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Valorizando a Água

Opinião de Alexandre Horta*

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Alexandre Horta pedreiraComemorou-se no passado dia 22 de março o Dia Mundial da Água e as Nações Unidas preconizaram para as comemorações deste ano o tema “Valorizando a Água”.

O Secretário-Geral António Guterres no seu discurso alusivo ao dia, afirmou que para ele a “água significa proteção, um ciclo da água bem gerido significa: uma defesa contra problemas de saúde, contra a indignidade humana, uma resposta aos desafios colocados pelas alterações climáticas e ao aumento global da procura deste bem precioso que é a água”.

É assustador saber que atualmente, a nível mundial, 2.200 milhões de pessoas vivem com escassez de água e que em 2050 esse número subirá para os 5.700 milhões O objetivo previsto na agenda de desenvolvimento sustentável para 2030, o acesso universal a água e saneamento, está longe de estar assegurado.

Não é apenas um problema dos outros. Infelizmente, também em Portugal falhamos neste tema da “boa gestão do ciclo da água”. Desde logo a oportunidade perdida no anterior quadro comunitário para o desenvolvimento e expansão de infraestruturas ligadas ao saneamento básico. Continuamos, de um modo geral, com percentagens muito aquém do esperado no que se refere à população com acesso da rede de saneamento básico com o devido tratamento.

A poluição dos rios e ribeiros, pela falta de tratamento do efluente doméstico, industrial e do agropecuário, é um dos problemas mais graves com que o país se depara no que se refere à água. Caso paradigmático temos à nossa porta, o Nabão. Rio razão de ser de Tomar. Desde sempre peça fundamental de agregação de pessoas e atividades económicas da mais diversa espécie, ao longo de gerações, sempre foi maltratado por quem dele usufruiu. Infelizmente ainda hoje é assim.

Já todos estamos fartos de ver na comunicação social local e até nacional títulos, em grande parangonas e fotos da espuma que aparece, por exemplo, junto à ponte velha. Toda a gente está indignada, todos os partidos estão indignados, as organizações ambientais estão indignadas, uns passam culpas para os outros, têm-se estudado exaustivamente as diversas possíveis fontes de poluição, mas o que é certo que nada se tem feito e nosso rio está a morrer.

Este grande problema, mais visível em Tomar, é um problema supramunicipal. Os concelhos vizinhos incluídos na bacia hidrográfica do Nabão também têm responsabilidade na matéria. Só um veemente alerta junto do governo central, nomeadamente junto do ministério do ambiente, poderá contribuir para a mitigação deste problema que extravasa as competências da Câmara Municipal, mas não lhe retira a responsabilidade do fazer e por ele se bater.

É isso que se pede, alguma coisa estará a ser feita, mas será o suficiente? O facto da Câmara ser da mesma cor política do governo poderá ajudar nesta situação? Até agora não vimos nada.

A Senhora Presidente da Câmara tem a responsabilidade acrescida de ser presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal Tejo Ambiente. Todos sabemos que, por si só, este estatuto não consegue garantir o quer que seja nesta matéria, mas Tomar e os tomarenses precisam de respostas e soluções. Teremos que continuar à espera.

Esperemos que uma vitamina, uma bazuca ou alguém com coragem para enfrentar o problema de frente consiga fazer algo pelo Nabão, porque o rio está a morrer.

Alexandre Horta
*Vice-Presidente do PSD de Tomar

 

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Escrita por Alexandre Horta

Comentários

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  1. Blá Blá Blá veemente apelo, revolta popular tudo tretas!!
    É ilegal fazer essas descargas e se não cumprem a legislação FECHAM !!!!
    Se fosse o terrível particular que até se sabe quem é mas nunca se referencia , já estava multado e fechado.

    Agora vem o PSD com discursos da treta,.
    Não perceberam que o tempo dos discursos da treta e das meias-verdades já terminou??
    Tenham vergonha e pelo menos estejam calados!

  2. É certo o que escreve Alexandre Horta, é certa e confrangedora a paralisia da Câmara e da sua Presidente, que se limita a “apresentar queixa”, em relação a um problema que é um insulto a cada um de nós, e a todos nós.
    Parece a senhora Presidente querer esquecer que, chegados a este ponto, apenas a intervenção politica, enérgica e corajosa, pode ajudar a encontrar uma solução.
    Ou estará a aguardar data mais próxima das eleições, para então dar nas vistas e ser aclamada a “grande leader”?
    Tal como o senhor deputado da Nação, tomarense?
    Entretanto, fazem os habitantes o favor de aguentar.

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