in

Que mudanças podemos fazer para fixar os turistas mais tempo em Tomar?

Opinião de António Freitas

Há dias, no lançamento pela Fundação Eugénio de Almeida do mítico vinho Pêra-Manca de 2014, a referida fundação alojou os 12 jornalistas que foram de Lisboa, no Hotel Évora. No parque nada mais nada menos que seis autocarros de turismo, ou seja uma média de 250 turistas e, de manhã, entre autocarros de Espanha ou da Frota Azul ou Turilux ao serviço de operadores turísticos portugueses, dei conta que os grupos, chegaram a Portugal pelo Aeroporto de Lisboa, fizeram três dias, ou quatro,  de Lisboa e depois um dia ou dois de visita a Évora, seguindo para Sevilha, Madrid e terminando os circuitos em Barcelona, onde os mesmos autocarros tomam, outros grupos de  turistas e terminando o circuito em Lisboa.

Os motoristas de turismo são os melhores indicadores dos fluxos turísticos e de turismo sabem mais que “qualquer técnico superior”. Claro que não são eles que fazem as “rotas” e à questão de Tomar, logo respondem “ toca e foge” duas horas no Convento e vão almoçar a Fátima ou Ourém e referem que há anos que não pernoitam em Tomar com grupos a não ser que tenham passageiros para Congressos no Hotel e respondem laconicamente:

– Mas o que tem Tomar mais para ver?

– Nem podemos aparcar junto do jardim da roda da nora!

Está tudo dito.

De Évora referem que com tanto hotel, é sempre uma enchente.

Movido pela curiosidade jornalística, solicitei ao Posto de Turismo de Évora, o registo de visitantes de  2018  e em três dias de espera lá veio mail com os dados:

– Uma média mensal de 11.882 visitantes, que apontam para um total de 142.587 visitantes registados em 2018 ao balcão do Posto de Turismo. E continua a informação “No ano 2018 foram registados 1.221 grupos organizados oriundos de operadores turísticos e instituições, a que corresponderam 43.571 visitantes. O mês de maior afluência turística registada foi Setembro – um total de 25.210 visitantes – enquanto Janeiro foi o mês com o registo mais baixo (3.453 visitantes). Quanto aos principais mercados emissores, Espanha, Portugal, França, Brasil, E.U.A., Alemanha, Holanda, Itália, Inglaterra e Japão representam o Top 10, sendo Espanha responsável por 20,53% (29.280) do total de visitantes registados.

O total de visitantes registados na Capela dos Ossos, espaço museológico e monumental que constitui também o principal indicador estatístico na interpretação do total de visitantes em Évora, aumentou em cerca de 8,5%, comparativamente ao ano anterior, e atingiu 348.279 em 2018.

É de referir que, desde 1968, o Posto de Turismo efetua diariamente o registo de afluência turística. Ao longo de 51 anos de funcionamento, já foram registados mais de 6 milhões visitantes (6.085.006).

E em Tomar? Será que existem estes registos e será disponibilizada “na hora” esta informação sem passar pelo crivo de vereadores?

Um dia destes vou testar!

Mas em Tomar falando com proprietários de Lojas de Artigos regionais, no Centro Histórico, lamentam-se que quando precisam de folhetos têm que ir ao turismo e que da parte dos funcionários e técnicos, não há uma atitude proativa de entregar, pois é mais fácil um turista entrar numa destas lojas que no Posto de Turismo que fica “lá para arrabaldes”. Lisboa esta semana inaugurou mais três postos de informação turística em locais estratégicos da cidade.

Depois referem que, de verdade, há alguns turistas mas que a cidade a nível e museus, espaços museológicos e igrejas, não tem horários,  ou abertura virada para quem anda a passear e que não se pode cingir a horários de funcionalismo público.

Outro dos factos que alguns hoteleiros de média dimensão apontam em Tomar,  é o facto de um turista em carro de aluguer, muitas das vezes, reservaram 3 noites de estadia, mas que ao segundo dia, sem ficar a segunda noite dizem que anulam a reserva e partem pois já viram tudo na cidade.

Este feedback deveria ser recolhido por quem “aposta no turismo” e pensa que divulgar a cidade é ir à BTL e FITUR ou FIT na Guarda e fazer de Tomar a “plataforma” de visita a Almourol, Região do Pinhal e Albufeiras, Dornes, Ourém,  Fátima e Nazaré, pois estamos num “epicentro” de uma região vasta e rica, que continua a ser trabalhada ou não trabalhada, por quem tem essa responsabilidade e é pago para tal! As orientações políticas são fracas e “tudo como dantes, quartel general em Abrantes”

Com isto perde Tomar e os seus agentes económicos e a “malta” dos gabinetes não desce do seu pedestal e não vai junto de quem “vive do turismo” saber qual a sua opinião e perante factos mudar o rumo, que não “basta encher a boca com Turismo” ou Festa dos Tabuleiros ou outros eventos, mas sim apostar nas visitas enológicas, no Enoturismo, no turismo da natureza, no património edificado e  natural e “não vender” ideias feitas que não nos levam a lado nenhum!  Que resultados afinal está a dar o “Fátima-Tomar Stay Over”, a nova plataforma de turismo do Médio Tejo apresentada na Bolsa de Turismo de Lisboa? Na altura ouvi que se  trata de um projeto da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo que pretende aumentar o número de noites que os turistas passam na região. A forma de conseguir esse prolongamento da estadia é aliar os operadores hoteleiros a ofertas de experiências na região ou então entradas gratuitas em eventos ou museus.

