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O fim da APAT e o papel da câmara de Tomar

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Conforme foi noticiado, a APAT – Associação Protetora dos Animais cessou a sua atividade no dia 31 de janeiro, nomeadamente o seu trabalho no canil da zona industrial de Tomar, propriedade da câmara.

A propósito deste problema, o deputado municipal Américo Costa (Chega), interveio na sessão da assembleia municipal realizada a 23 de fevereiro.

É essa intervenção que transcrevemos a seguir:

 

A APAT e o Canil Municipal

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Com o fim da parceria entre a APAT – Associação Protetora dos Animais de Tomar e o canil municipal, as perdas não são limitadas aos cuidados com os animais. Vale lembrar que a APAT contribuía com os seguintes gastos e atribuições:

1) Pagamento de 2 (dois) funcionários, que cuidavam especificamente da limpeza, alimentação, medicação e processos de adopção, entre outros;

2) Propriedade de carrinha que era usada para usos variados como: visitar adoptantes, transporte de bens doados nas recolhas oficiais, etc.;

3) Como receptores de doações e compras de máquinas de lavar e secar roupas e outros bens, para usufruto nas instalações do Canil Municipal;

4) Recolha de alimentos e produtos de limpeza no contexto de parceria com a “Animalife” e os supermercados Continente, Intermarché e outras lojas e empresas;

5) Recrutamento de voluntários;

6) Gestão da página da APAT-canil no Facebook, onde eram feitos os apelos de adopção e animais resgatados, entre perdidos ou encontrados;

7) De acordo com os Estatutos (que são públicos) da APAT, esta não estava a desempenhar nenhuma das funções que lhes competia a nível público. As funções que desempenhavam eram no Canil Municipal.

Não terá havido uma exploração demasiado abusiva da presença desta Associação no Canil, quando esta poderia estar a fazer o seu papel também no exterior do Canil, o que teria ajudado o próprio Município de um modo geral? Talvez tenha sido devido a isto que os órgãos directivos da APAT se demitiram e agora, a Camara Municipal terá que arcar com todas estas despesas e funções.

 

CONDUTA E FUNÇÕES DOS FUNCIONÁRIOS DA CÂMARA NO CANIL

Há inúmeros relatos, inclusivamente nas redes sociais, de conduta inapropriada por parte das funcionárias da Câmara que trabalham no escritório e atendem o telefone ou recebem presencialmente pedidos de ajuda. A resposta padrão destas foi a de levantar dúvidas sobre a idoneidade dos cidadãos que recorrem ao canil para ajuda no caso de animais encontrados: “como saber que o animal não é vosso?”.

O público também deveria saber o que fazem estas duas funcionárias, que parecem limitar-se exclusivamente a um trabalho administrativo em um local onde a maior necessidade e urgência é a de tarefas de cunho prático. Vale questionar o que fazem especificamente estas duas funcionárias, já que o grosso do trabalho administrativo é feito pela veterinária municipal. É sabido que estas funcionárias nem mesmo dos processos de adopção, tarefa simples como o preenchimento de formulários, tratam, por exemplo.

 

NÚMERO INSUFICIENTE DE FUNCIONÁRIOS

Questionamos se a Câmara está a ter em conta, mesmo independentemente da presença – que era Voluntária – da APAT, a expansão das instalações do Canil relativamente ao número de funcionários e respectivas funções. Como é sabido, as duas administrativas que trabalham na Recepção do Canil não tratam de processos de adopção. Tratando-se de funcionários públicos, achamos relevante questionar que funções estão a ser atribuídas e desempenhadas por essas funcionárias. Por sua vez, os restantes funcionários, que são3, deverão estar a assegurar tudo no Canil, sendo que há funções internas e externas, como os resgates de animais errantes. Quem está a fazer o quê e isso garante a eficiência do funcionamento geral? Estarão funcionários a serem subaproveitados em detrimento de outros que estão a ser sobrecarregados com funções que poderiam estar melhor distribuídas? Verifica-se, de acordo com relatos, uma grande falha na gestão dos recursos humanos, não só pelo seu número diminuto, mas também pela distribuição de funções.

