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Só agora é que perceberam?

Encerramento da E.B. Infante D. Henrique

escola infante d. Henrique 385

Está a provocar grande alarido e preocupação o anunciado encerramento da Escola Básica Infante D. Henrique. Pouco mais de duas horas após a publicação aqui no Tomar na rede, a respectiva notícia já tinha ultrapassado as 1.300 visualizações. Não se percebe porquê.

É certo que, uma vez mais, a Câmara PS não informou nem dialogou previamente. Também é certo que a oposição PSD se manteve muda e queda, bem ao seu estilo. Neste caso provavelmente por  também não ter sido informada antes. Está a tornar-se cada vez mais evidente que a maioria socialista camarária adotou o estilo “quero, posso e mando”, próprio dos regimes autoritários.

Dito isto, o anunciado encerramento da escola era há muito previsível. E outros se seguirão, inevitavelmente. Salvo se entretanto houver alterações políticas substanciais, por agora pouco ou nada prováveis. Os tomarenses são geralmente teimosos e os eleitos locais obstinados.

Como bem sabemos todos, um hospital é um edifício devidamente equipado, com administrativos, auxiliares, médicos e doentes. Sem doentes, deixa de ser hospital. Passa a ser um armazém de funcionários. Tomar deixou de ter maternidade, quando deixou de haver parturientes que justificassem a sua existência.

Outro tanto acontece com as escolas. Mesmo com auxiliares, administrativos e professores, sem alunos são apenas edifícios públicos com funcionários supérfluos. Nesta altura, o Centro Escolar de Casais, por exemplo, tem menos alunos, mas mais professores, do que no seu primeiro ano de funcionamento. Parece óbvia a inviabilidade de prolongar tal situação anómala. Quanto mais não seja por falta de recursos para a financiar.

Irritados com o para eles inesperado encerramento da Básica Infante D. Henrique, os pais e encarregados de educação, (abstraindo a questão da falta de informação adequada por parte do executivo camarário) só se podem queixar deles próprios. Só agora é que perceberam que, votando em quem prefere custosas festas à borla, subsídios com fartura, passeatas e comezainas, em vez de procurar atrair população e investimento que gere empregos, nomeadamente mediante a redução da asfixiante burocracia municipal, estão a contribuir para a redução da população e da natalidade? Só agora é que perceberam que menos população = menos natalidade = menos alunos = menos escolas = menos professores = menos natalidade = menos alunos, numa espiral para o abismo?

Ainda bem que pais e encarregados de educação parece que finalmente acordaram. Oxalá não seja apenas para exigirem, como é habitual, que se mantenha tudo como está, mesmo com cada vez menos alunos. Alegando que Tomar está em crise, pelo que a autarquia e o governo têm de ajudar a manter os postos de trabalho. Ou seja, para agravar ainda mais ou que já não está nada bem, justamente por se andar há muitos anos a ajudar os coitadinhos.

Acordem! Convençam-se, de uma vez por todas, que não se podem fazer omeletes sem ovos e que, neste caso das escolas, quem anda à chuva molha-se.

Nas próximas eleições, não se esqueçam que, conforme reza o adagiário popular, “com papas e bolos se enganam os tolos”. Ou julgam que as festas, os subsídios, os compadrios, as comezainas, o excesso de pessoal sentado, não se pagam a dobrar, mais tarde ou mais cedo?

                                                             Anónimo identificado pela redação

 

Escrita por Redação

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Comentários

Responder
  1. Mas este cavalheiro não é o mesmo que, de quatro em quatro anos, apesar das críticas, vota sempre no PS ? Não votou ele na Anabela ? Não a considerou menos má do que os restantes candidatos ?

    Sinceramente, queixa-se de quem e de quê ?

  2. Peço-lhe muita desculpa, mas não consigo atingir a coerência deste seu obtuso comentário. Permita-me que comece pelo fim. Onde é que você foi buscar no meu texto que me estou a queixar de algo ou de alguém? É- lhe assim tão difícil fazer as destrinça entre uma discordância, uma observação crítica e uma queixa?
    Admitindo, só como base de raciocínio, que eu era quem você pensa, o “este cavalheiro que…”, qual a relação entre umas coisas e as outras? Alguém que vota, ou deixa de votar, na formação A ou Z, fica para sempre amarrado a essa posição? No seu entender, é proibido, ou pelo menos muito criticável, mudar de opinião? Você nunca mudou de opinião?
    Concluindo: Se, segundo você escreve, o alegado autor considerou a senhora presidente “menos má que os restantes candidatos”, onde foi você desencantar no texto algo que altere essa posição?
    Não lhe parece que é sempre preferível ficar calado, em vez de debitar incongruências? pelo jeito não. O que é pena.

