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Tomarense decano dos universitários escreve carta aberta aos estudantes

Concluiu a licenciatura aos 81 anos e o doutoramento aos 85, na Universidade de Aveiro. Brasilino Godinho, que nasceu em Tomar em 1931, decidiu escrever uma mensagem dirigida aos caloiros que nesta altura entram para as universidades e politécnicos do país.

O tomarense estudou na escola Jácome Ratton e começou a trabalhar em Tomar como topógrafo. Em 1945 ajudou a fundar nesta cidade o agrupamento de escuteiros. Saiu de Tomar com cerca de 20 anos e está radicado em Aveiro há vários anos.

 

CARTA ABERTA de BRASILINO GODINHO

CAROS ESTUDANTES QUE ORA ENTRAIS NAS UNIVERSIDADES DE PORTUGAL (Continente, Madeira e Açores)

 

Na minha condição de Licenciado pela Universidade de Aveiro e de Doutorado pelas Universidades de Aveiro e do Minho, a que acresce a circunstância de figurar nos Anais da UNIVERSIDADE DE PORTUGAL como o aluno que com maior idade (77 anos) foi caloiro universitário, se licenciou com 81 anos e doutorou com 85 anos de idade, com boas classificações curriculares; venho saudar-vos e desejar-vos que tenhais um feliz percurso universitário.

Permitam-me que acrescente breves considerações sobre a aliciante vivência que vão iniciar com esperança e a desenvoltura que é peculiar na vossa maneira de ser e de estar em sociedade; a qual, agora será, em termos de prevalência, a académica.

Jovens que sois, voluntariosos, activos, fraternos, cultivais a camaradagem e estareis atentos a todos os diversos aspectos das funcionalidades do Campus e dos Departamentos/Faculdades que passais a frequentar diariamente.

Nos estabelecimentos vos serão ministradas as lições das várias disciplinas integrantes dos cursos. Para já, é no início do primeiro semestre das aulas que ocorrerá o arranque das vossas actividades escolares. Tenham presente que é mister que prestem cuidada atenção às dissertações dos mestres e que, de imediato, se embrenhem no estudo com entusiasmo, persistência e determinação; visto que é fase crucial para facilitar a continuidade dos estudos com aproveitamento e sem dificuldades insuperáveis.

Tal empenho não deve obstar a que disponham de regulares tempos de ócio e de convívio por forma a bem harmonizarem as vossas vidas e a manterem um salutar estado de mens sana in corpore sano (alma sã em corpo são).

Mas tenham especial determinação em cumprir as regras e instruções, emitidas pelas autoridades sanitárias, sobre prevenção e resguardo de segurança quanto à pandemia da Covid-19.

Outrossim, tomem consciência, que um curso universitário, não sendo um bicho-de-sete-cabeças é, seguramente, muito trabalhoso, de grande exigência científica, que não se compatibiliza com desleixos e atrasos nas execuções das tarefas curriculares.

Mais: estejam mentalizados de que, decorrente da absorvente rotina da vida universitária, pode acontecer, eventualmente, em imprevistas circunstâncias, que se sintam desanimados e mesmo tentados a abandonar os estudos. Não se deixem abater, porque isso acontece até com os melhores alunos. Deveis é estar mentalmente prevenidos para enfrentar tais situações.

Factor favorável à ultrapassagem de tais estados de abatimento é tomar incentivo, recorrendo à evocação dos exemplos facultados pelos estudantes de sucesso e pensar: se eles conseguiram, eu também vou conseguir.

Aqui posso anotar o paradigmático caso de Brasilino Godinho, subscritor desta Carta Aberta. Até vos cito uma ocorrência pessoal, Em 2009 ou 2010, um dia de Maio, encontrava-me a porta do Departamento de Línguas e Culturas, da Universidade de Aveiro, à conversa com três colegas e, de-repente, uma delas, natural de Viseu, diz-me:

“Brasilino! Quero dizer-lhe uma coisa: já estive para desistir do curso e muitas vezes não tenho vontade de estudar. Mas lembro-me de si e retomo os estudos. Vou em frente!”

Ouvir isto, foi para mim muito gratificante e me deu a confirmação do que pensava: ser exemplo e incentivo para os meus colegas em particular e para todos os estudantes do país, em geral.

Que, igualmente, o seja para vós!

Caros estudantes,

Pois a este ponto de exposição chegado, vos digo que foi meu propósito saudar-vos mas, também, chamar-vos a atenção para a caracterização, dificuldades e obrigações, inerentes à condição académica.

Ilustrei o propósito com a explícita e procedente referência ao inédito caso de Brasilino Godinho: caloiro aos 77 anos de idade (20 de Outubro de 2008); Provas de Acesso à Universidade 17 valores; Licenciatura em Línguas, Literatura e Culturas, 15 valores (2012); Diploma de Estudos Avançados em Estudos Culturais, 16 valores e Doutoramento em Estudos Culturais, por decisão unânime do júri (2017).

Pois, igualmente, fiquem cientes de que Brasilino Godinho, prevalecendo-se da ímpar condição e autoridade moral de ter sido o mais idoso caloiro e estudante da Universidade de Portugal, quis trazer-vos estímulo para que tenham uma regular e harmoniosa carreira universitária.

Ainda quero dizer-vos que podeis contar com a disposição de Brasilino Godinho em satisfazer as vossas solicitações de natureza académica.

Meus votos de que os vossos objectivos sejam plenamente alcançados.

Façam o favor de serem felizes nas vossas Universidades!

Aveiro, 11 de Setembro de 2020

Brasilino Godinho

Escrita por Redação

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