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Não vale tudo para promover os tabuleiros de Tomar

A opinião de António Freitas

Foto: António Freitas

Opinião

O aplicativo APP é uma das grandes invenções da era digital, em que podemos com um toque no ecrã do telemóvel mandar vir a papinha ter a casa, trazida por um “Glovo” ou “Uber” chamar um táxi, reservar a bicicleta partilhada, ou o carro partilhado e fazer operações bancárias no home baking ou tirar fotos irreais ou virtuais em que se está ao lado do Cristiano Ronaldo a pegar um touro pelos cornos, junto à muralha da China sem nunca lá ter ido, ou com um tabuleiro à cabeça.

Quando o assunto destas modernices, mexe com tradições, culto, divindades, há que ter bom senso e, se uma APP, para Festa dos Tabuleiros, é muito útil e bem vinda, para reservas, obter informações, parques disponíveis para o carro, melhores trajectos de carro, bancadas livres e lugares a reservar e pagar, horários de percursos etc já a “invenção” em que virtualmente se aponta o telemóvel a um homem, mulher ou criança, sentado ou em pé e se manda colocar as mãos como a segurar algo que não existe e se obtém a foto, em que o tabuleiro aparece milagrosamente e vai direto ao mail que se solicitou à pessoa e se fica com o mail no nosso registo, isto é ilegal de acordo com o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) que  entrou em vigor em 25 de Maio de 2018 e substituiu a diretiva e  lei de proteção de dados em vigor. Para além disso desvirtua o sentido nobre da festa, em que o tabuleiro é transportado por pessoa do sexo feminino (à cabeça)  devidamente trajada e com o respectivo par ao lado.

 

A trilogia certa!

Ir para a FITUR de MADRID apontar o telemóvel aos visitantes, que entram na jogada ou na BTL é de uma pobreza de espírito, pois o tabuleiro é uma oferenda do Espírito Santo e, mais parece uma brincadeira de garotos.

As fotos obtidas, virtuais, uma vez no mail dos fotografados serão postadas no facebook dos próprios e dentro de alguns dias, a banalização de imagens, que se assemelham a imagens reais, vão mostrar qualquer “biscareto” com o símbolo máximo de Tomar à cabeça, estando em pé, sentado ou deitado, seja homem ou mulher!

Na BTL assisti à quererem obter ou fotografar João Vital, ex-mordomo da festa, com o telemóvel da vereadora ao que o mesmo respondeu “deixo-me fotografar mas não quero tabuleiro algum à cabeça” e referiu que é pela modernidade mas que tem que haver algum cuidado e bom senso, pois não vale tudo. “Há que ter muito cuidado com algumas invenções”, refere com prudência.

Estou pelo João Vital!

Quando André Camponês (do Instituto de História Contemporânea), pago com dinheiros de todos nós e contratado pela Câmara para o trabalho de recolha e investigação com vista a uma candidatura a Património Nacional e depois Imaterial da Unesco, não seria de bom tom, pôr um ponto de ordem à mesa e proibir estes aplicativos na vertente de tabuleiro virtual e dizer aos políticos e neste caso à Secretária de Estado do Turismo, que tirou fotos em Madrid, que esta festa tem um sentido religioso muito forte e que não vale tudo para a promover, pois estas “modernices” não promovem coisa nenhuma, banalizam as tradições herdadas e preservadas por gerações que tinham sentido de ser e estar, o que por vezes não se verifica em alguns agentes que saem de Tomar para promover Tomar, dizem, em eventos nacionais e internacionais, que custam “uma pipa de massa” e a sua missão é informar, distribuir informação e não estarem armados em “fotógrafos” de ilusões, que de sonhos e ilusões já estamos fartos!

Ganhemos juízo e bom senso, que nisto sou um velho do Restelo dos anos 60!

                                             António Freitas

Escrita por António Freitas

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