                                            António Freitas

Escrita por António Freitas

Comentários

Leave a Reply
  1. Há já muitos anos que venho a comentar esta situação com muitas pessoas da cidade pois vivendo no estrangeiro e em uma cidade que também tem um centro histórico tal com nós a solução foi bem fácil criar sítios para os autocarros poderem parar bem perto com o tempo máximo de paragem de 3 horas para que os turistas possam desfrutar de todo o centro da cidade os outros que vêm para os hotéis tem outro sítio para estacionar de longa duração .
    Desde o fecho do largo do pelourinho que ficamos sem alternativas para uma visita rápida ao nosso centro histórico e assim perdemos milhares de visitantes que visitam o nosso convento .
    Com uma solução fácil seria criar junto ao jardim do mouchão criar no mínimo 3 lugares para autocarros de turismo .
    Mas como sempre digo pior é o cego que não quer ver o que está bem diante dos olhos
    E assim vai Tomar sem vida nem iniciativa para nada nem indústria nem turismo por culpa de uma câmara sem ideias sem rumo nem futuro

  2. A falta de estacionamento, não só para autocarros, mas de uma maneira geral. Vou a Tomar algumas vezes e já desistiu de ir ao centro por falta de sitio para estacionar. A grande questão… Porque há pouco turismo em Tomar com o património histórico ali existente? Quem sabe e quer responder?

  3. Não basta falar só das infraestruturas que são importantes e efectivamente carecem de mentes visionárias, modernas e que estejam a par do que de melhor se faz no país. A população local de uma maneira geral também não sabe nem quer evoluir. São arrogantes, mal educados e com muita falta de humildade para que quem vem se sinta bem na cidade é arredores. Mesmo os que querem comprar ou pretendem algum serviço são tratados mal e por favor como se estivessem a mais. Qualquer aldeia por mais afastada que esteja das grandes cidades têm habitantes mais amáveis e evoluídos dos que os naturais do concelho de Tomar. Efectivamente ficar para que? Para fazer compras nas lojas dos chineses que são o grande comercio em expansão? Valha-nos Santa Iria…

  4. Parece-me difícil que os turistas em apenas três dias consigam visitar, o convento de Cristo e o castelo dos templários, as três ou quatro igrejas dentro da cidade, a capela da nossa senhora da piedade e as suas escadas sobre a cidade, as ruas e casario da cidade velha, o mouchão, a subida e descida no são Cristóvão, a capela de Santa iria e toda a gastronomia local, a mata dos sete Montes… há muito para ver em Tomar, o problema é o mesmo de sempre, três ou quatro famílias controlam tudo e todos e o que é possível fazer ou não. Eu vivi lá durante 45 anos e senti na pele o peso que algumas pessoas têm, principalmente na altura de se fazerem apostas no investimento cultural…

  5. O que tem, para mim que não sou daí e vou poucas vezes aí, realmente de interessante Tomar? De momento só uma mulher chamada Catarina (37 anos) e só porque se mudou para aí há poucos anos.
    Que tem a Catarina de especial? É das muito, muito, muito poucas mulheres que ainda retransmite de forma bastante forte a energia da Luz vinda do criação espiritual eterna em seu redor, despertando o melhor naqueles que estão em seu redor se ainda procurarem ser correctos. Só é digno de menção por serem tão poucas as mulheres capazes de tal hoje em dia… quando deveriam ser todas!

    Por tanto valeria muito mais estar próximo dela durante nem que fosse somente uns minutos, que qualquer coisa que possam aí fazer em Tomar em termos de sentir que valeu a visita.

    Mas o objectivo deste tópico é o que alterar em Tomar para o tornar atractivo para os visitantes de tal forma que queiram gastar todo o seu dinheiro em Tomar… e pelo que leio, nem sequer é no concelho, mas apenas na cidade, que aparentemente é a única coisa que interessa.

