14 de fevereiro, dia dos namorados, era a data escolhida pelo Grupo de Amigos do Aqueduto do Convento de Cristo para a próxima ação cívica de limpeza do aqueduto, monumento dos séc. XVI e XVII localizado na freguesia de Carregueiros, Tomar.
Mais uma vez um grupo de voluntários tinha intenção de proceder à limpeza e desmatação do monumento e zona envolvente. Mas “pelas razões que todos conhecemos”, a atividade foi adiada para data a anunciar.
O Aqueduto do Convento de Cristo, em Tomar, foi construído entre 1593 e 1619, ao longo de 6 km, com o objetivo de trazer água fresca de quatro nascentes até ao Convento.
É considerada uma obra de engenharia hidráulica notável.

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Aqueduto do Convento de Cristo
Dia 14 de fevereiro mais uma Ação Cívica de Limpeza
O Aqueduto do Convento de Cristo marcou o início do ano. Na comunicação social, e desta vez também na televisão nacional, surgiram notícias de algum modo alarmantes acerca da degradação “dos Pegões”.
Não pretendendo, de qualquer modo, subestimar as chamadas de atenção para a falta de manutenção do aqueduto, entendo, no entanto, que há ainda espaço para uma certa didática cultural. De facto, o Aqueduto do Convento de Cristo não se resume “aos Pegões”.
Na verdade, o Vale dos Pegões, na freguesia de Carregueiros, concelho de Tomar, é atravessado pelo aqueduto. Este troço com cerca de 500 metros é o mais icónico, mas não é o único com relevância cultural. Nos restantes 5,5 km do seu traçado os Tomarenses, e algum público, reconhecem pelo menos a “Cadeira d’El Rei”, na Mata dos Sete Montes, onde o aqueduto outrora entregava a sua água. Também, alguns, poucos, já ouviram falar das “nascentes”, locais onde se captava a água, os quais tive oportunidade de identificar no meu último artigo.
Ora, para que não haja uma consciência errada, é importante que se reconheça a importância de todas as partes do aqueduto e que se declare publicamente que todas elas estão em risco, se não de colapso, pelo menos de forte degradação, após anos de negligência por parte do Estado Português.
A Nascente da Porta de Ferro, situada nos Brasões é, na verdade, a Mãe de Água do Aqueduto de Tomar. Aqui, não apenas é captada e armazenada a água da sua nascente, como são geridos os caudais provenientes de outras captações, procuradas mais tarde no século XVIII. A simplicidade e volumetria deste edifício contrasta com a paisagem agroflorestal que o rodeia. Trata-se de um grande edifício de planta retangular, com abóboda de volta inteira. A cobertura, outrora verosimilmente em telha, está hoje reduzida à alvenaria de lastro do teto e infestada de vegetação. A própria porta de entrada, única passagem para a sala, sustenta ainda um gradão férreo, de onde vem o nome desta nascente. Uma das suas ombreiras foi alvo de vandalismo e atirada para dentro do tanque de decantação.
Tudo isto faz perigar a construção e, convenhamos, as pessoas que visitam o edifício.
Também aqui se solicita a rápida intervenção das autoridades e o Grupo de Amigos do Aqueduto tem sido um dos arautos desta necessidade.
Em breve, no dia 14 de fevereiro, iremos fazer mais uma Ação Cívica de Limpeza, na zona dos Pegões Altos (atividade adiada), mas certamente voltaremos à “Porta de Ferro”, um local longe dos olhares mediáticos, que merece tanta ou mais atenção, pois é aqui que ainda hoje, apesar da falta de manutenção, continua a brotar um rebelde fio de esperança líquida: – a água que deseja chegar a Tomar….
Rui Ferreira / Grupo dos Amigos do Aqueduto
Janeiro de 2026
Texto publicado no boletim “O Tomarense” do 1º quadrimestre de 2026
Edição da Casa do Concelho de Tomar em Lisboa

