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Pandemia – presente e futuro… famílias e empresas…

Opinião

Zona industrial. Foto de arquivo

O governo cobra o IVA antecipadamente… uma canalhice às empresas… o dinheiro necessário para os salários… vai antecipadamente para o governo… senão levas…

José Manuel Mendes Delgado*

Muito se tem falado sobre o COVID 19 e os seus efeitos devastadores na sociedade, nas comunidades e nas famílias e em especial, naqueles que já antes desta crise, se sentiam sós, se sentiam na solidão, se sentiam perdidos, neste mundo muitas vezes injusto e cruel, onde a maioria chuta para frente e apesar de tropeçarem frequentemente em situações  de injustiça e de fragilidades bem comuns, continuam a correr, como se a realidade fosse essa e apenas essa.

Foi preciso vir o COVID-19, para fazer parar o mundo  e dar um sinal, que em tempo record pôs as fragilidades do mundo a nu, onde os pequenos e grandes vergaram e caíram da mesma forma, neste mundo do 5G das altas tecnologias e dos sistemas da informação e da comunicação, da era digital, onde o mundo está à distancia de um pequeno clique, de um pequeno toque, num ritmo imparável, onde os grandes e poderosos, as grandes potências ganham e dominam do alto da sua força económica. Domínio tecnológico, mas frágeis perante a pandemia.

Mas deixemos os poderosos e as grandes potências, a macroeconomia, porque o sistema vai-lhes dar mão e certamente irão sobreviver ou ainda, ganhar mais com a maldita crise. Voltemos às micro e pequenas empresas, às famílias, os mais vulneráveis, em especial, as que viram reduzidas as suas actividades, os que fecharam e não têm como obter rendimentos, não têm como aceder ao crédito, não têm como pagar as despesas, não têm como sustentar o seu emprego e dos seus colaboradores, não têm como dizer presente, porque os efeitos da pandemia, tolheram as suas ambições, tolheram o conforto das suas vidas e dos seus familiares.

Urge que o governo, de forma eficaz, objectiva e a curto prazo ou melhor, de imediato,  disponibilize apoio a estas empresas, que sem financiamento a fundo perdido, ou em condições excepcionais de crédito, sem juros e pagamentos a longo prazo, não conseguirão erguer a cabeça, não conseguirão manter o seu emprego e dos seus colaboradores, não conseguirão levar tranquilidade às suas famílias. Esta é uma medida que não pode ser adiada, é uma medida que o governo e a Europa, têm de pôr em prática sem receios e sem evasivas.

Outra preocupação que não pode ser adiada ou desvalorizada é a situação das pessoas, das famílias, que já antes da pandemia, se encontravam sós, em solidão e com poucos recursos, sem o conforto de uma vida tranquila e sem a assistência que uma vida justa e em democracia, impõe ou deveria impor. É duro e injusto que no ano das comemorações do 46.º aniversário do 25 de Abril, ainda se navegue entre as ondas da injustiça, da precariedade e da ausência das condições mínimas de subsistência, onde se destacam a alimentação, a habitação e a saúde.

Com o estado de emergência, com o isolamento e com os receios de contrair a doença “COVID-19, mais pessoas e mais famílias, entraram num sistema de fragilidade e impotência, num sistema de diminuição de rendimentos, de diminuição de contacto familiar e de amigos, de solidão e de timidez social, uma realidade dura e difícil de digerir, que só os mais audazes conseguirão superar e assim isolarem o insucesso e estados psicológicos graves, muito graves, que certamente irão afectar muitos portugueses.

Qual será a saúde mental e a força anímica das pessoas, das famílias, das comunidades, que vêm os seus direitos e as suas faculdades fortemente condicionadas ou diminuídas, qual será a saúde mental das famílias, que não conseguem visitar os seus familiares, os nascimentos, os doentes, os idosos, os filhos e netos. Sabendo que a prevenção é a palavra de ordem, sabendo que pouco tem sido feito neste campo de apoio à saúde mental, à instabilidade e ao stress, urge criar uma campanha de apoio a esta evolução, serenar e ajudar as pessoas, as famílias a superarem este desígnio, cruel e sem dimensão, que afecta a sociedade dos dias de hoje e terá certamente efeitos nefastos no futuro de todos nós.

