Numa iniciativa de controlo das Espécies Exóticas Invasoras, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) capturou na praia de Ortiga, em Mação, junto à Barragem de Belver, 254 siluros com peso total superior a 2,3 toneladas.
Durante a Semana sobre as Espécies Exóticas Invasoras, o ICNF, em parceria com a equipa do projeto Life Predator, realizou esta atividade no rio Tejo para combater uma praga que está a destruir as espécies autóctones no rio Tejo.
Segundo o ICNF, o Siluro “está a dizimar as populações de peixes autóctones – como o barbo-comum, a enguia e o sável – importantes para economia da bacia hidrográfica do Tejo”.
“Num estudo realizado em 2023, verificou-se que esta espécie preda 23 espécies de peixes das cerca de 30 espécies existentes no rio Tejo.O siluro é o 10º maior peixe do mundo, podendo atingir 2,8 de comprimento e 130 kgs de peso. Devido a estas características não tem predador em ecossistemas portugueses sendo uma ameaça ao seu equilíbrio natural. Portugal tem condições favoráveis à sua proliferação e crescimento “anormais”: ao fim de 14 anos um siluro pode ter 2 metros, enquanto na área nativa só o atinge aos 30 a 35 anos. Acresce a sua elevada fecundidade: 300 mil ovos por ano (máximo)”, acrescenta o ICNF.
Na pescaria na Praia da Ortiga (Belver), a jornada decorreu com pescadores profissionais e a equipa do Projeto Life-Predator assistidos por Vigilantes da Natureza do ICNF e elementos do corpo nacional de agentes florestais da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
A maior parte dos peixes capturados foi remetida a uma empresa de processamento de biomassa piscícola.
Durante a captura, foram observados todos os protocolos de bem-estar animal para evitar o sofrimento dos peixes.
Tal como o ICNF, o Projeto Life-Predator quer diminuir a expansão desta espécie no território Português, testar métodos de controlo populacional de siluro em áreas protegidas ou classificadas e avaliar a sua eficácia.

