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Alviobeira: uma homenagem a António João Antunes

Um reconhecimento que tardava

Nove anos após a sua morte e 26 anos após ter terminado o seu último mandato autárquico em 1993, tendo sido presidente da Comissão Administrativa pós 25 de Abril e eleito sucessivamente nas eleições de 12/12/76 ( primeira eleições democráticas poder local) e dado à época os mandato serem de três anos e nas eleições de 79/82/85/89, sempre como cabeça de lista pelo PPD – a homenagem  pública que tardava ao homem, ao “Alviobeirense” por opção, ao político, a um dos fundadores do rancho de Alviobeira.

Nascido a 8 de Outubro de 1927 no lugar do Prazo, freguesia da Amieira, concelho de Oleiros, e tendo vindo viver para Tomar em 1955 (Minjoelho) e em 1964 para Alviobeira, onde compra na Rua do Comércio um estabelecimento Comercial, o então carpinteiro António João que trabalhou para a empresa Fonseca e Filhos na construção do RI15 e da ponte Nova de Tomar, aventura-se dois anos em Ponta Delgada e começa na construção civil depois em Tomar por conta própria e depois associado a José Joaquim Lourenço deixando o seu cunho, na expansão do crescimento da cidade ”nova” de Tomar.

No campo político como presidente de Junta, com o seu “trio” Abílio Alves dos Santos como secretário e Manuel Vicente da Silva como tesoureiro, deixa a obra possível à época e tempo, na freguesia, nos mandatos dos presidentes de câmara – Carlos Bonet, Amândio Murta, Jerónimo Graça e Pedro Marques. Ser autarca nesses anos não era fácil!

Em termos de maquinaria o único veículo da junta era um carro de mão, as contas e escrita feitas à mão, não havia compensações atribuídas por lei e foi já no mandato de Pedro Marques que as juntas de freguesia do concelho –  todas, receberam um dumper, computadores e Alviobeira a rede de água pública. Por isso foi um orgulho, nesta homenagem que tardou, o único ex-autarca vivo presidente de Câmara – Pedro Marques ter estado presente, usado da palavra e recordado o homem, que conheceu muito bem, da ida à loja do seu pai, enquanto estudante e que depois já formado o ter tido e trabalhado – como presidente de Câmara (se bem que só num mandato), mas em que, como referiu, “os acordos e parcerias com os presidentes de Junta, eram selados com um aperto de mão e depressa aprendi a trabalhar com quem estava mais próximo das populações, se dedicavam de corpo e alma às suas freguesias e em que António João era um deles”.

Porém uma homenagem – a única da freguesia, pós morte a um homem fará sentido tantos anos após a sua morte e quando já poucos se lembram do que fez na freguesia?

Teremos de recuar ao ano de 2010 – a Dezembro, em que um mês após a sua morte, a Assembleia de Freguesia de Alviobeira, aprovou, um voto de louvor e reconhecimento a António João Antunes e a atribuição de um nome de rua em Alviobeira, à Rua do Comércio, onde viveu e investiu, alterando o nome para Rua António João Antunes (antiga rua do Comércio).

Manuel Alcobia era o presidente da Junta, tendo sucedido a Fernando Nunes e José Roberto o presidente da Assembleia, que perante a resistência “ dos governantes de café e taberna da terra” meteram a proposta aprovada, na gaveta dos esquecidos, e o caso iria morrer por aqui.

Valeu agora outra junta e outro presidente, João Luís Alves, de uma união de freguesia, já quando a freguesia de Alviobeira não existe autónoma e após o Rancho de Alviobeira referir que era hora de homenagear um dos seus fundadores, foi recolher cópia das atas e desencadear a finalização de todo o processo junta da Câmara, que “mudar o nome de uma rua não é alterar ou afixar outra placa”. Entende João Luís Alves que as deliberações aprovadas por órgãos deliberativos democraticamente eleitos, representativos do povo e em funções, são para cumprir e que não são as “opiniões de rua ou cafés que prevalecem”.

A homenagem foi rica e o momento fica na história de Alviobeira e o actual presidente de Junta, João Luís Alves, a levar injustamente com as fortes críticas desta alteração, por opiniões de quem nesta terra, gosta de fora a governar e é avesso a mudanças ou a reconhecer, o trabalho e valor de tantos que deram alguma coisa a Alviobeira. E foram tantos!

Coube ao único bisneto de António João, Pedro Alves, descerrar a placa, com a presença de autarcas da junta e Assembleia da União de Freguesia, Pedro Marques, que usou da palavra, vários ex-autarcas de Alviobeira e do ex-presidente de Junta Manuel Alcobia. Recordou-se o homem no campo de político local, e do seu trabalho, intervalando com dignos momentos musicais, numa tarde de chuva miudinha e, do homem social, que se dedicou a obras da igreja, centro recreativo e à fundação do rancho. Manuela Santos, a directora técnica que por vezes com muita emoção e lágrimas, recordou o “homem bom, que andava sempre a mil a hora, com o seu fato macaco vestido, imagem de marca de homem virado para o trabalho e sempre disposto a trabalhar, a tocar muitos burros, ao mesmo tempo, mas a nunca dizer não a um desafio e ao qual a terra muito deve e, o rancho, quer no seu crescimento e instalação do museu rural a ele muito deve”

Por isso à noite, a 31ª Gala de aniversário do rancho, como não podia deixar de ser, foi uma homenagem à vida e obra do homem, muito bem elaborada e encenada e refere Manuela Santos “nós rancho recordamos com saudade o homem, que andava sempre a correr mas que nunca nos virava as costas e perante a capacidade de elogiarmos que é distante e a dificuldade de homenagear aqueles que nos são próximos a homenagem ao Sr. António João tardou mas é mais que justa e merecida”

                                                António Freitas

Escrita por António Freitas

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