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Turismo e realismo

António Rebelo

Turistas na rua da Sinagoga

A notícia é da Rádio Hertz e aqui se reproduz parcialmente, com a devida vénia:

“Tomar tem condições para suceder a Braga como ‘Destino Europeu do Ano’. A convicção é do Partido Social-Democrata que, pela voz do vereador Luís Ramos, ‘desafiou’ a Câmara Municipal a estabelecer um plano com um conjunto de acções para a fase pós-covid, «com forte aposta no marketing e promoção», reforçou o eleito, que apontou então o exemplo bracarense que, refira-se, ganhou o ‘European Best Destination’, suplantando a concorrência de destinos como Roma, Paris ou Florença, entre 20 destinos nomeados, num total a rondar os 600 mil votos de 192 países.”

Perante isto, louva-se o entusiasmo e o tomarensismo do respeitável vereador e do seu partido, mas é-se forçado, por uma questão de prudência e de realismo, a recomendar uma séria revisão da proposta, ou desafio.

Convém reconhecer, para começar, que Tomar não tem condições para suceder a Braga, tal como o União de Tomar não tem condições para suceder ao Boavista, por exemplo.

Braga é um distrito com quase 800 mil eleitores inscritos e 4 cidades (Braga, Guimarães, Barcelos, V. N. Famalicão) com mais de 100 mil eleitores inscritos.

Tomar tem apenas 34.031 eleitores inscritos e integra o distrito de Santarém, com menos de metade dos eleitores do distrito de Braga e sem nenhuma cidade com 100 mil eleitores inscritos. As duas mais populosas são Santarém, com 51 mil eleitores inscritos e Ourém, com 40 mil.

Mesmo anexando o vizinho distrito de Leiria, ficaríamos com menos população que Braga e com uma única cidade (Leiria) de mais de 100 mil habitantes.

Nestas condições, não parece aconselhável pôr-se em bicos de pés, porque na era da comunicação instantânea a coisas rapidamente se revelam tal como são na realidade. E na realidade Tomar não tem peso demográfico, económico, geográfico ou político, nem conhecimentos, nem estruturas para grandes voos.

Braga terá ganho de forma honesta o tal galardão de “destino europeu do ano”, que não passa afinal de um concurso do tipo das maravilhas da culinária, na TV, onde é possível comprar votos. Mas é óbvio que não está de modo nenhum ao nível de Paris, Roma ou Florença, capitais conhecidas a nível planetário, enquanto a cidade dos arcebispos é uma ilustre desconhecida além-Pirinéus. O cantor António Variações, que era da região, viu bem a situação. Quando lhe perguntaram que estilo de música fazia e cantava, foi pronto na resposta: -“É uma coisa assim entre Braga e Nova Iorque”.

A outra vertente da notícia é a apregoada “promoção turística”, que não passa afinal de argumentação politiqueira, por ser na prática impossível determinar quais os ganhos efectivos de cada campanha promocional paga a preços europeus.

Desde há anos, e nesta altura, o grande problema de Tomar na área do turismo não é atrair mais visitantes. Consiste antes em aumentar a estada de cada visitante e, sobretudo, incrementar os seus gastos locais. A própria presidente da Câmara já o disse publicamente e por várias vezes.

Acontece que, infelizmente e por manifesta incapacidade dos responsáveis locais, Tomar ainda não dispõe das estruturas de acolhimento indispensáveis para o desejado alargamento da duração das visitas turísticas. Pior ainda, os eleitos e respectivos conselheiros especializados têm vindo a demonstrar que nem fazem ideia do que possam ser essas tais estruturas de acolhimento indispensáveis, nem se mostram interessados em vir a saber. Interessa-lhes apenas a manutenção no poder.

Nestas condições, por bem intencionada que seja a proposta do PSD, ela não passa afinal de “música ambiente” em ano eleitoral. É pena, mas é assim.

Os tomarenses vão continuar a aguardar melhores dias e eleitos mais realistas.

                                                      António Rebelo

 

Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Já há cerca de 20 anos, na biblioteca de Tomar e numa altura em que ainda havia energia na cidade para discussões públicas sobre o seu futuro, o Presidente da Câmara de então dizia que o turismo local era a melhor resposta para a economia e o crescente desemprego, resultante do declínio industrial tomarense. Passados anos, cada um que tire conclusões.

