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Uma informação em geral canhota e mal informada

Análise de Margarida Magalhães

Segundo a generalidade da informação portuguesa, e alguma imprensa internacional, o Brasil é o novo epicentro da pandemia de covid19. Seguem-se notícias e reportagens mais detalhadas sobre a inesperada e grave desgraça, que atinge sobretudo os pobres e os mais velhos, naquele país sul americano que fala a nossa língua.

É uma situação trágica, que vem mesmo a calhar, tanto para aqueles jornalistas que se consideram de esquerda, como para outros que nem sabem que o são, em virtude da orientada formação académica recebida. Vem mesmo a calhar porque o Bolsonaro e o Trump são, segundo os mesmos, uns brutamontes e uns patifes que, suprema falta de educação, sendo de extrema direita, tiveram a ousadia de ganhar eleições limpas. E não consta, até agora, que um ou outro tenham suprimido, ou mesmo limitado, as liberdades fundamentais enunciadas nas respetivas constituições.

Reconhecendo embora que, apesar do exposto, nem o americano nem o brasileiro são políticos frequentáveis por quem se considere realmente democrata e de esquerda, importa não exagerar. Saber manter a verticalidade. Não se mostrar vesgo. Sobretudo numa cidadezinha como Tomar, onde a comunicação social está, como se sabe, quase toda controlada pela atual maioria PS, mediante subsídios, ajustes diretos e outros arranjos.

O Brasil é, como proclamam os media, o novo epicentro da pandemia na América do Sul? É sim senhor. Conviria contudo acrescentar, sob pena de a notícia mentir por omissão, que o Brasil tem uma população superior a 210 milhões, praticamente igual à do conjunto dos restantes 12 países daquele subcontinente.

Assim sendo, com metrópoles como S. Paulo (22 milhões de habitantes), Rio de Janeiro (12 milhões de habitantes), ou Manaus (2 milhões de habitantes), em plena Amazónia, a mais de 2 mil quilómetros da costa, queriam que o epicentro da pandemia fosse onde? Na Guiana Francesa, com os seus 270 mil habitantes? No Uruguai, com 4,5 milhões?

O jornalismo português em geral não há meio de conhecer melhores dias. E com os novos subsídios governamentais, sob forma de pagamento adiantado de publicidade, nem para lá caminha. É pena.

                                       Margarida Magalhães

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