Participei no primeiro funeral da época da pandemia, uma morte inesperada, uma morte “não COVID”, uma morte muito sentida e chorada, uma morte com revolta, com incompreensão, uma cerimónia religiosa curta, uma cerimónia vestida de injustiça e de crueldade, face à impossibilidade de uma despedida digna e tradicional, uma cerimónia de urna fechada, em saco, uma cerimónia sem o adeus, que se impunha e sem abraços, onde os filhos emigrados e os mais distantes não puderam participar. A privação da família e dos amigos, mas acima de tudo uma marca, vil e sacana, que marcará para sempre as memórias destas famílias.

Mortes cruéis e penosas, de COVID ou Não COVID, mortes choradas à distância e no isolamento, mortes que deixarão, marcas profundas nas famílias, nos entes queridos, que têm de ser confortados e apoiados. Uma competência do governo, das autarquias, das IPSS e outras entidades de solidariedade social, uma missão que todos devemos encarnar, uma missão de conforto e amizade, onde o normal de hoje, era à pouco não normal.

Perante todos estes problemas, perante todas estas dificuldade e vivências absolutamente inesperadas e cruéis, é urgente tirar ilações do presente, do passado e acima de tudo preparar o futuro, que se olhe e se protejam as pessoas e que em simultâneo se dinamize a economia, criar riqueza, criar emprego e sustentabilidade e viver num mundo sem medos e sem receios.

Somos bombardeados pelos números de casos COVID-19, mortes, infetados e recuperados, informação importante para se perceber a evolução da pandemia, mas era igualmente importante, que fossem fornecidos os números das empresas recuperadas, os número das empresas em dificuldades, dos empregos recuperados, os números dos empregos estáveis, os números do desemprego, o número das empresas apoiadas pelas linhas de créditos e os apoios disponíveis para as empresas, em especial, para as micro e pequenas empresas, um milhão de empresas, que necessitam de ser verdadeiramente apoiadas e acompanhadas.

Poucos ou nenhuns falam do IVA, da injustiça emanada pelos diversos governos, que cobram o IVA, após a facturação, obrigando as empresas a pagarem este imposto antes de receberem dos seus clientes, independentemente de ser grande, pequena ou micro-empresa. Esta vil injustiça, devia ser parada de imediato, esta injustiça, está a matar as empresas, está a sufocar as empresas. Se o governo quer ajudar e ventilar as empresas, se quer ajudar verdadeiramente as empresas, disponibilize o ventilador adequado “PAGAR O IVA SIM, MAS APENAS APÓS O DINHEIRO ENTRAR NAS EMPRESAS”. Coisa simples, inverter o processo – as empresas e as pessoas estão a financiar o governo.

Vamos ajudar verdadeiramente o país, ajudar as pessoas. Vamos ser mais exigentes, mais competentes, mais solidários e olhar o mundo, com mais respeito e responsabilidade, com a consciência, que apesar do avanço tecnológico, a natureza, o universo, têm sempre uma palavra a dizer…

*José Manuel Mendes Delgado

Vereador da Câmara Municipal de Tomar

Mestre em Engenharia Civil e Especialista.

Escrita por José Delgado

Comentários

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  1. Crónica interessante, porém inutilmente longa e por vezes poética, sem querer. A crítica ao modo como o fisco cobra o IVA é justíssima. Mas é só esse problema que existe em Tomar?
    Bem sei que o PSD se apresentou ao eleitorado em 2017 sem um roteiro sólido, o que se tem notado nas sucessivas reuniões do executivo. Tirando as por vezes corajosas e frontais posições de Célia Bonet, que tanto irritam a srª presidente e o seu adjunto, o sr Delgado e o sr. Ramos estão lá a fazer o quê? Isto para já não falar dos suplentes e de alguns membros da AM, de um pobreza que até dói.
    Em resumo, continuo sem saber para que me serviu afinal votar PSD nas autárquicas de 2017. E as próximas são já para o ano.
    Querem ver que vou ter de votar noutro emblema?!

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