    • Mas ele disse ísso porque não há alternativa. O presidente da Câmara foi, e ainda é, impotente para lutar contra a desindustrialização do concelho. O que a presidente Anabela mais gostava era que abrissem umas fábricas em Tomar durante o mandato dela que dessem emprego a centenas de pessoas, ela seria certamente levada em ombros durante o 1 de março. Seria certamente muito popular, mas não é possível, a única alternativa é o Turismo, onde incluo hotelaria, restauração e um pouco do comércio, e não esquecer o funcionalismo público que ela pode controlar, a indústria não. Agora apareceu a Informática no Politécnico, a Softinsa e a Critical Software, mas isso tem muito que se lhe diga. Nem toda a gente tem aptidão para programar computadores, microprocessadores, controladores, etc…,etc…, e também tenho muitas dúvidas em que condições a Softinsa, por exemplo, se instalou em Tomar. Eu já pesquisei no Google e vi coisas que me levantam muitas dúvidas se esse negócio, do tempo PSD foi de facto assim tão bom para Tomar e espanta-me que todos os politícos batam palmas a esse negócio e não haja massa critíca.

      • Sr. Helder, está enganado. Um dos males de Tomar é a pouca exigência dos tomarenses. Cito o Presidente da Câmara de Paredes de Coura, na passada semana: esta fábrica de vacinas, em construção, não resulta do acaso ou de milagre. É o resultado de dois anos de trabalho da autarquia para captar investimento.

        • Homem, em tudo na vida há exceções á regra. Eu não sei que conhecimento tinha a autarquia para conseguir esse investimento, nem quais foram as condições. A Câmara de Tomar também investiu mais de 700 mil euros para que a Softinsa viesse para o politécnico, por 10 anos, para criarem até 200 postos de trabalho, e agora vi no site da Softinsa que criaram 350!!!!, e também tinham a mesma conversa, queria criar um hub tecnológico e Paredes de Coura já se quer tornar num hub bio tecnológico. Eles agora, como políticos, dizem que foi por mérito, resultado de muitos anos de esforço se calhar foi o que se chama no snooker um fluke, ou seja um chouriço. Portugal não é competitivo porque os impostos são muito elevados e as leis do trabalho adversas á criação de emprego.

  2. Eu acho que o meu caro António Rebelo está enganado, Braga não foi eleita destino europeu do ano. Se fizer uma pesquisa no Google, qualquer coisa como “Best European Destination Awards” 2020, 2019, etc…, vai ver que Braga aparece numa shortlist em que aparecem cidades pequenas misturadas com as grandes capitais. E repare que mesmo Braga ter ganho esse prémio, se assim lhe podemos chamar porque isso não passam de revistas e blogues a quem as autarquias pagam para lá meter o nome, e são meia dúzia de destinos e não só um, não quer dizer que os visitantes só vão a Braga. Eles vão visitar toda aquela região norte, Braga, Porto, Douro, o Gerês, etc… Ninguém se fica só por Braga. E muito menos se ficariam somente por Tomar e centro, quem vem visitar o convento de Cristo vai ver o Mosteiro dos Jerónimos, o da Batalha, Alcobáça, e vão até lá
    a cima ao norte. Ninguém se vai ficar somente por Tomar e é impensável a permanência dos turistas por uma semana, eles aborreciam-se pois Tomar é demasiado pequena, e não é um problema de ainda não termos as estruturas para ísso porque nós nunca as iremos ter. Os turistas ficam lá em baixo no Algarve porque têm praia, têm muitos pubs británicos e diversões, jogam ténis e golf, têm bingos, fazem desportos náuticos, etc… Eles estão no melo de compatriotas, apanham grandes bebedeiras e sentem-se em casa. Já sei que me vai dizer que temos muitos recursos, temos a barragem do Castelo do Bode, mas os turistas aborreciam-se se lá estivessem mais do que 3 dias. Por tudo isto eu sou contra de se gastar muito dinheiro com esses prémios.

