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Os propósitos do Rotary Club Tomar Cidade*

Por José A. Ribeiro Mendes

A fundação do Rotary Club Tomar Cidade envolve a consciência de servir a comunidade com dois propósitos claros: contribuir para o conhecimento da presença humana em Tomar e dar especial atenção à água no nosso território, em particular ao rio Nabão e seus afluentes.

Há marcas da presença humana na nossa região desde a pré-história. São visíveis através de um conjunto significativo de grutas (caldeirão, andorinhas, lapas e morgado dos anos 6000-4000 ac) a norte da cidade, nas escarpas sobre o rio.

Sellium, a cidade romana que nasceu na margem esquerda do Nabão deixou-nos vestígios como as termas e o fórum (0-700 dc). Também nos deixou marcas da presença visigótica. Deste período romano e visigótico são conhecidas duas pedras fundacionais na torre de menagem do castelo: uma com a inscrição ainda legível ‘Genius Municipis’ e outra com sinais do período visigótico.

A torre de menagem e todo o complexo do Castelo Templário (1160) – alcáçova, terreiro e almedina – com o templo ali incluído constitui uma obra-prima, religiosa e militar, da Ordem dos Templários (1128-1312). A cidade civil era ao tempo a ‘vila de cima’, na almedina, dentro das muralhas do castelo.

Seguiu-se a Ordem de Cristo (1319-1357-1824) na ocupação e administração daquele complexo militar, religioso e civil, desencadeando a expansão que deu origem à designação de Convento de Cristo. Convento mais tarde utilizado em exclusivo para a função religiosa e militar, passando os civis para a ‘vila de baixo’, num desenvolvimento com base num desenho urbanístico e num plano definido e desenhado tendo em linha de conta o rio.

Estudiosos notam que naquele planeamento urbanístico foi desde logo concebido espaço para a comunidade judaica, ao tempo cooperante com a Ordem de Cristo e com o reino nas lutas contra os muçulmanos, num sinal que é também expressão da tolerância que caracteriza as nossas gentes.

A Ordem de Cristo é, ainda hoje, uma Ordem Honorífica Portuguesa a que corresponde uma das cores (o vermelho) da faixa da Presidência da Republica.

Após a extinção das ordens religiosas e militares, Tomar teve que encontrar outros canais de poder e influência. Alguns ainda durante a Monarquia outros, mais recentes, já no tempo da República.

Até à fundação de Portugal, Tomar está inscrita na história tendo chegado até hoje vestígios pré-históricos e romanos de ocupação humana.

Depois da fundação de Portugal podemos olhar para Tomar sob várias perspetivas:

– como tendo um papel preponderante na identidade nacional tendo as sede das ordens militares e religiosas do Templo e de Cristo; dos seus governadores Gualdim Pais (1118-1195) e Infante D Henrique (1394-1460);

– como a cidade que pela morte de D Duarte (1438) aclamou D Afonso V (1438-1481) e que nos reinados de D Manuel I (1495-1521), D João III (1521-1557), e dos Filipes (1581-1640; que tiveram as suas cortes de aclamação no ‘Real Convento de Thomar’) foi promovida a expansão do Castelo Templário, transformando-o no Convento de Cristo, foi construído o aqueduto dos pegões e foram lançadas as bases do importante património na ‘vila de baixo’; incluindo a criação da Misericórdia de Tomar (1510).

– como polo muito importante na hierarquia da Igreja. Tomar foi visada desde a Arquidiocese de Braga, ao Bispado de Coimbra, a ‘nullius diocesis’ dependendo diretamente do papa, até à atual diocese de Santarém; um património religioso que tem no templo da charola um exemplar único património da humanidade, tinha a igreja de Stª Maria do Castelo, tem a igreja de Santa Maria (não do castelo, mas) dos Olivais (Séc XII), tem a igreja de S. João Baptista (1510) e a ermida da Senhora da Conceição (1572), para referir só alguns exemplos.

– como testemunho da presença judaica, acolhendo a única Sinagoga que mantem preservada a sua original estrutura arquitetónica;

– e como fundamento da Ordem Honorífica de Cristo, com a extinção das ordens religiosas e militares.

 

A partir dos sinais que apontei, o Rotary Club Tomar Cidade tem como um dos seus propósitos dar um contributo para o conhecimento, que consideramos um bom caminho para o encontro de culturas que nos torna maiores, promove o desenvolvimento e nos aproxima do mundo.

Nomeadamente:

Através da concretização de parcerias internacionais com clubes no Vaticano (Tutela da igreja e ordens religiosas), Madrid (Filipes), Jerusalém (Património judaico), e Paris (Templários religiosos);

Através da promoção da aprendizagem e educação em temáticas relacionadas com as matérias a aprofundar, intercâmbios de juventude, bolsas de estudo e atualizações;

Através da realização de conferências e visitas profissionais abrangendo as realidades identificadas;

Outro dos propósitos que move o Rotary Club Tomar Cidade é a promoção do envolvimento da comunidade na interpretação, preservação e usufruto do rio, da água e do ambiente.

O rio, que foi elemento decisivo para a fixação das populações, favorecendo todos os aspetos necessários à vida, incluindo a força que permitiu aplicações em moagens e lagares e o surgimento da luz, com a rentabilização hidroelétrica, que catalisa a agricultura, pode ser hoje e no futuro uma estrada para a cidade reconquistar relevo e sublinhar a importância das suas gentes.

Aproximar a comunidade do rio, favorecer a limpeza das suas margens, a regularização do leito, e o restauro ou reconstrução das rodas do mouchão é mais um bom caminho para sublinhar a importância histórica da cidade de Tomar.

Para comunicarmos com a sociedade e representarmos a realidade observável e a realidade virtual, as tecnologias de informação e comunicação (TIC), serão uma ferramenta que iremos ter em conta para concretizar os nossos objetivos de serviço à comunidade.

Queremos ser, em Rotary Internacional, um clube atual, de referência e inovador na prestação de serviços à comunidade.

                          José A. Ribeiro Mendes

*Discurso do Presidente do Rotary Club Tomar Cidade na cerimónia de entrega da carta constitucional e aposição de emblemas

Encosta do Sobral – Tomar, 18.06.2020

Escrita por Redação

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