acontecer ao preço do barril de Brent?
O Brent é a principal referência utilizada na Europa para acompanhar a evolução do preço do petróleo.
Nas últimas semanas, o preço do barril registou oscilações associadas à instabilidade internacional, às perspetivas sobre a produção dos países exportadores de petróleo, à procura mundial e às tensões geopolíticas.
Apesar de o Brent se encontrar abaixo de alguns dos máximos registados durante períodos de maior tensão, o preço dos combustíveis refinados continua a apresentar forte volatilidade.
Esta diferença é importante porque as gasolineiras não compram diretamente um barril de petróleo para o vender ao consumidor. O petróleo tem primeiro de ser refinado, transformado em gasóleo ou gasolina, transportado e distribuído.
Assim, a cotação do Brent é apenas uma das componentes utilizadas para explicar a evolução dos preços.
Consumidores questionam rapidez das subidas
Sempre que é anunciada uma subida expressiva dos combustíveis, volta a surgir uma questão entre os consumidores: porque é que os aumentos parecem chegar rapidamente às bombas, enquanto as descidas demoram mais tempo a refletir-se nos preços?
O setor justifica esta diferença com os ciclos de compra, a evolução dos produtos refinados, os contratos de fornecimento, a taxa de câmbio e os custos acumulados ao longo da cadeia de distribuição.
No entanto, a falta de informação clara e acessível sobre a formação do preço final continua a alimentar dúvidas e desconfiança entre os consumidores.
Governo quer preços mais transparentes
A nova subida acontece depois de, durante a última semana, terem surgido notícias sobre a intenção do Governo de reforçar a transparência na comercialização dos combustíveis.
Entre as medidas discutidas encontra-se a possibilidade de afixação de preços de referência, permitindo aos consumidores comparar mais facilmente os valores praticados pelos postos de abastecimento.
O objetivo será reduzir a falta de informação, facilitar a comparação de preços e pressionar o mercado para uma maior concorrência.
A eventual afixação de preços de referência não significa, no entanto, que o Governo vá fixar administrativamente o preço dos combustíveis.
Uma coisa é estabelecer um valor máximo obrigatório. Outra, diferente, é divulgar preços médios, preços de referência ou valores comparativos que ajudem os consumidores a perceber se determinado posto está a praticar um preço acima ou abaixo da média.
Afixação de preços resolve o problema?
A maior transparência pode ajudar os consumidores a tomar decisões mais informadas, mas não elimina os fatores que estão na origem das subidas.
Mesmo com preços de referência, o valor final continuará dependente da evolução internacional do petróleo e dos produtos refinados, dos impostos, da taxa de câmbio e das margens comerciais.
A medida poderá, ainda assim, tornar mais evidente a diferença de preços entre postos de abastecimento e incentivar os automobilistas a procurar alternativas mais económicas.
Atualmente, já existem diferenças consideráveis entre postos localizados na mesma região, sobretudo entre gasolineiras tradicionais, operadores de baixo custo e postos associados a grandes superfícies comerciais.
Fiscalidade continua a pesar no preço final
Uma parte significativa do preço pago pelos consumidores corresponde a impostos.
Sobre os combustíveis incide o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, ao qual se junta o IVA.
Nos últimos anos, os sucessivos governos têm utilizado mecanismos de compensação fiscal para tentar reduzir o impacto das subidas internacionais.
Esses mecanismos podem incluir reduções temporárias no imposto ou alterações na chamada taxa de carbono.
No entanto, quando os aumentos nos mercados internacionais são muito elevados, a redução fiscal pode não ser suficiente para impedir uma subida do preço final.
Impacto nas empresas e no custo de vida
A subida dos combustíveis não afeta apenas quem utiliza diariamente o automóvel.
O aumento do gasóleo tem impacto direto nos custos das empresas de transporte, distribuição, construção, agricultura, comércio e prestação de serviços.
Quando os custos de transporte aumentam, parte desse agravamento pode acabar por ser refletido no preço dos produtos e dos serviços.
Por essa razão, uma subida dos combustíveis pode contribuir indiretamente para um novo aumento do custo de vida.
Nas pequenas empresas, onde as margens são frequentemente reduzidas, uma subida de mais de 13 cêntimos no gasóleo pode representar um encargo significativo ao fim de várias semanas.
Regiões do interior mais penalizadas
As subidas dos combustíveis têm um impacto particularmente relevante nas regiões do interior, onde a oferta de transportes públicos é mais limitada.
Em muitos concelhos do Médio Tejo, o automóvel continua a ser essencial para as deslocações diárias.
Existem localidades sem ligações regulares de transporte público, horários reduzidos e percursos que não respondem às necessidades dos trabalhadores, estudantes e idosos.
Nestas circunstâncias, o aumento do preço dos combustíveis não representa apenas uma escolha entre utilizar ou não o automóvel. Representa um custo praticamente inevitável.
Vale a pena abastecer antes de segunda-feira?
As previsões apontam para que os novos preços entrem em vigor a partir de segunda-feira, 20 de julho.
Quem necessita de abastecer nos próximos dias poderá poupar alguns euros se o fizer antes da atualização dos preços.
No entanto, importa sublinhar que as previsões podem sofrer pequenos ajustes até ao final da semana, dependendo da evolução das cotações internacionais e das decisões comerciais de cada operador.
Os preços também variam de posto para posto, pelo que os consumidores devem comparar os valores praticados na sua área de residência ou de trabalho.
Uma subida que volta a colocar pressão sobre o Governo
A dimensão do aumento previsto deverá voltar a colocar pressão sobre o Governo para que esclareça que medidas pretende adotar.
A afixação de preços de referência pode melhorar a transparência, mas os consumidores esperam respostas concretas sobre a carga fiscal, a formação dos preços e a rapidez com que as oscilações internacionais são refletidas nas bombas.
O novo aumento ocorre numa altura particularmente sensível, em pleno verão, quando muitas famílias realizam mais deslocações e quando várias empresas aumentam a atividade associada ao turismo, à restauração, ao comércio e aos transportes.
Se a previsão se confirmar, a próxima semana ficará marcada por uma das subidas mais pesadas dos últimos meses, com o gasóleo a aproximar-se novamente da barreira psicológica dos dois euros por litro.
Para milhares de famílias e empresas, a pergunta já não é apenas quanto vai custar abastecer. É até quando será possível suportar novas subidas.

