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Um crime que chocou Tomar há 40 anos

Recorte publicado por Ccr Carvalhal

Numa altura em que o tema da violência doméstica está na ordem do dia, recuamos no tempo e recordamos um crime que em outubro de 1981 chocou a comunidade tomarense.

Um militar do regimento de infantaria 15 assassinou uma jovem mulher que estava grávida de oito meses e escondeu o corpo no mato, na Cruz da Légua, perto do cruzamento para o Agroal.

O macabro crime terá sido justificado pelo facto de o militar não querer assumir a paternidade. Foi condenado a 25 anos de prisão.

O advogado João Henriques Simões, de Tomar, chegou a ser nomeado como defensor oficioso do homicida, mas recusou. Pelo relato publicado no Facebook, lembra-se que o indivíduo, natural e residente nos Molianos, não queria assumir a responsabilidade de ter engravidado a jovem. Para evitar que ela contasse tudo às autoridades militares atraiu-a a Tomar na tentativa de a persuadir ao silêncio. Perante a persistente recusa dela levou-a para um pinhal na Cruz da Légua, zona do cruzamento para o Agroal na estrada para Ourém, e aí a assassinou escondendo o corpo coberto de arbustos. Foi julgado e condenado à pena máxima. O jurista lembra-se que na audiência o réu falou para recusar qualquer responsabilidade no assassinato, isto apesar de todas as evidências.

Ccr Carvalhal transcreveu no grupo Gabinete de Curiosidades de Tomar uma notícia da época acerca do caso:

“No reboliço da Feira de Santa Iria, o aparecimento em terrenos ali para os lados do Agroal, num pinhal perto da Cruz da Légua, do corpo da jovem Maria da Conceição Silva Freitas Costa Rato, natural e residente em Vieira de Leiria, grávida e barbaramente assassinada, com as roupas esfarrapadas, em adiantado estado de decomposição, e apresentava ter sido morta à facada, encontrado se indícios no pescoço e um peito decepado. Esta descoberta macabra foi feia por uns caçadores que alertaram as autoridades do sucedido, o Corpo foi recolhido por os Bombeiros de Tomar, para a capela do Cemitério de Santa Maria dos Olivais, onde foi autopsiada, onde no acto foi retirado também morta uma menina de 8 meses que se nascesse ter-se-ia chamado de Cláudia Liliana… sendo que dias depois se conseguiu identificar o corpo por familiares de Leiria.

No dia 9 de Outubro 1981, às 20 horas, uma jovem em estado adiantado de gravidez, encostada à parede do edifício da Agencia Rodoviária Nacional, apresentando grande nervosismo chorando copiosamente.

“Apercebendo-me do estado de choque em que se encontrava procurei ajuda-la e até lhe ofereci de jantar” relatou A.M.G., funcionária de uma empresa Tomarense, “como recusasse procurei saber a razão daquele estado de espírito.”

E a história veio com todos os pormenores, a Maria da Conceição esperava pela camioneta para Vieira de Leiria após ter ido ao RI 15 em Tomar, falar com o seu namorado, procurando convence-lo a tratar dos papeis para o casamento. A troca de impressões não durou muito tempo, pois o rapaz a prestar ali serviço ordenou que desaparecesse afim de não dar nas vistas, afirmando não querer saber nada dela nem do filho.

Transportada de táxi até à camionagem ali estava completamente desamparada.

“Ainda tentei convence-la a ir comigo ao 15, mas ela disse-me que não pois tinha medo das ameaças…”

Entretanto, dado aos desmaios constantes da jovem de 18 anos, foi solicitada uma ambulância dos bombeiros e transportada para o hospital onde ficou internada até ao dia seguinte, voltando depois para a sua terra.

Entretanto, no dia 12 de Outubro o namorado Armando José Soares Pereira, natural de Pousos, Leiria, a prestar serviço militar no RI 15, chamou-a a Tomar com o intuito de ficar por cá alguns dias, iludindo-a afim de tratar os assuntos para o casamento, ao que avisou a família que iria ficar por Tomar alguns dias, entre as 19 e as 20 horas, o autor do crime transportou a vítima numa motorizada para os lados da Cruz da Légua e aí a matou em circunstâncias ainda por esclarecer. No regresso, parou na fonte de S. Gregório para lavar as mãos manchadas de sangue, seguiu para jantar numa casa de pasto, para depois se encontrar com alguns companheiros para ir ao cinema.

No dia 18 foi encontrado o corpo, tendo o autor do crime Armando José, querer “saber” telefonicamente quer para o hospital, quer para a PSP do paradeiro da sua noiva.

O autor foi detido pela PJ de Coimbra e entregue ao Juiz de Instrução Criminal de Tomar onde muito depois confessa o crime”.

Escrita por Redação

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