    • Prezado Helder Silva:
      Para que não continuemos a falar um de alhos e o outro de bugalhos, esclareço que a minha formação académica, além das “lettres modernes”, foi a economia do turismo. Estes comentários são portanto para mim um agradável retorno à minha área profissional e do saber académico.
      Embora de acordo com os dados oficiais disponíveis, vivam em Tomar 1.180 estrangeiros, o que parece contrariar a sua afirmação de que se aborreceriam em Tomar ao fim de 3 dias, não me parece adequado tentar comparar o Algarve com Tomar. São tipos de turismo diferentes. Balnear na costa sul, cultural no vale do Nabão.
      Partindo dessa divisória, temos no Algarve estadas-tipo de 3, 7 e 15 dias, vendidas por operadores turísticos estrangeiros, em regime de viagem, alojamento e pequeno almoço, ou em tudo incluindo. Seguem-se as estadas residenciais, muito mais longas e destinadas sobretudo a séniores. ou gente endinheirada.
      O caso de Tomar é diferente. Na área do turísmo cultural, está bem posicionada em três pontos: grandes monumentos, conjuntos urbanos de relevo e parques naturais. Por deficiente administração municipal e regional, desde sempre que os turistas vêm Tomar unicamente para visitar o Convento de Cristo. Fazem-no, regra geral, em regime o mais acelerado possível, por já saberem, de acordo com os guias que antes leram, não haver condições para estadas mais prolongadas. Falta estacionamento seguro e acessível, faltam instalações sanitárias, falta informação atempada e completa, falta sinalização, falta animação, faltam estruturas de acolhimento, como exemplo um parque de campismo urbano que já houve ou um pavilhão para congressos, que nunca houve.
      Nestas condições, o que proponho é uma alteração de paradigma, que permita passar a aproveitar os dois outros polos turísticos -o conjunto urbano e arredores, bem como toda a zona da albufeira. Tudo isso para que os turistas prolonguem a sua estada da usal hora e meia para um ou dois dias, para começar.
      Parece algo bem modesto, mas se os 300 mil visitantes anuais do Convento de Cristo passarem a percorrera as ruas da urbe, há no mínimo forte possíbilidade de almoçarem ou jantarem, bem como comprarem um souvenir. Pouca coisa afinal: mais 300 mil refeições a 15 euros em média, serão apenas mais 4,5 milhões de euros na economia local. Além dos 300 mil souvenirs a 10 euros/peça, o que dá mais 3 milhões de euros, ou seja um ganho líquido mínimo de 600 mil euros. Além do alojamento. Além dos empregos implícitos, etc. etc.
      Mas é evidente que nada disto se vai conseguir só com palpites aqui no Tomar na rede, belas discussões de café, ou votos nos candidatos que mais prometem, mas não apresentam programas credíveis.
      É como diria o Zé Povinho: “Isso dá uma trabalheira desgraçada e não compensa!”

      • Há poucos anos vinha de Londres para Lisboa num avião da Ryanair e vinha a meu lado uma turista búlgara, mas que vivía no Reino Unido e como ela não conseguiu lugar ao lado do namorado veío á conversa comigo durante as duas horas de vôo. Já traziam tudo preparado, o carro já estava alugado, já sabiam onde íam dormir e já sabiam o que íam visitar, e já tinham uma ideia de quanto iríam gastar com a comida, pediu-me algumas sugestões da gastronomia tradicional, os quartos já estávam alugados e pagos, e eles queriam ver o mais possível. Tomar estava na rota. Eu não tenho qualificações em gestão turistíca, mas com todo o respeito discordo da sua opinião de que é possível manter os turistas em Tomar durante muitos dias. Esses 1180 estrangeiros que vivem em Tomar são residentes, não são turistas. Eu costumo a passar duas semanas em Tomar e almoço e janto fora frequentemente nos melhores restaurantes, vou petiscar nas tascas, e vejo lá imensos estrangeiros, alguma coisa de bem estava a ser feita, esperemos que continue depois disto passar. Cumprimentos

        • Bem haja pela sua resposta discordante, sr. Helder Silva. O sereno debate de ideias permite encontrar novas soluções, além de fortalecer a convivência e a democracia.
          Essa sua companheira búlgara de viagem é afinal que o caso mais corrente no turismo moderno.
          Para as suas férias, ou simples fins de semana, os candidatos a viajar, ou se dirigem a uma agência de viagens ou programam eles próprios. No primeiro caso, compram um pacote já feito, ou pedem a elaboração de um pacote pessoal, com tal e tal exigência. No segundo, procuram informações na Net, e/ou adquirem um guia especializado (Routard, Guide Bleu, Michelin ou Bison futé em francês; American Express ou Lonely planet, em inglês; Baedeker em alemão), para depois programarem a sua viagem e/ou estada no país ou região escolhida.
          A sua companheira de viagem já tinha na rota a visita a Tomar, muito provavelmente só o Convento de Cristo, porque foi isso que lhe venderam. Quem trabalha ou trabalhou no turismo, conhece bem duas máximas axiomáticas: B -“Cada turista só encontra e tem direito àquilo que antes pagou.” B – “Os turistas vão para onde os levam, é preciso é saber levá-los.”
          Nestas condições, apenas dois curtos esclarecimentos. 1 – Lamento, mas os estrangeiros residentes no concelho de Tomar, se exceptuarmos os que ainda exercem um profissão remunerada, são turistas residenciais para todos os efeitos. Como eu no Brasil nesta altura. 2 – Não escrevi em lado algum que é possível “manter os turistas em Tomar durante muitos dias.” Limitei-me a 1 dia ou 2, consoante o programa pré-definido. É já expliquei como e com que objectivo.

