in

Mobilidade e Estacionamento

Opinião de Tiago Carrão

As pessoas estão em constante movimento. Consequentemente, as cidades têm vida própria, um fluxo crescente de carros, camiões e autocarros nas estradas e ruas, enquanto bicicletas e peões procuram encontrar o seu espaço.

Um movimento que se depara com obstáculos e constrangimentos no nosso concelho e que nos coloca perante um conjunto de desafios urgentes para a mobilidade dos cidadãos, em particular, na nossa malha urbana.

O centro histórico, à semelhança de muitos outros por essa Europa fora, foi edificado antes da invenção do automóvel. Mais denso e propício à circulação de peões. E no resto da cidade facilmente constatamos a quantidade de espaços que são ocupados exclusivamente por automóveis.

Torna-se evidente que a cidade cresceu e o perímetro urbano foi-se alargando em torno da dependência diária que temos dos sistemas de transportes, em particular, das viaturas privadas.

Os estudos indicam que os automóveis passam, em média, 96% do tempo estacionados. Ou seja, apenas 4% do tempo é que estamos realmente a utilizar os nossos carros.

Um dado que nos deve fazer a todos refletir com especial atenção, tendo em conta as obras públicas que se realizarão a curto prazo no nosso território, nomeadamente a requalificação da Várzea Grande.

O projeto aprovado pressupõe a eliminação de um número considerável de lugares de estacionamento nesta zona, não estando para já encontrada uma alternativa para as centenas de cidadãos que ali estacionam o seu automóvel diariamente.

Encaro com preocupação esta alteração de fundo e o impacto que terá nos restantes espaços de circulação e de estacionamento na cidade. Assim como me preocupa a falta de preparação de quem governa o município para a revolução que se aproxima no mundo dos transportes.

Da conectividade entre viaturas aos veículos elétricos e à condução autónoma, o setor automóvel está em constante evolução. Inovações que prometem alterar completamente a mobilidade dos dias de hoje.

Urge estudar os novos paradigmas dos transportes, pensar novas soluções que centrem as prioridades do território nas pessoas e não nos automóveis.

Ainda temos um longo caminho pela frente, mas este é um assunto que não pode ser ignorado ou menosprezado, no curto e no longo prazo.

                                                                   Tiago Carrão
                                                Vice-Presidente do PSD de Tomar

Escrita por Tiago Carrão

Comentários

Leave a Reply
  1. Espero que a oposição tenha votado contra este projeto quando foi apresentado. E que assuma a sua revisão quando ganhar as eleições.
    É claro que um dos fatores de sustentabilidade ambiental é o estacionamento periférico e intermodal, como o da Várzea Grande. Eliminar lugares é um absurdo.
    Uma solução de estacionamento subterrâneo, também, se criar outro elefante branco como o estacionamento atrás da câmara.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Loading…

0

Comentários

0 comentários

Três “sonhadores” mostram como se concretizam ideias

Praça de Touros muda de cor