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Derrubaram chaminés que faziam parte da história de Torres Novas (c/ vídeo)

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As chaminés da antiga empresa António Alves, (“Alves das lãs”) foram demolidas esta semana durante os trabalhos de terraplanagem e fundações do novo supermercado Intermarché em Torres Novas.

O caso está a chocar a comunidade local já que no projeto da obra estava prevista a manutenção das chaminés, além de que era um elemento que fazia parte da memória e do património de Torres Novas.

As duas únicas chaminés que restavam da antiga fábrica vieram abaixo esta semana, para desgosto dos torrejanos.

“Parece impossível, mas não é! Torres Novas acordou sem as chaminés da antiga fábrica Alves das Lãs. Indignação é o que sentimos. Reposição das chaminés já!!” comentou a antiga vereadora do Bloco de Esquerda, Helena Pinto.

O próprio partido defende que “a obra não continua sem as chaminés! Não pode valer tudo!!” E lembra que “no projecto desta controversa obra está a manutenção das chaminés da antiga fábrica Alves das Lãs”. Considera o BE que “a Câmara não deve permitir que a obra continue sem a reposição das chaminés, memória e património de Torres Novas”, relembrando que esta obra teve isenção de taxas municipais no valor de 85 mil euros.

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A situação acontece na zona da Várzea dos Mesiões, onde se localiza a sede da associação empresarial Nersant, a escola profissional e onde já funcionam as bombas de combustível low-cost da marca Intermarché.

Vídeo de Liliana Godinho

Entretanto a câmara de Torres Novas já emitiu um comunicado onde esclarece que também foi surpreendida pela “chocante demolição”, garante que vai analisar juridicamente a situação e exigir a reposição das chaminés.

Já depois disso, a gerência do Intermarché de Torres Novas emitiu um comunicado que a seguir transcrevemos:

“De modo a clarificar as várias notícias sobre a demolição das chaminés da antiga Empresa António Alves, quer-se deixar claro que foi primeira intenção do promotor da obra proceder à preservação integral das mesmas e que a demolição ocorreu apenas em último recurso.

O perigo de derrocada das chaminés era real e eminente e levou a que a esta acção, urgente e imediata, fosse realizada de forma a garantir a segurança de todos os que operam no local e usufruirão dele no futuro.

Prova disso é que, na fase anterior da obra, toda a plataforma foi preparada com a demolição de todas as edificações ali existentes com excepção, precisamente, das duas chaminés tendo procurado alcançar, até esta data, uma solução válida e sustentável para a preservação destas infraestruturas cujo peso reconhecemos na história da cidade.

No entanto e não o afirmando de ânimo leve, a degradação de todas as infraestruturas da antiga fábrica de lãs, fruto do abandono absoluto de décadas sem qualquer manutenção das estruturas, mais precisamente desde o encerramento da fábrica, fez com que o estado de degradação das infraestruturas aquando da conclusão do licenciamento da obra se verificasse como muito acentuado e, na maior parte das estruturas, irrecuperável.

No que diz respeito às chaminés, em termos de estabilidade, registámos que as mesmas apresentavam uma incorrigível perda da verticalidade (até verificável a olho nu), fendas estruturais ao longo do fuste (no corpo principal da chaminé), danos na coroa, deterioração muito significativa do material que as constitui, assentamento e cedência das bases (fundações) e perda de ligação entre os vários materiais constituintes, situações estas que em conjunto não permitiram uma recuperação viável dos cones.

Tendo o objetivo de preservar as chaminés, mas tendo como principal preocupação a segurança das pessoas, instalámos alvos e testemunhos nas chaminés de forma a monitorizar o seu comportamento e, para garantir a segurança dos trabalhos até à data, tínhamos sido já forçados a criar um perímetro de segurança em redor destas, dado que o desprendimento de materiais era real e acontecia com frequência.

Como resultado dos estudos e pareceres que fizemos e solicitámos verificou-se neste período que os deslocamentos apurados estavam a aumentar em tal ordem que foi unânime a conclusão de que as chaminés não tinham forma de continuar de pé, com o perigo de acidente atual ou futuro e para o qual, respeitando a história, não queremos contribuir de forma negativa.

Os vários técnicos competentes, cujo parecer apresentaremos em sede própria, foram do entendimento que o caminho adequado para garantia da segurança de todas as pessoas, agora e no futuro, passaria pela demolição integral das chaminés porquanto não seria possível conservar as mesmas, fruto do seu assentamento em plataforma aluvionar e do seu irreversível estado de degradação apresentado.

Pretendemos ajudar o Concelho criando postos de trabalho, inovação e bem-estar nos Torrejanos e nunca estar associados a um gesto que desrespeite a história da Comunidade em que estamos inseridos.

Não obstante a inevitabilidade de termos sido obrigados à demolição das chaminés para preservar a segurança das pessoas, garantimos que iremos estudar, em conjunto com o Município e com os Serviços Competentes, uma forma adequada de preservar a memória histórica daquela que também é a nossa Cidade.

A gerência do Intermarché de Torres Novas



Obras do novo Intermarché de Torres Novas já começaram

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3 comentários

  1. Em Tomar conseguiu – se manter a chaminé da antiga central na Levada, que será muito mais antiga que essas e que nunca ameaçou a segurança de pessoas e bens. A CMTN tem de se impor, uma vez que as chaminés constavam no projeto. Não pode aceitar desculpas esfarrapadas.

  2. É incrível como algumas pessoas conseguem-se apegar a chaminés literalmente sem qualquer utilidade! Nem bonitas eram. Ninguém iria a Torres Novas para ver chaminés, muito menos aquelas.

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