  3. Na falta de ideias e projetos, “amandam-se umas bocas” simpáticas para animar o povo. Recentemente foi o presidente do Novo Banco a querer comparar Santarém com Braga na relação da primeira com Lisboa e a segunda com o Porto! Agora é o vereador tomarense a fazer comparações destemperadas. Mas como é possível comparar uma cidade jovem, universitária, integrada no Grande Porto, com um dos maiores centros tecnológicos portugueses, sede nacional de multinacionais e de manufaturas de referência, com uma cidade que se auto intitula do interior e se auto define como integrada em região de baixa densidade populacional, ou seja, em regressão?

  4. Tomar tem condições de base para ser diferente, e estar muito melhor do que está. Tem condições, se não para entrar em corridas que exigem muito fôlego e arcaboiço, com esses prémios pagos ou comprados, para percorrer trilho próprio, é quase autónomo.
    Tem ativos específicos para valorizar, tem uma ou duas cadeias de valor para integrar e e onde podemos vislumbrar a criação de clusters” onde alicerçar um futuro prometedor.
    Mas não tem, pelo menos à vista, administradores capazes de compreender isso, e de largar visões tacanhas que acabam amanha e na conquista de votos que permitam manter galhardas posições de mando enfatuado. Não é de agora, este mal. Mas como o declínio progride e incomoda, é agora mais visível.

  5. Comparar 2 cidades que andam a velocidades diferentes….O Convento de Cristo recebeu 300 mil visitantes o Bom Jesus mais de 1 milhão. O ano passado foi inaugurado um hotel em Braga que tem mais quartos que todos os alojamentos de Tomar. Um concelho com 200 mil habitantes e um concelho com 34 mil e estagnado. Uma cidade com à 20 anos atrás tinha um potencial turístico enorme e passados 20 anos não sai desse potencial. Este prémio que Braga recebeu pode ter muitos defeitos mas resulta da muito trabalho de todos os agentes que trabalham na área do turismo na cidade e para o ano vão colher os seus frutos. Tomar tem tanto para oferecer como por fazer…cidade templária, com um centro histórico lindíssimo uma festa dos Tabuleiros única no mundo, uma gastronomia rica e com uma localização geográfica fantástica. Um Politécnico com um dos melhores cursos de Turismo Cultural em Portugal. Saber académico pronto a ser ouvido e utilizado. Que te falta Tomar? Gente com vontade na Câmara e com capacidade de envolver os seus agentes turisticos da cidade.

    • Obrigado pelo seu comentário tão certeiro, Jorge Manuel. O seu conteúdo indicia que foi escrito por um profissional de turismo e o endereço @ mostra que é bracarense. Dois argumentos fortes para recomendar a respectiva leitura aos senhores autarcas tomarenses. Sobretudo aos da maioria.

      • Caro António Rebelo obrigado pelas suas palavras. Bracarense de gema, profissional de turismo com muito orgulho, mas permita-me que lhe diga que tenho uma costela Tomarense onde passei 5 maravilhosos anos da minha vida e sempre que posso vou ai. Devo muito a essa cidade, suas gentes, Politécnico e Bombeiros onde passava os meus tempos livres de estudante. Precisamente por sentir um amor e gratidão profunda a essa cidade é que decidi fazer o meu humilde comentário. Corta-me o coração ver uma cidade com tanto potencial turístico a ser negligenciado por quem de direito devia fazer o planeamento, gestão e promoção turística de Tomar. Tiro o chapéu aos agentes e empresários turísticos da cidade que lutam todos os dias para sobreviver e dar a conhecer essa linda cidade. Afinal de contas são eles que fazem com que os turistas escolham Tomar para pernoitar dando-lhes alternativas (e isso é tão importante). Seria interessante saber desses 300 mil visitantes que visitam o Convento de Cristo quantos descem a Tomar. É ver os autocarros passar e tanto fica por ver na cidade. Vejo de ano para ano a cidade a perder população, estudantes, militares e oportunidades. São feridas que depois dificilmente se curam. Cá em Braga lutamos tal como os agentes turísticos de Tomar, mas temos uma Câmara Municipal que está connosco e acredite que não nos apoia financeiramente. Há tantas maneiras de ajudar e apoiar. Isto porque a CMB sabe que ajudando, promovendo e divulgando todos ganham. Ganha a cidade, ganha a população, ganhamos nós, ganha a economia da cidade…dinamismo, planeamento e cooperação são as palavras de ordem meu caro. Tudo bem que Braga e Tomar são cidades diferentes, realidades diferentes, dimensões diferentes, mas olho para concelhos à volta de Tomar e cada um que tire as suas conclusões. Um forte abraço e tudo de bom para Tomar e os Tomarenses.

