Vivemos numa época em que tudo acontece depressa. A informação circula em segundos, as opiniões formam-se em minutos e os julgamentos fazem-se, muitas vezes, antes de existirem todos os factos. As redes sociais transformaram profundamente a forma como comunicamos, mas também a forma como fazemos política e como avaliamos quem governa.
Hoje parece existir uma pressão permanente para que cada decisão produza resultados imediatos. Exige-se uma resposta instantânea para problemas complexos, uma solução simples para desafios que levam anos a resolver e uma comunicação que caiba em poucos segundos de vídeo. A política começa, demasiadas vezes, a ser analisada com os mesmos critérios com que avaliamos um conteúdo no TikTok: se prende a atenção, se gera polémica e se conquista muitos “likes”.
Mas governar um concelho, uma região ou um país não é produzir conteúdos para redes sociais.
Quem assume responsabilidades públicas tem de pensar para lá do imediato. Tem de definir uma visão, estabelecer objetivos e construir uma estratégia capaz de produzir resultados duradouros. E isso implica, inevitavelmente, tomar decisões que nem sempre são populares no momento em que são anunciadas.
Vivemos também um tempo em que a crítica parece valer mais do que a proposta. Cresce uma política do “bota abaixo”, onde muitas vezes se dispara primeiro e se procura compreender depois. O título sensacionalista ganha ao argumento fundamentado. A indignação gera mais interação do que a reflexão. E o populismo alimenta-se precisamente desta lógica: oferecer respostas fáceis para problemas difíceis.
Naturalmente, quem governa deve prestar contas, explicar as suas decisões e aceitar o escrutínio democrático. A crítica é essencial numa sociedade livre. Mas existe uma diferença entre escrutinar e condenar antecipadamente. Entre discordar e transformar qualquer decisão numa oportunidade para gerar ruído.
Em Tomar tivemos recentemente um exemplo que merece reflexão. A aposta na renovação e crescimento da Festa Templária foi, desde o início, acompanhada por dúvidas, críticas e algum ceticismo. Houve quem questionasse opções, mudanças implementadas e até a visão para aquele que é já um dos maiores eventos do nosso concelho.
Hoje, porém, é difícil ignorar os resultados. A dimensão alcançada pela Festa Templária, a capacidade de atrair milhares de visitantes, o impacto económico no comércio local, na hotelaria e na restauração, a diversificação das atividades, a valorização do no espaço para o evento e até a introdução de um modelo de acesso pago – uma das medidas mais contestadas na altura – demonstram que uma estratégia, quando é mantida e executada com convicção, pode produzir resultados muito superiores aos que seriam alcançados através de decisões tomadas apenas para responder às críticas do momento.
Este exemplo não significa que tudo tenha sido perfeito ou que não existam aspetos a melhorar. Pelo contrário. A melhoria contínua deve fazer parte de qualquer projeto. Mas mostra que algumas decisões só podem ser avaliadas quando lhes damos tempo para produzir efeitos. Julgar uma estratégia apenas pelos primeiros dias ou semanas é, muitas vezes, condená-la antes de conhecer o seu verdadeiro impacto.
A História está repleta de exemplos de líderes que tiveram de enfrentar a impopularidade para concretizar projetos transformadores. Se tivessem governado apenas em função das sondagens, dos comentários nas redes sociais ou da polémica do dia, muitas das decisões que hoje reconhecemos como acertadas nunca teriam sido tomadas.
Talvez seja precisamente essa uma das maiores responsabilidades de quem exerce cargos públicos: saber distinguir aquilo que gera aplauso imediato daquilo que serve verdadeiramente o interesse coletivo.
Num tempo dominado pela rapidez, pela polarização e pela procura constante do próximo momento viral, vale a pena recordar que a boa política continua a exigir algo muito menos mediático, mas muito mais importante: visão, estratégia, coragem e persistência.
Porque os “likes” passam. As publicações desaparecem. As polémicas são esquecidas.
Mas as boas decisões permanecem. E são elas que, anos mais tarde, acabam por definir o futuro de um concelho e a qualidade de vida das pessoas que nele vivem.