  3. O texto tem o mérito de chamar a atenção para o facto de não havendo procura de serviços públicos não faz sentido tê-los em funcionamento ou em funcionamento para uma capacidade desnecessária. É assim com escolas, hospitais, esquadras de polícias. E isso acontece quando se perde população, como é o caso de Tomar nos últimos 35/40 anos, processo agravado nos últimos 20. Um processo que acontece devido à transição de uma cidade de manufacturas para uma cidade de turismo, uma transição que se julgou sem consequências económicas e sociais. Já o argumento das alterações políticas é difícil de compreender: se a gestão PS não trouxe avanços em termos de atrair população activa, espera-se que o PSD o consiga? Mas não foi com o PSD que vingaram as ideias da dispensa das actividades industriais, para se centrar no turismo cultural? E não foi com o PS e PSD que as novas vias de comunicação passaram ao largo de Tomar? Não será que os tomarenses desejam mesmo que Tomar seja só “A Cidade dos Eventos” como se dizia na campanha do PSD há 7 anos? Fala-se em serviços públicos a encerrar e onde estão as novas empresas privadas para além do comer e dormir? A alteração política no actual quadro partidário tomarense não vai resolver nada enquanto não houver uma alteração de estratégia para o desenvolvimento da cidade, travando a desertificação.

    • Começo, sr. Francisco do O, por aplaudir o seu comentário, magnífico tanto na forma quanto no conteúdo. Por ser coisa rara por estas bandas, até o copiei, para poder responder em detalhe, mas de forma sucinta, que os tomarenses não gostam mesmo nada de textos longos.
      Concordo quase inteiramente com as suas posições, divergindo apenas nalguns detalhes, que passo a avançar.
      Houve realmente, como escreve, “transição de uma cidade de manufaturas para uma cidade de turismo”, mas essa mudança falhou, por dois motivos centrais. Antes de mais porque, como sabe, as manufaturas faliram todas. Depois, porque tornada assim inevitável a mudança, a tal transição, ela nunca foi feita. Nem sequer tentada sério. Ficou-se em grande parte pelo blá-blá-blá.
      Topa-se agora que nem podia ser de outra maneira, porquanto os eleitos locais e os seus mentores quando falam de turismo cultural, não sabem muito bem o que estão a dizer. Conhecem vagamente os contornos mais aparentes (eventos, visitas, património), mas ignoram completamente a dimensão económica da coisa. Falo obviamente da cadeia de criação de valor acrescentado. E face a tal ignorância, só podia vir o que aí está -a decadência acelerada.
      Sustento porém que a culpa não é do turismo cultural. Basta estudar um bocadinho os casos de Fátima ou Óbidos, por exemplo.
      Sendo verdade, como diz, que o PSD local cometeu erros monumentais, tal não impede que a ambicionada mudança tenha de vir daí, ou de ainda mais à direita. Dada a natureza do PS, só os seus adversários de direita podem facilitar a vida à iniciativa privada, sem a qual não há indústria turística digna desse nome que possa resistir.
      Se o vão conseguir ou não, isso já é matéria para futuros escritos.
      No quadro atual, parece evidente que os tomarenses adoram “uma cidade de eventos”, enquanto for tudo gratuito, julgam eles. Infelizmente, a gestão PS que nos calhou na rifa, faz tudo para reforçar essa crença. Falta saber até quando os impostos recolhidos vão dar para alimentar esses atentados ao bom senso económico.
      Onde estão as novas empresas privadas, pergunta o sr. Francisco, com toda a razão. Não estão, porque um PDM canhestro tende a repeli-las. Não estão, porque a burocracia autárquica tomarense é pavorosa. Não estão, porque é demasiado voraz o apetite de alguns quadros superiores públicos. Não estão porque não há um plano adequado de desenvolvimento económico local e regional.
      Estou totalmente de acordo com o sr. quando escreve que “A alteração política no actual quadro partidário tomarense não vai resolver nada, enquanto não houver uma alteração de estratégia para o desenvolvimento da cidade, travando a desertificação.” Apenas alteraria alguns termos. “Enquanto não houver quem consiga propor, aprovar e implementar uma nova estratégia…”

  4. Realmente uma cidade turística onde não existem WC’s públicos e bebedouros em quantidade suficientes já mostra bem o quão preocupado está o município.
    E alguém falava do problema do estacionamento dos autocarros em outro comentário… se não têm onde estacionar próximo do centro… vão-se embora.
    Em outro artigo falava-se de como o percurso para o Convento de Cristo estava de tal forma feito que incentivava a ida para lá dos autocarros e o ir embora sem passar pela cidade.

    Tirando o Convento de Cristo que outra coisa de jeito existe para ver na cidade? Talvez a Mata Nacional dos Sete Montes ali ao lado?
    Para atrair as pessoas ao centro da cidade têm de fazer alguma coisa lá. Eu tirava dali o estádio e o parque de caravanas e transformava toda aquela zona (e o mais espaço que conseguisse arranjar por ali) num jardim botânico ou pelo menos num jardim muito mais bonito e romântico, e arranjava maneira de existirem exposições permanentes de coisas realmente interessantes e não aquele lixo intelectual e decadente que abunda hoje em dia um pouco por todo o lado.

    Quanto à indústria… o município pouco pode fazer… até podem ter uma zona industrial linda e tal mas têm de ser os particulares a querer avançar… e com todos os problemas burocráticos, de legislação e com o fisco sempre à caça de lixar quem quer trabalhar… ninguém se sente incentivado a trabalhar… quanto mais trabalhar mais tem de largar para o estado em vez de ficar com mais para si…. enfim o sistema fiscal é injusto e é normal que as pessoas se sintam incentivadas a fazer o mínimo possível… já para não falar que não se pode despedir só porque sim… e isso é outro enorme problema, quem quer contratar sabendo que é extremamente difícil despedir pessoas em especial se as mesmas avançarem para tribunais e isso? Os “malucos” talvez.

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