    A primeira coisa é o município abrir os cordões à bolsa e construir:
    – Monumentos espampanantes, do género que vão deixar toda a gente chateada com os monos sem jeito pseudo futuristas, instalar lá museus de arte contemporânea feitos por pessoas em Tomar, instalar cafés/ bares/ pastelarias, instalar centros de ciência de experimentação prática; instalar um museu onde deem vida ao que se passaria em toda essa zona desde a sua fundação através de vídeo-projecção, se possível já com 3D;
    – Construir um edifício que no interior simula uma gruta;
    – Construir uma torre bastante alta que permita ver tudo no raio de km em redor;
    – Parque de diversão de interior permanente para crianças/ jovens/ adultos com diversões diversas e que vão sendo mudadas ao longo do ano para se manter o factor novidade. Isto em princípio não será rentável, contudo deve ser cobrada a entrada para o espaço e acesso ilimitado a todos os divertimentos sem custos extra. Aqui é para agradar pelo menos à juventude e menos aos turistas;
    – Mercado à antiga permanente em barraquinhas de madeira estilo antigo aberto todos os dias do ano e em horário do género 9h-22h ao ar livre (por exemplo ao longo do rio)… aqui poderiam alugar a terceiros as barriquinhas… e devem prever a possibilidade de mau tempo tendo toldos ou coisas do género para garantir que são permanentemente visitáveis faça chuva, faça Sol, faça vento ou não;
    – Mini-Tomar para toda a pequenada se divertir ao mesmo tempo que conhece a Tomar tradicional em miniatura… uma espécie de “Portugal dos Pequeninos” em Coimbra mas adaptado a Tomar cidade e arredores no concelho;
    – Parque de mini-comboios para crianças/ jovens/ adultos com linhas de caminho-de-ferro para circularem com as mini-composições;
    – Centro de congressos/ exposições se possível próximo da estação ferroviária para ser mais um factor de atractividade (é mais fácil de imaginar um estrangeiro a apanhar um comboio directo para Tomar e ir a pé até ao centro de congressos/ exposição… que ainda por cima tem toda a cidade ali a meia dúzia de metros do que se meterem em outro lado qualquer… onde a probabilidade de sucesso descia imensamente);
    – Auditório onde decorram diariamente concertos dentro do estilo clássico (do mais clássico ou clássico animado ao estilo de André Rieu);
    – Desfile diário de pessoas como era em tempos muito antigos faça chuva/ faça Sol, de preferência a uma hora que já justifique marcar a reserva de hotel para passar aí a noite;
    – Jardim Botânico de Tomar, com o máximo de espécies possíveis e incluir estufa de Inverno/ Primavera/ Verão/ Outono;
    – Jardim suspenso ao estilo antigo romântico de luxo. De preferência com uma iluminação super especial que realce o aspecto luxuoso à noite… para incentivar a estadia nocturna na cidade e quem sabe pernoitar no concelho de Tomar;
    – Exibitório que mostre visual e audível a origem inconsciente do ser humano na zona mais inferior da criação primordial, a sua passagem pela criação posterior e o seu regresso à criação primordial já auto-consciente. Talvez até explicando o que está mais acima para contextualizar melhor a real posição do ser humano no todo;
    – Mega estrutura (talvez estilo armazém), onde no interior podem ser encontrados dezenas (próximo da centena) de cenários de todo o género possíveis e imaginários que vão sendo modificados ao longo do ano para quem gosta de fazer sessões de fotos em cenários diferentes… possibilitar fazer tudo em um só local (e assim aumentar a colecção de fotos para partilhar nas redes sociais);
    – Aeroporto regional, para receber turistas que pretendam turistar pela zona centro, e ainda para as empresas de transporte de mercadorias terem um local mais económico e com boas acessibilidades (A13, IC9, linha do norte);
    – Mega parque de estacionamento próximo da estação ferroviária e outro próximo do IPL, ambos em zona não inundável. Com mini-autocarros a transportar as pessoas pela cidade 24h/365d de 15 em 15 minutos, com vigilância humana (empresa privada de segurança ou polícia municipal). Tudo gratuito para que as pessoas de facto utilizem.

    Tudo projectado para ser tumblr/ instagramer/ twittado/ facebocado e tudo o demais que venha a existir onde as pessoas divulguem as suas experiências de vida.

    Seleccionar e treinar os funcionários para serem ultra simpáticos e prestáveis.

    Ter bebedouros e instalações sanitárias 24h/365d por todo o lado (pelo menos uma disponível no raio de 250 metros ou até menos dependendo da concentração previsível de pessoas na área) no mínimo dentro da área urbana da cidade e em locais claramente frequentados pelos turistas.

    Isto tudo construído e mantido pelo município para garantir que os lucros revertem directamente para a cidade/ município e não ficam nos bolsos privados que podem investir o dinheiro onde bem lhes apetecer e esse bem apetecer pode ser longe de Tomar.

  6. È uma cidade muito linda e cheia de historia, pena è ires visitar e estar la um ou dois dias e ficas com a cabeça cheia ou ès de la e fazes o que te dizem,ou nao tens lugar,porque è uma cidade com pequenas mentalidades….

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Loading…

0

Comentários

0 comentários

Jogador de 11 anos pede desculpa a árbitro que o expulsou

Idoso burlado por prostituta em Santa Cita