  6. E a CMT não promove Tomar???!!!! Quem é que patrocina o Sporting de Tomar?!!! E antes era o politécnico. Eu ainda sou do tempo em que entrava no pavilhão e no estádio e via a publicidade do Grupo Mendes Godinho, Platex, Rações Sol, etc…, e de outras empresas que eu agora não me lembro, já foi há tantos anos, e agora não se vê nada!!!! O maior empregador do concelho é a câmara, o segundo é o exército ou o ministério da educação.
    Antes da pandemia todas as semanas haviam iniciativas em Tomar, quer desportivas quer culturais. Provas de BTT, o wakeboarding, a canoagem, feira de velharias, pesca desportiva, exposições de lego, aeromodelismo, carros antigos, exposições de pintura na antiga biblioteca, etc…,etc…, é raro a semana em que não há actividades em Tomar, daí eu já ter elogiado aqui várias vezes a vereadora sempre em festa, como lhe chamam aqui. Tomar é uma cidade boa para viver para quem tenha trabalho ou já e esteja reformado. E lembro-me de um fim de semana que eu passei aí em que houve actividades do exército no estádio municipal, em que o trânsito foi cortado, o que foi muito criticado. Os Tomarenses querem dinamismo mas não querem sofrer inconvenientes!!!
    Falam dos 300 mil visitantes do Convento, e que grande parte deles não vêm cá abaixo!!! Eu não tenho números para refutar isso mas sinceramente acho que vocês estão enganados quando dizem que o potêncial não está a ser aproveitado. Antes pandemia via autocarros com asiáticos a pararem em frente ao antigo hospital e via essas comitivas a passearem pela parte velha da cidade, a parte nova não tem o que vêr. Eu acho que vocês estão a exacerbar as condições e o potêncial turístico de Tomar, não é assim tanto como vocês dizem. Se calhar até já passou o limite, se calhar já não suporta mais camas disponíveis ou restauração. A vaca já não dá mais leite. A festa dos tabuleiros é só de 4 em 4 anos. O União não joga na Champions League como o Braga, joga nos distritais. Cego é aquele que não quer ver, e se Tomar continuar a viver na utopia nunca vai melhorar.

    • Agradecendo mais este seu simpático e esclarecedor comentário, aproveito para uma sintética “revisão da matéria dada.”
      1 – O que tenho criticado nos meus escritos sobre turismo não é a falta de promoção, mas o excesso da mesma, cujos resultados práticos não são controlados.
      2 – Ao contrário do que o Helder escreve, o grande problema do turismo tomarense é mesmo o dos visitantes que vão ao Convento e partem sem descer à cidade. Para ter uma ideia, vou citar números de cabeça: Antes da pandemia, em 2019 portanto, visitaram o Convento de Cristo quase 400 mil visitantes, mas apenas cerca de 20 mil, (um em cada 20!!!), entraram na Sinagoga.
      3 – Não é com as iniciativas ditas culturais, ou mesmo com as idas à FITUR-MADRID, que se vai conseguir melhorar a modesta indústria turística local. Falta um bom plano local de desenvolvimento turístico, com ideias rigorosas e inovadoras, bem como quem depois o saiba implementar, e tenha coragem política para o fazer. Com gente habituada ao blábláblá e a sacudir a água do capote, já começamos a perceber onde vamos parar, infelizmente.
      4 – Aconselho a leitura atenta dos dois comentários acima do Jorge Manuel, um profissional de turismo bracarense formado em Tomar, que não tenho o gosto de conhecer. Particularmente quando escreve isto: “PARTE-ME O CORAÇÃO VER UMA CIDADE COM TANTO POTENCIAL TURÍSTICO A SER NEGLIGENCIADA POR QUEM DE DIREITO DEVIA FAZER O PLANEAMENTO, GESTÃO E PROMOÇÃO TURÍSTICA DE TOMAR”.
      “Quem de direito” é naturalmente a Câmara Municipal de Tomar.
      Repare Helder na démarche rigorosa de um competente profissional de turismo: PLANEAMENTO > GESTÃO > PROMOÇÃO. Nunca o carro à frente dos bois, ou seja neste caso a promoção antes do adequado planeamento. Porque planear com rigor é sempre muito trabalhoso, mas as idas às feiras de turismo são sempre belos passeios à custa dos contribuintes.

