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Tejo Ambiente, uma empresa que nasceu doente

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Dois anos após a sua fundação, e subsequente anúncio por Anabela Freitas de uma redução média de 20% no tarifário da Tejo Ambiente, anunciou esta empresa a necessidade de um aumento médio de 20%, para conseguir uma gestão equilibrada. Ou seja, após dois anos de atividade e injeções de capital que só da parte do Município de Tomar chegam aos dois milhões de euros (em parte com o voto contra da Assembleia Municipal), há necessidade de aumentar os preços em 20%, quando a inflação nem sequer chega a metade.

A situação é de tal modo grave e instável, que Anabela Freitas garantiu a união das seis câmaras integrantes, afirmação que vale o que vale, vinda de onde vem. A própria “emissora oficial da câmara” noticiou, em 11 do corrente, que “Subida de preços da Tejo Ambiente tem suscitado duras críticas de diversos quadrantes.” Que se passa afinal?

É do conhecimento geral que o plano inicial de viabilidade económica, ou foi feito por incompetentes, ou deliberadamente maquilhado, de forma a permitir o arranque da empresa.

Desde então, sucedem-se os percalços e nada garante que o novo estudo de viabilidade económica e o preçário anexo, agora apresentados, venham a garantir a saúde financeira da empresa.

Há indícios de que a principal preocupação dos sócios e outros gestores da Tejo Ambiente não é a satisfação dos consumidores nem o equilíbrio financeiro, mas simplesmente a manutenção de empregos bem remunerados e pouco exigentes. Um desses indícios é o recurso à habilidade que consiste em evitar, tanto quanto possível, o escrutínio dos clientes. É bem sabido que, forçadas a publicar em cada embalagem a composição do produto alimentar que vendem, as diversas empresas recorrem à letra tão miudinha que quase ninguém consegue ler. Mas cumprem a lei.

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A Tejo Ambiente não foi por aí, mas ligeiramente ao lado. Optou por um tarifário complexo, com preços de quatro casas decimais, que nada justifica. Num país cuja iliteracia em contas é bem conhecida, não adianta dizer mais. Busca-se iludir os clientes.

Perante tal prática condenável, enveredou-se por outra via: Comparar as tarifas fixas, em vez das variáveis em função do consumo. Escolheram-se três dessas tarifas, em Tomar (Tejo Ambiente), em Ourém (Be Water, empresa multinacional privada) e em Almeirim ou Torres Novas (Águas do Ribatejo). A primeira tarifa fixa que qualquer consumidor tem de pagar, quer gaste muita ou pouca água, é o velho “aluguer do contador”, agora transformado em “Taxa de disponibilidade” na água, e taxa de potência na energia elétrica.

A outra taxa fixa é a de ligação à rede, com a colocação do contador, sendo a terceira a oposta: o corte de fornecimento a pedido do consumidor, com ou sem retirada do contador.

E aqui vai o que se apurou, susceptível de chocar alguns cidadãos mais ingénuos:

 

Taxa mensal de disponibilidade – Consumos domésticos

 

Tomar -Tejo Ambiente

Contador com 25 mm ——————-12,88€

Contador 30-50 mm———————-32,21€

 

Ourém (Be water)

Contador com 25mm ou superior—-12,132€

 

Torres Novas (Águas do Ribatejo)

Contador de 25 mm————————-3,7€

Contador de 30 mm ou superior——11,93€

 

Taxa única de ligação ou corte de fornecimento – Consumos domésticos

 

Tomar – Tejo Ambiente

Ligação à rede——————————50,00€

Corte a pedido do consumidor…………50.00€

 

Ourém – Be Water

Mudança de contador———————15,55€

Corte a pedido do consumidor…………11,67€

 

Torres Novas (Águas do Ribatejo)

Suspensão de fornecimento————-25,00€

Religação————————————-25,00€

 

Conclusão, Mesmo sem comparar o complexo tarifário geral, conclui-se que o aumento anunciado só pode ser superior a 20%, uma vez que já pagamos preços mais elevados, que ultrapassam o dobro em certos casos. Pelo que, se a Tejo Ambiente é uma empresa séria, não parece.

Mas se os tomarenses continuam encantados com as festas e outros eventos, que havemos de fazer? Calçar os patins e ir dar uma grande volta, quando seja possível. Aos outros restam as missas ou os banhos gelados, calmantes ao que parece.

 

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11 comentários

  1. Nem sequer se trata de pagar o Mercedes da Anabela. Apenas de ir pagando a incompetência, a intolerância e a manifesta cegueira de eleitos pelo povo do concelho com maioria absoluta. É triste e desesperante, mas infelizmente indesmentível.

  2. Bem Vindo Professor Rebelo

    Fica aqui para que o Senhor e Todos os Tomarense compararem os preços praticados em Lisboa, Seixal e Tomar, e depois tirem as conclusões que entenderem.