  • Voluntários: Muito embora seja uma iniciativa benéfica para a sociedade tomarense e o Canil em si, o recrutamento de Voluntários não tem a mesma eficácia nem o compromisso necessário com as tarefas inerentes ao bom funcionamento do Canil e à boa manutenção dos animais. De realçar que um voluntário não pode desempenhar funções que envolvem burocracias ou funções clínicas (fazer curativos ou assegurar se algum animal precisa de algum tipo de tratamento ), nem se pode comprometer a comparecer regularmente. Quando os Voluntários não comparecem ou um funcionário adoece, o caos impera.

 

ALIMENTAÇÃO

A APAT várias vezes fez apelos para doação de ração específica para animais juniores e idosos e com diferentes tipos de necessidades alimentares para animais do Canil. Está o Canil neste momento a suprir esse tipo de necessidade? Há relatos de voluntários que afirmam não ser o caso, pois nas suas actividades no Canil verificaram uma escassez de ração mesmo da mais corriqueira para os animais adultos, escassez ainda maior para animais jovens e idosos.

 

GABINETE VETERINÁRIO

  • O site do Município tem lugar para fotos de animais desaparecidos e disponíveis para Adopção, mas está desactualizado. 55 animais supostamente disponíveis para Adopção num universo de perto de 300, conforme é relatado publicamente em entrevistas pelo Vereador Hélder Henriques, a grande maioria dos quais já morreu ou foi adoptada.

 

  • ILEGALIDADE NO PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃO DE ANIMAIS ADOPTADOS: Esterilização-LEI (Artigo 8, ponto 6)-https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/146-2017-106926976

 

Esterilização Site CMT -http://www.cm-tomar.pt/index.php/pt/viver/canil#sobre-a-ado%C3%A7%C3%A3o

(Incorre-se em crime de Prevaricação a alteração de decretos-lei para benefício próprio ou de alguma situação em contexto público, sem falar na obrigatoriedade (ilegal) que estão a impor aos adoptantes de esterilizarem os seus animais por conta própria quando é até um assunto que estará na origem da grande maioria dos abandonos.)

  • Há inúmeros relatos de pedidos de sinalização de colónias de gatos para Esterilização no âmbito do Programa CED (Capturar, Esterilizar e Devolver), que continuam pendentes de actuação e sequer de resposta ou esclarecimento, para além de uma comunicação padrão (“Acusamos a recepção da sua mensagem…”). Esta certamente é uma situação que se verifica não apenas na periferia de Tomar, mas também na própria zona histórica. Com isto questiono, quem é que gere esta lista de espera? E porque esta não avança?
  • Vivemos tempos de enorme carência económica, sem falar no aumento exponencial de abandonos de animais, o que torna fundamental a divulgação de qualquer e todo o tipo de apoio que instituições do Estado possam providenciar às famílias. O apoio a famílias carenciadas, como já foi referido que é feito a algumas pessoas e também em entrevistas, não é divulgado. Não há qualquer informação sobre isso no site do Gabinete Veterinário.
  • Porque é que existe um protocolo com a Clínica Vet Plus em Tomar, financiado pelo erário público, para serviços para os quais o Canil está devidamente equipado? Porque não fazer acordos de Estágios com escolas de medicina veterinária, o que viria a prestigiar o Município na formação de novos profissionais e também a poupar os fundos públicos aplicados numa clínica privada? Porque não também a contratação de mais um Veterinário Municipal, à semelhança de outros Municípios, caso o trabalho seja excessivo para a actual Veterinária Municipal?
  • É público que entram mais animais do que os que são adoptados. Tendo em conta a ausência de oferta de políticas de esterilização para munícipes carenciados, que medidas o actual executivo pretende instaurar para mitigar esta situação, já que não há adoptantes para todos os animais do Canil, nem para evitar o nascimento de tantos animais errantes? Alguns culpam os donos de animais pelo abandono, sem perceber que muitos já nascem nas ruas e os custos de esterilização estão fora do alcance de muitas famílias. Os custos de manutenção do Canil para tantos animais que a Câmara tem ao seu encargo dificilmente compensarão os custos de uma política de Esterilização financiada pelo Estado.
  • Quando a Veterinária Municipal se ausenta de Baixa ou de Férias, que medidas são tomadas? Quem é que verifica se algum animal precisa de assistência médica e o que fazem os funcionários sem este suporte crucial?