  7. Caro Helder não veja os meus comentários como um ataque ou critica destrutiva sobre Tomar. Pelo contrário. É a minha humilde opinião sobre uma noticia que envolve as duas cidades que mais gosto e amo. Não dá para trocar muitas ideias por aqui, mas por favor não misture promover turisticamente a cidade de Tomar com o ajudar o Sporting de Tomar. Promover o desporto é uma coisa, promover um destino turistico é outra. Eu disse que Braga e Tomar são realidades diferentes mas o senhor tem exemplos de cidades da dimensão de Tomar que se mexem bem melhor. Tenho pena que não acredite no potencial que Tomar tem como destino turistico e desculpe que lhe diga mas a cidade está longe de ultrapassar a capacidade de carga. Se assim fosse então o que diria Braga ou Guimarães. Meu amigo tem aqui ao lado a cidade de Ponferrada. Capital dos Templários em Espanha com 60 mil habitantes. Uma cidade longe de tudo e todos bem mais interior que Tomar mas quando se fala em promoção turistica…..e claro colhem os seus frutos. E a nivel de beleza Tomar mete num bolso Ponferrada. Qjuando queremos falar de um assunto é importante ter números e dados. O Senhor não sabe quantos visitantes que vão ao Convento descem ao centro histórico…fala dos asiáticos, mas não quantifica. Entao e os Polacos, Brasileiros, Franceses entre outros que vão ao Convento e seguem logo para Fátima para dornir? O carissimo António já forneceu alguns números que são preocupantes mas que não me surpreendem. Já quando ai estudei se discutia o problema dos autocarros irem ao Convento e não virem à cidade. Pelos vistos o problema manten-se e deve ser encarado e assumido sem nenhum tabu. Aqui quem visita Braga, vai ao Bom Jesus ou quem visita Guimarães vai ao Paço dos Duques. Não se visira o Bom Jesus e Paço dos Duques e depois logo se vê se dá para visitar o centro de Braga ou Guimarães. Eu acho que a CMT pode e deve fazer mais. Ás vezes basta ter um vereador da pastado turismo sensível e que entenda minimamente da “poda” para ser meio caminho andado.
    Ao Senhor António Rebelo, Helder Silva um dia que venham a Braga terei todo o gosto de os receber e trocar algumas impressões. Cumprimentos.

    • Bom dia e boa saúde, prezado Jorge Manuel.
      Obrigado pelo seu convite para o visitar aí na cidade dos arcebispos. Pode vir a acontecer com todo o gosto, lá mais para o fim do ano. Por agora prossigo com a caminhada diária ao longo do enorme calçadão de Fortaleza – Ceará – Brasil.
      Mesmo que tivesse a intenção de ir a Portugal nesta altura, não o poderia fazer. Até nova ordem, não há ligações aéreas Brasil-Portugal-Brasil. Um “voo humanitário de repatriamento” Lisboa-S.Paulo-Lisboa, previsto para 26 e 27 deste mês, já está esgotado, com os últimos bilhetes vendidos a 1.350€, por trajecto, segundo os jornais. O preço usual era de 600€ ida e volta.
      Quanto mais o leio, mais concordo consigo no que concerne à triste situação tomarense. Vamos ver se nas próximas autárquicas conseguimos eleger timoneiros com outra visão das coisas. Mas não vislumbro grandes perspectivas.
      A casmurrice é algo bem tomarense. De qualquer modo, os seus comentários foram, como é uso dizer-se, “uma saudável pedrada no charco”, que me apraz louvar. Oxalá os senhores autarcas e respectivos séquitos os tenham lido e entendido.
      Até mais, como se diz por aqui.

  8. Caro António até lá cuide-se e aos seus. Fácil encontrar-me cá em Braga. Apesar de ter uma empresa de animação turistica (não me parece correto fazer aqui a publicidade) basta perguntar no posto de turismo de Braga pelo guia Jorge Vilela que certamente lhe facultam o meu contacto. Terei todo o gosto em me encontrar com o carissimo.

    Cumprimentos.

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