    – LISBOA
    * Abastecimento de Água(Escalão/30 dias) *
    ÁGUA
    1º Esc. Até 5 m3(5 000 litros) = 0,4203
    2º Esc. > 5 m3(5 000 litros) a 15 m3(15 000 litros) = 0,7860
    QUOTA SERVIÇO = 0,1736
    * CMLisboa – Saneamento(Escalão/30 dias) *
    TAR. DISP. SANEAMENTO-C.M.LISBOA = 0,1000
    TAR. VAR. SANEAMENTO-C.M.LISBOA
    1º Esc. Até 5 m3(5 000 litros) = 0,2198
    2º Esc. > 5 m3(5 000 litros) a 15 m3(15 000 litros) = 0,5787
    * CMLisboa – Resíduos Urbanos *
    TAR. DISP. RU-C.M.LISBOA = 0,0744
    TAR. VAR. RU-C.M.LISBOA = 0,1710
    * CMLisboa – Adicional *
    ADICIONAL C.M.LISBOA = 0,1345
    * TAXAS *
    TX.RECURSOS HÍDRICOS ARH = 1) 0,0403
    TX.RECURSOS HÍDR. SAN. ARH = 0,0237
    TX. GESTÃO RU (TGR) = 0,0178
    1)Preço Médio

    – SEIXAL
    * ÁGUA *
    1º Esc. Tarifa variável Água (0 – 5 m3 em 30 dias) = 0,3660700
    Tarifa Fixa Água = 0,070400
    * SANEAMENTO *
    Tarifa Fixa Saneamento – 0,052900
    * RESÍDUOS URBANOS *
    Tarifa Fixa Resíduos – 0,044000

    – TOMAR
    * ABASTECIMENTO DE ÁGUA *
    Água – Tarifa variável
    1º Escalão 0 – 5m3/30 dias = 0,5276
    Água – Tarifa fixa = 0,1400
    * SANEAMENTO *
    Saneamento – Tarifa variável
    1º Escalão 0 – 5m3/30 dias = 0,2930
    Saneamento – Tarifa fixa = 0,1337
    * RESÍDUOS SÓLIDOS *
    Resíduos – Tarifa variável = 0,1666
    Resíduos – Tarifa fixa = 0,0798
    * RECEITAS DO ESTADO *
    TRHA – Água = 0,0609
    TRHS – Saneamento = 0,0168
    TGR – Resíduos = 0,0807
    TCQA – Qualidade Água = 0,0018

  3. Obrigado pela excelente achega, todavia demasiado complexa para permitir comparações gerais fáceis. Ainda assim, topa-se perfeitamente que Tomar vende água para ricos, a 0,5276/metro cúbico até 5 m3; Lisboa vende água para remediados, a 0,4203/metro cúbico, até 5 metros cúbicos e o Seixal vende água para pobres a 0,3660700/metro cúbico, até 5 metros cúbicos.
    Parecem diferenças insignificantes, mas quem gastar 10 metros cúbicos/mês paga 36, 7 euros, mais uma enfiada de alcavalas, no Seixal; 42 euros mais alcavalas em Lisboa e 52,8 euros mais alcavalas em Tomar. Com um detalhe curioso:
    A água vendida em Lisboa vai de Tomar, mais precisamente do Castelo do Bode. Temos assim que, ao contrário do que acontece na generalidade dos países, em Portugal, quanto mais longe vai a água, mais barata fica. Mal regresse a Tomar, vou já tentar conseguir a troca da Tejo Ambiente para a Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas. Deve ser muito mais barata em Tomar, pois virá lá de cima de Trás os Montes.

  4. Peço desculpa pelo lapso, certamente devido à distância a que me encontro dos acontecimentos. Na realidade, quem gastar 10 metros cúbicos paga 5,28€ mais várias alcavalas em Tomar, 4,20€ mais várias alcavalas em Lisboa e 3,67€ mais várias alcavalas no Seixal.

  5. Alguėm que faça alguma coisa.Água é um bem essencial e não há concorrência no fornecimento. As câmaras deveriam tomar uma atitude já que têm muita responsabilidade na formação desta empresa inviável. O ordenado da maior parte das pessoas não dá para tanto. E eu só vejo funcionarios das águas a passear carrinhas novas e paga o povo. Fomos um país grande ee nobre em acções contra a injustiça.

  6. Alguém sabe o que se passou com as águas municipais em Mafra? Temos de ir pondo as barbas de molho porque em Tomar há a tendência para o descalabro, e eu estou desconfiada que Mafra não irá ser caso único!

  7. António Rebelodiz:
    13 de Junho de 2022 às 14:51
    Nem sequer se trata de pagar o Mercedes da Anabela. Apenas de ir pagando a incompetência, a intolerância e a manifesta cegueira de eleitos pelo povo do concelho com maioria absoluta. É triste e desesperante, mas infelizmente indesmentível.
    ————————————-“————————————————–“———————————————————
    Bom dia Prof Rebelo
    Em relação ao assunto acima abordado pelo Profº, em minha opinião num país com tantas carências devia ser expressamente proibido às Câmaras Municipais adquirirem ou alugarem viaturas de luxo para uso do executivo como neste caso (Mercedes C300 DE, equipado com estofos em pele, cx automática de 9 velocidades, movido por um Motor diesel Híbrido com potencia superior a 300cv, mais concretamente 306 cv)….. As viaturas dum município são para trabalhar….

  8. As autarquias são uma das maiores fontes de corrupção que existem no nosso país. E vai de alto a baixo, poucos escapam. Se tem dúvidas, experimente construir uma casita na sua aldeia e verá… E necessário não embarcar neste esquema de pagar a facilitadores e denunciar todos os abusos. Os autarcas são eleitos por nós e podemos correr com eles em próximas eleições. E podemos também denunciá-los nas reuniões das Assembleias Municipais.

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