 

INSTALAÇÕES DO CANIL MUNICIPAL:

  • Qual é a finalidade das mesas de picnic no Canil a poucos metros das boxes dos animais? Quem é que aprovou esta ideia? Quem é que aprova de um modo geral as alterações e expansões no Canil? Quem teria falta de sensatez de se sentar nestas mesas de picnic situadas em frente a boxes daqueles cães a comer uma sandes?

Não teria sido prioritário construir primeiro uma área adequada para os animais se exercitarem e estimularem, uma vez que se encontram em permanência fechados em boxes cheias com outros animais e com o chão em cimento; ao invés de construírem uma área puramente decorativa e sem nenhuma utilidade para os animais?

  • A escolha de vegetação: 1. Palmeiras colocadas numa área central de boxes (viradas a Sul, com maior incidência solar) não fazem sombra, não quebram a incidência nem do sol nem do vento. Não contribuem em nada para o bem-estar animal. 2. A relva, que é de alta manutenção, exigindo regas diárias no Verão, o que deve ser feito pelos funcionários, sobrecarregando-os ainda mais e desviando-os das tarefas realmente essenciais, é outra decisão insensata. Está, também ela, posicionada numa área em que – tanto quanto se sabe –não servirá para utilização dos animais permanentemente confinados em boxes.

– Porque não foram utilizadas árvores autóctones, como Medronheiros (sempre vivas, a prover sombra no período de maior calor, e que requerem pouca rega)?

– Porque não foram plantados arbustos de ervas aromáticas, como o Alecrim e a Lavanda (que são resistentes à seca, são nativas de Portugal e de baixa manutenção)?

Américo Costa

Deputado municipal eleito pelo Chega

Sessão da assembleia municipal de Tomar – 23 de fevereiro 2024

Associação Protetora dos Animais à beira do fim

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9 comentários

  1. Agora a senhora veterinária está mais à vontade para se servir das instalações e produtos da autarquia para exercer a sua atividade privada. Uma vergonha com a conivência dos responsáveis políticos.

  2. Acho que o pensamento deverá ser … ” O bem estar animal” são eles que necessitam de todo o apoio, já que são criaturas desprotegidas e com necessidades… fruto do anbandono e de maus tratos feitos pelo ser humano podre.

  3. Para mim esta notícia e consequente revelação do que foi dito pelo tal deputado é do mais verdadeiro que há. Não sigo política neste País, nem noutro, mas acho que ele falou tudo certo e do que realmente se passa.
    Considerando a inconsideração de pessoas que vivem à minha volta em relação aos outros e ao nojo que demonstram ter por animais de rua, começo a acreditar que fazem todos parte da família de funcionários da câmara, funcionários do canil então incluídos.

    Comecei a contactar o canil há uns meses atrás e percebi muito rapidamente que é tudo fachada. Ajudar animais não é problema deles. Quando passei dos e-mails aos telefonemas confirmei a minha percepção de que realmente se estão a marimbar. As aparências de que são animal lovers deve ajudar na hora de requerer ajudas, que pelo que já percebi, era tudo parte das funções da APAT; que possivelmente não tinha mãos a medir considerando a incompetência dos funcionários municipais. NÃO admira que tenham desistido; o que é uma pena para os animais e para quem agora pensa que o canil de Tomar os vai ajudar com pedidos de assistência médica (CED inclusivé, em que estão registados como instituição que o fazem) para animais abandonados.

    Após ler a noticia fiquei aliviada por perceber que a minha inteligência emocional ainda está presente, quando após consecutivas justificações por parte das ditas funcionárias, que diferiam e se contradiziam de dia para dia, percebi que por outras palavras não acreditavam que o meu esforço todo fosse para ajudar uma gata de rua que supostamente já está sinalizada há quase um ano (Isso foi com a a APAT disseram-me, com ranço na voz; o que é irónico, o ranço devia vir da APAT em relação a eles). Depois fizeram uma marcação após eu referir várias, muitíssimas vezes, que não valia a pena agendar por três motivos; não tenho transporte, a gata É de RUA, ou seja, não aparece quando eu quero e nem sei se a conseguiria apanhar. Isto foi lhes dito várias vezes e o tom de despreocupação na voz das funcionárias era “visível” e por outras palavras, porque não sou estúpida, darem a entender que se calhar estava a tentar uma esterilização grátis para a minha gata. Não é e nunca foi o caso. A minha gata de casa está mais que tratada e resolvida.
    Eu só não percebo como dorme esta gente à noite. Pobres funcionários da APAT que devem ter saído com o coração nas mãos a saberem que agora então é que nada ia ser feito e que os animais estão ao Deus de ará. Pobres animais nas mãos de i**otas.