Francisco Tavares
(Deputado municipal do CDS-PP na Assembeia Municipal de Tomar)


2 comentários
Após leitura atenta, a parte relativa ä Festa Templária foi curiosa.
Tanto sucesso que teve, com hotelaria cheia e vi tambem restaurantes cheios e com fila de espera. Tudo certo, mas….
O mas é que o municipio gastou segundo o portal dos concursos públicos mais de 200 mil euros em adjudicaçoes relativos a esta Festa.
Como sempre em Tomar, mais uma vez é o dinheiro do contribuinte a pagar …. se tanto sucesso teve porque os hoteis e a restaraçao nao assumiram parte dos custos??
Os contribuintes pagam impostos, taxas e taxinhas que o Governo transfere para os Municipios, mas para resolver os problemas do municipio e nao deveria ser para pagar Festas…querem festa paguem-na do vosso bolso.
O mesmo principio se aplica à festa dos tabuleiros…. nao é aceitável o municipio gastar mais de 1 milhao de euros, ou trazer nomes sonantes da música para espectáculos a titulo gratuito…..querem ver concertos paguem-nos…o dinheiro do contribuinte nao!!!
Isto nao é mais que uma forma encapotada de comprar votos.
O municipio tem muitos problemas para resolver no concelho e todo o dinheiro é pouco, desde o saneamento, substituiçao das condutas de agua, Tejo ambiente( autentica sugadora de dinheiro as pessoas, sem que o serviço o justifique), parque de feiras em condiçoes, máquinas e camioes em condiçoes ao serviço do municipio, captaçao de novos investimentos para novas industrias de valor acrescentado de forma a dar emprego aos jovens de Tomar que saem das faculdades, entre muitos outros.
Sem duvida que há muita coisa a mudar, mas não pdemos, nem tampouco se pode fazer tudo de uma vêz, até porque sabemos que os instalados estão sempre contra qualquer renovação, portanto vamos devagar, basta vêr como a Filpinha festarolas reagio e continua a reagir como se tivesse alguma vêz contribuidopara qualquer melhoria municipal, a não ser as borlas, sou da opinião que a festa dos tabuleiros gere receitas, mas isso dá trabalho, programação ou entregar a uma empresa que apresente um conjunto de serviços, de esploração dos eventos, e que pague á CMT, porque o problema que ninguêm fala é a mama dos funcionários da CMT a fazer horas extra e a demorar o dobro ou o triplo do tempo, claro que isto não dá votos, os funcionários camarários queixam-se que são poucos, entam vamos aliviar os meninos, e entregar isto a empresas que contribuem com os seus impostos para a comunidade, e de certeza feitas as contas ficam mais baratos, outa coisa que sou contra é a nomeação do mordomo, os tempos mudaram, na minha opinião, era aberto um concurso para mordomos, que teriam de apresentar um orçamento, onde gerar dinheiro, como fazer para que esse dinheiro aparece-se, os apois ás freguesias, ás ruas, enfim um programa em que a CMT não tivesse que intervir, pois é, mas, sabem, o papel compra um o arame compra outro, etc, tanta merda com a festa a ir para o património não sei de quê, quando a festa tudo que se faz é deitado fora, porque não há um sitiu onde guardar nada, e não há nada, no bodo se queremos alicates para cortar arame, trazemos de casa, se queremos papelcortado temos que pedir, entam nestes anos todos, os gordos do papel e outras coisas, ainda não arranjaram dinheiro para comprar uma máquina para cortar papel? mais o problema que é os gordos da festa facilitarem papel, o problema é que se continuamos assim, pudemos mandar estes gordos embora, mas vamos buscar outros, portanto a festa tem que ter uma vertente civil, isto poupa os politicos de andarem ali na saida das coroas, principalmente as politicas, como eu vi coitadas todas assadas do calor, isto é uma festa religiosa, e tem que ser independente da autarquia, mas para isso temos de ter contas transparentes, mordomos independentes, com projetos viaveis e acessorados por pessoal competente, o povo fáz o resto.