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Situação tensa nos Bombeiros municipais de Tomar

A tribuna de António Rebelo

TAL COMO EM 25 DE ABRIL DE 74

OPERACIONAIS TOMARENSES REVOLTAM-SE CONTRA MÁ GESTÃO MUNICIPAL

 

Já era do domínio público que reina grande descontentamento nos bombeiros municipais de Tomar, revoltados com as suas péssimas condições de trabalho e de remuneração. Agora foi a vez do seu comandante apresentar o pedido de exoneração, o que não é pouca coisa.

Quer se queira quer não, quer convenha ou incomode, a analogia com a revolta dos operacionais militares em 25 de Abril de 1974 impõe-se. Há, é claro, uma questão de escala. São menos de cem bombeiros operacionais contra alguns milhares de militares. Mas as causas são as mesmas, e a sequência dos acontecimentos até agora também.

Exactamente como está a acontecer em Tomar, também nos idos de 74 houve protestos, reclamações e demissões, substituições e reuniões conciliatórias. Só falta mesmo a ida de uma “brigada do reumático” aos Paços do concelho, para o “beija-mão” presidencial.

Acontecerá? Logo veremos. Por agora estamos na fase das reuniões e das medidas conciliatórias, para tentar remediar.

A vinda de um comandante de outra unidade de bombeiros, não é bom sinal. Havendo na corporação tomarense pelo menos um operacional sénior de comprovada competência -estou a referir-me ao 2º comandante Tarana – qual a necessidade de ir buscar um comandante a Leiria?. Dá a ideia de que se procurou evitar beneficiar o infrator. Será o caso? Ou trata-se simplesmente de criar mais um lugar de confiança política?

Seja como for, continuando com a comparação entre o 25 de Abril e a actual situação nos bombeiros municipais tomarenses, não tenho qualquer dúvida que os agora comandados a prazo pelo operacional Tarana, não vão revoltar-se e inundar com as agulhetas de serviço os Paços do concelho, como forma de Tomar o poder. Porque são disciplinados, obedientes, bem treinados e causticados pelas péssimas condições de trabalho, como os capitães de Abril. Porém, ao contrário deles, que não vislumbravam uma evolução favorável para o seu martírio, os operacionais nabantinos sabem que o actual mandato acaba dentro de menos de um ano, aconteça o que acontecer.

Resta-lhes portanto continuar o protesto, no fundo formulando a mesma pergunta dos operacionais de Abril: Um governo que nem consegue gerir capazmente as forças armadas, será capaz de governar eficazmente um país?

O que, transpondo para Tomar, vem a dar: Uma maioria partidária que nem sequer consegue gerir como deve ser uma pequena corporação de bombeiros municipais, será competente para administrar um eleitorado de 35 mil pessoas?

Simples má língua, vão contra-atacar os apoiantes da actual governação municipal. Será mesmo? Olhem que há mais de dois séculos o malandro do Lavoisier enunciou um postulado científico que continua válido e se aplica a este triste caso. Disse ele que “As mesmas causas nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos”. Entretanto os revolucionários cortaram-lhe o pescoço na guilhotina, mas a ideia ficou.

Os operacionais de Abril derrubaram um poder velho de 48 anos, porque estavam fartos das péssimas condições de vida. O posicionamento político veio depois, por acréscimo.

                                                                        António Rebelo

 

Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Eles podem ir protestando publicamente pedindo claramente o que querem. Tipo “Quero receber 1500 euros mensais”, “Quero equipamento de protecção completo”, “Quero um refeitório em condições”, “Quero refeições de qualidade” e por aí em diante… o que quer que queiram.

    Na pior das hipóteses são despedidos com uma qualquer razão, ou demitem-se… e podem sempre ir trabalhar para uma outra corporação de bombeiros, sejam sapadores, municipais ou mesmo voluntários como assalariados a fazer transportes ou assim.

  2. Um texto sem conhecimento mínimo do que se passa no quartel dos bombeiros de Tomar. Antes de escrever um artigo de opinião tem de fazer o trabalho de casa, caso o queira fazer verá que a grande discórdia neste momento nos seio dos bombeiros tomarenses é mesmo a pessoa que você fala no texto. Mais uma vez reforço a ideia, informe-se com quem está e quem saiu e verá qual é o problema.

  3. Este senhor António Rebelo antes de vir para aqui mandar bitaites devia se informar melhor porque sobre os Bombeiros municipais Tomar não sabe o que diz e hoje em dia para ser comandante é preciso ser licenciado.
    Penso que o 2°comandante Vítor Tarana não é licenciado,mas também não é ele que conseguirá erguer o corpo ativo de outros tempos o meu bem aja a todos os Bombeiros tomarenses um grande abraço

  4. Diz o sr. Pedro e diz o sr. Ventura que António Rebelo está mal informado, não sabe o que diz manda bitaites.
    Pergunto eu, que sou de fora e estou de passagem: Que há de errado ou mal informado naquilo que A. Rebelo escreveu? Os bombeiros não estão descontentes? Não reclamam pela calada? Não há demissões? As condições de trabalho são boas? Há ambulâncias em quantidade e qualidade? As remunerações devidas pela câmara são sempre pagas a tempo e a horas? O comandante demitiu-se porquê? Porque estava farto de estar bem? Por razões políticas? Só para prejudicar quem dirige a atual maioria? A favor de quê e de quem?
    Há por todo o lado gente, sobretudo dita de esquerda moderada e extrema, especialistas em tentar atirar poeira para os olhos do povo. Mas a mentira tem a perna cada vez mais curta. É com diz o velho provérbio: “Apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo”.

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