    Para mim revela muito de um município, e de um País; o quão civilizados são, não quererem saber de seres que precisam de ajuda e a fachada do estamos aqui para ajudar é nojenta. E nós enquanto povo governado por seres civilizados que possam dar o exemplo, ainda não estamos lá. De todo. Só mesmo quem está de fora é que acha que isto é um Paraíso por causa das praias. bela m****

    Pessoal do canil e afins: Deviam ter vergonha na cara. Mas não têm e isso ouve-se quando se liga para lá e vocês se estão a ma..rim..bar. Parece que estão a fazer um favor ao pessoal quando é o vosso trabalho e é para isso que existem. Uma vergonha. Que tristeza de município e estado governamental do País.

    1. Como amante e protetora de animais, estou escadalizada!
      Tanto barulho, tanta publicidade e, depois, é só hipocrisia.
      Aonde paira o PAN ?
      Quem salva esses seres inocentes?
      Só tachos e nada mais!
      Política?
      Vergonha das vergonhas!
      Se tivessem um pouco de sensibilidade, de certeza que aprenderiam muito com eles( animais).
      Mas estamos num País de terceiro mundo, porque senão, as leis cumpriam- se, com uma responsabilidade acrescida e esses oportunistas viriam para a rua.
      E ainda há quem vote!

  4. Ou, considerando que os 13mil euros que acabaram de receber como foi revelado numa notícia no final do ano passado não chegam, e posso até imaginar que não; exijam ao vosso patrão, mais ajudas. Sem ferramentas de trabalho não conseguem trabalhar devidamente e cumprir o vosso dever, então para quê que existem?

    Somos todos humanos mas não se percebe estas falhas quando o povo até é bastante solidário e só falo porque tive experiência recente com o tal canil e revejo me no que foi dito.
    E atenção ao contexto em que escrevo este comentário.
    Há muito mais a falar sobre o estado do País, noutras áreas, e não é preciso seguir política para perceber que isto parece tudo uma palhaçada.

  5. Pergunto se o Sr. Vereador Américo Costa, esteve alguma vez no local que tão bem identifica mais de 30 min.? acompanhou o local? é apoiante da causa animal, saúde pública? este texto envergonha a quem o redigiu baseado em tantas inverdades. Tomar na rede já esteve no Canil, gatil como publica um texto destilado de tudo o que é negativo? Comentadores não se iludam não tem nada a ver com os animais e a sua proteção, só se pode pensar que é um mero aproveitamento, político!? até as mesas de poic-nic comenta, que baixo nivel… o canil tem sido aberto à comunidade, há visitas escolares e demais atividades. E quem comenta não fique chocado , mexa-se torne-se voluntário.! ou já estiveram todos no local?Perguntem ao Instituto da Conservação e da Natureza ICNF, que fiscaliza os Centros de recolha oficiais de animais, o canil gatil intermunicipal de Tomar é um dos quem as melhoras práticas do País em relação ao bem-estar dos animais! este texto é triste porque até a APAT fica tão mal na figura. E é esta postura de apontar o dedo e não começar em casa que se torna tão popular., é mesmo interessante. Este texto merece uma ladradela de cão e uma bufadela de gato.

  6. daqui a pouco o chegano ainda se vai pronunciar contra as touradas (se achar que isso rende votos), tal é a preocupação com o bem-estar animal!! ainda passará por um ser evoluído!

    e aos “amiguinhos” dos animais, deixem de ser indignados de sofá. O estado não pode ser o papá para tudo – os recursos são limitados ao contrário da falta de civismo.

  7. lamentavelmente a maior parte dos municípios tem este problema. e, na minha opinião, jamais os veterinários municipais, sendo funcionários públicos, deveriam continuar a exercer uma função privada no concelho do município onde exercem funcoes públicas, pois existe incompatibilidade. Se a lei das incompatibilidades se aplica aos engenheiros, arquitetos, advogados, solicitadores e outros, porque não aos veterinários?
    Está situação é uma vergonha nacional para os autarcas de Tomar! não sendo eu aí residente, sinto mesmo uma imensa vergonha alheia….

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