Discurso do presidente da câmara municipal de Tomar, Tiago Carrão, na sessão solene da Assembleia Municipal comemorativa do dia da cidade – 1 de março
Caro Dr. Ricardo Carlos, Deputado à Assembleia da República,
Caro Dr. Ricardo Oliveira, Deputado à Assembleia da República,
Caro Dr. Pedro Correia, Deputado à Assembleia da República,
Caro Dr. João Tenreiro, Presidente da Assembleia Municipal de Tomar,
Caras e caros deputados da Assembleia Municipal,
Senhoras e senhores Vereadores,
Caros Presidentes de Junta de Freguesia, autarcas de Freguesia e ex-autarcas,
Caro Coronel Vítor Gomes, Comandante do Regimento de Infantaria 15,
Cara Dra. Paula Carloto, Diretora do Centro Regional da Segurança Social de Santarém,
Caro Dr. José Trincão Marques, Presidente da Câmara Municipal Torres Novas,
Dr. Miguel Pombeiro, Secretário da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo,
Sra. Dra. Susana Fontinha, Juiz Presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém,
Sr. Tenente-Coronel João Capitolino, Comandante do Estabelecimento Prisional Militar,
Sr. Major João Moderno, Comandante Posto Territorial de Tomar da Guarda Nacional Republicana
Sr. Subintendente Fernando Manuel Moreira, do Comando Distrital de Santarém da Polícia de Segurança Pública,
Sr. Subintendente Sérgio Pombo Mendes, da Divisão Policial de Tomar da Polícia de Segurança Pública,
Dr. João Coroado, Presidente do Instituto Politécnico de Tomar,
Dr. Humberto Morgado, Comandante dos Bombeiros do Município de Tomar,
Arq. Rui Serrano, Presidente da NERSANT,
Dra. Florbela Homem, Coordenadora da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
Dr. João Manata, Coordenador do Gabinete Médico-Legal e Forenses do Médio Tejo da Delegação do Centro
Caros dirigentes das associações, clubes e instituições sociais do Concelho
A todas as entidades civis, militares, forças militares e religiosas presentes,
Caros dirigentes e funcionários do Município de Tomar,
Caros membros da comunicação social,
Caras e caros tomarenses,
Quando em 1160 D. Gualdim Pais ordenou a construção do Castelo Templário nestas terras, decidiu que aqui nasceria algo maior.
Um território digno de ser defendido. Digno de ser amado.
Oitocentos e sessenta e seis anos depois, pergunto-vos: estamos à altura do legado que nos foi confiado?
Tomar não foi meramente fundada. Tomar foi escolhida.
Escolhida pelos Templários como o coração da sua Ordem, o lugar onde a pedra e a fé se tornaram uma só vontade e que a UNESCO justamente reconheceu como Património da Humanidade.
Mas D. Gualdim Pais não ergueu estas muralhas para que nos sentássemos à sua sombra.
Ergueu-as para que soubéssemos o que fazer quando a tempestade chegasse.
E a tempestade chegou com o nome Kristin.
Vimos ventos que rasgaram telhados e chuvas que invadiram o recato das nossas casas. Vimos a fúria da natureza tombar árvores centenárias.
Mas vimos, acima de tudo, a força imparável desta comunidade.
E isso, minhas senhoras e meus senhores, nenhum castelo, por mais imponente que seja, consegue construir.
Porque uma comunidade constrói-se ao longo de gerações. Reconhece-se nas horas em que seria mais fácil baixar os braços.
Naquela madrugada em que o vento uivava sobre o Nabão, não vimos fragilidade. Vimos carácter.
Vimos bombeiros que não regressaram a casa enquanto alguém precisasse.
Vimos trabalhadores municipais que responderam ao dever antes mesmo de serem chamados.
Vimos Juntas de Freguesia que fizeram da proximidade a nossa primeira linha de defesa.
Vimos vizinhos que se tornaram família nas horas difíceis.
Foi ali, no escuro da tempestade, que vimos quem somos realmente e do que somos capazes.
Somos os herdeiros dos cavaleiros que defendiam muralhas.
Mas somos, sobretudo, homens e mulheres que se defendem e apoiam uns aos outros.
É aqui que o passado nos interpela.
Se D. Gualdim Pais tivesse escolhido a prudência em vez da ousadia, nada disto existiria.
Se os que nos antecederam tivessem escolhido a resignação em vez do trabalho, Tomar seria hoje apenas memória.
Nós não podemos escolher a resignação. Nós escolhemos o futuro.
Tomar tem património, mas precisa de propósito.
Tomar tem história, mas exige estratégia.
Tomar tem identidade, mas pede execução.
Não somos um concelho com um castelo. Somos um castelo que se tornou um território.
Por isso, não estamos aqui apenas para celebrar o que fomos.
Estamos aqui para decidir o que queremos ser.
Queremos um concelho onde os jovens não sintam que partir é a única forma de vencer.
Queremos um território onde investir seja um caminho claro.
Queremos freguesias com mais competências e mais meios, porque a democracia ou é de proximidade ou não é plena.
Queremos um planeamento do território que respeite a herança dos nossos avós, mas que prepare o futuro.
Não nos move a nostalgia do que passou. Move-nos a ambição do que está por vir.
Ambição de atrair talento.
Ambição de fixar famílias.
Ambição de criar riqueza com justiça social.
A grande antítese do nosso tempo é esta: ou nos limitamos a contemplar a glória de outros séculos, ou decidimos construir o nosso próprio tempo.
Eu escolho construir.
E construir não é um exercício de retórica. É um ato de governação.
É estar presente quando é fácil.
Mas é, sobretudo, estar presente quando é difícil.
Passaram quatro meses desde que assumimos a responsabilidade de liderar este Município.
Quatro meses não fazem milagres. Mas são mais do que suficientes para imprimir um novo rumo. E a direção é clara.
Começámos por dentro. Reorganizámos processos. Exigimos mais. Coordenámos melhor. Porque sem rigor interno, a promessa externa é vã.
Fizemo-lo com respeito.
Respeito pelos trabalhadores.
Respeito pelos cidadãos.
Respeito por esta instituição maior que todos nós, o Município de Tomar.
Tomámos decisões que estavam adiadas há demasiado tempo.
Iniciámos projetos estratégicos que esta terra esperava há muito.
Fizemo-lo com rasgo e responsabilidade, a pensar em gerações, não em ciclos eleitorais. Porque as gerações têm rosto.
Penso muitas vezes nos meus filhos. Penso no dia em que caminharão sozinhos por estas ruas. Que Tomar encontrarão eles?
É por eles.
É pelos vossos filhos.
É pelos que ainda não nasceram.
Não temos o direito de falhar.
Termino com a pergunta que comecei: estaremos à altura da nossa herança?
Eu acredito que sim.
Acredito porque vi Tomar resistir à tempestade.
Conheço Tomar no trabalho do dia-a-dia.
Confio em Tomar e nos tomarenses.
Porque a grandeza da nossa terra nunca esteve apenas no passado que guardamos.
Está na audácia do futuro que não deixaremos que nos roubem. Um futuro que pertence sempre a quem é capaz de o ver antes de existir.
- Gualdim Pais olhou para uma terra vazia e viu uma Ordem que mudaria o mundo.
Nós olhamos para estes séculos de história e vemos Tomar que nasceu para liderar.
Tomar não foi fundada. Foi escolhida.
E hoje, mais do que nunca, Tomar escolhe-se a si própria.
Viva Tomar!
Tiago Carrão
Presidente da Câmara Municipal de Tomar
Tomar, 1 de março de 2026

