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Uma contabilista que recomeçou a vida aos 50 anos em Angola

Tomarenses pelo mundo

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Purificação Ferreira, 57 anos, começou a sua atividade profissional por volta dos 14 anos, no Gabinete de Contabilidade “Contécnica”, de Otelindo Andrade, em Tomar.

Mudou-se depois para o Matadouro Regional do Ribatejo Norte, na zona industrial de Tomar, atual Ribasabores, onde desempenhou a função de Técnica de Contas até a empresa ser vendida.

O seu último desafio profissional em Portugal, foi na Citaves, até à passagem para a Avibom, que fez um despedimento praticamente coletivo.

Com quase 50 anos, à procura de trabalho em Portugal durante dois anos, decidiu tentar sair do País onde a consideravam demasiado velha para trabalhar. Concorreu para os Estados Unidos, Moçambique e Angola. E, a primeira oportunidade surgiu de Angola.

 

Como é que foi essa experiência?

Nunca tinha saído do meu Pais, não conhecia ninguém em Angola, mas o medo é para os fracos e cá estou (em Luanda) há 7 anos e meio.

 

Como foi a adaptação a um país e a uma cultura que não conhecia?

A adaptação foi muito boa, onde o clima é a melhor vantagem e porque fui muito bem recebida, tanto por colegas portugueses como pelos nacionais. Os Angolanos são pessoas de bom coração.

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Sentiu algum tipo de preconceito por ser branca e oriunda do país colonizador?

Não posso deixar de referir que existe ainda preconceito em relação ao país colonizador, principalmente nas camadas mais jovens, que ouviram histórias contadas pelos seus avós e seus pais. Cheguei a ouvir da boca de uns jovens: “esta é de raça branca que eu odeio”. Mas aqui tenho bons amigos angolanos, que me deixarão muitas saudades quando um dia for embora.

 

O que gosta menos em Angola?

O que menos gosto são as picadas dos mosquitos e os arrumadores dos carros quando nos deslocamos a qualquer lado.

 

Como é a vida em Angola?

O ritmo de trabalho é mais alucinante e explico porquê. Normalmente os expatriados fazem o dobro do horário de trabalho (cerca de 12 horas de trabalho) e exige-se sempre muito mais dum expatriado. Isto ajuda-nos a que as semanas, meses e anos passem a um ritmo alucinante, não havendo muito tempo para pensar na saudade.

 

Tem-se falado em problemas de segurança…

Nos primeiros anos, a vida era mais calma, não se ouvia falar de muitos assaltos e ainda se conseguia sair para jantar em grupo. Agora é muito diferente. Sair é para as compras no supermercado e pouco mais.

A idade também é outra e tenho mais cuidados neste momento.

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Como é o nível de vida em Angola?

Tudo aqui é muito mais caro que em Portugal, menos a gasolina e o tabaco.

 

Sentiu um choque cultural quando chegou a Angola?

Não é propriamente um choque, mas as nossas culturas ainda são muito diferentes. Há normas muito enraizadas que passam de pais para filhos e a vontade de mudar é de apenas uma minoria.

 

– Quantas vezes e por quanto tempo vem a Portugal?

Vou cerca de duas vezes por ano a Portugal e creio regressar de vez apenas por altura da minha reforma, já que, se com 50 anos fui considerada velha para trabalhar, quase 10 anos depois, não haverá qualquer possibilidade.

Assim espero um dia investir numa atividade não ligada à minha área. Já são demasiados anos. Adoro o que faço, mas confesso estar cansada.

 

Já tem algo em perspetiva?

Nesta altura da minha vida, já não há muito negócios para descobrir, mas há sempre a possibilidade de tentar fazer a diferença para melhor. E isso acho que consigo fazer no meu País, quem sabe na minha linda cidade de Tomar…

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“Tomar na Rede” lança o desafio aos nossos emigrantes que queiram partilhar a sua experiência noutras paragens do mundo. Se quiser prestar o seu testemunho com uma entrevista, envie-nos um email para 

Escrita por Redação

Blog informativo Tomar na Rede. Notícias sobre Tomar e região envolvente. Informação local e regional.

Comentários

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  1. Uma “mulher de armas” que merece toda a sorte. Despedimento porque a empresa onde se trabalha mudou de dono ou foi mal gerida, ser velho aos 50 anos, apesar de longa experiência. Apesar de uma carreira profissional sem registos negativos, ter que emigrar para um pais africano e para começar tudo de novo. Este é o país de novembro, da demagogia, do empobrecimento da maioria e das golpadas dos poderosos.

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