in

Maternalismo, autoritarismo e 3 em 1

Por Xavier da Encarnação Marques

Ponto prévio

É muito provável que algumas boas almas mais sensíveis considerem que a prosa abaixo é machista. Creio que não. Porém, numa sociedade como a nossa, onde se pode ser acusado de machista, homofóbico, zoofóbico, fascista, racista, direitista, esquerdista, e por aí adiante, já nada me admira.

É prosa machista? Pois que seja. E daí?

 

A pandemia de covid19 desencadeou toda uma série de medidas governamentais, exageradas e muito cerceadoras das liberdades garantidas pela constituição. Sobretudo nos países do sul da Europa, de forte tradição católica.

Bem antes da pandemia, já houvera a irresistível ascensão das mulheres ao poder e à igualdade, nos mesmos países antes mencionados. Sendo uma mudança social positiva, a entrada das mulheres no mundo do trabalho, e depois na política, provocou situações novas, antes nunca conhecidas. Passou a ser relativamente corrente o sentido maternal, sobretudo nas pequenas empresas e na política local. Aquela ideia muito feminina de proteger os homens, afinal crianças grandes que se ignoram, dizem elas.

Em Tomar abundam nestes últimos tempos os apelos estilo maternal da senhora presidente da câmara. Vejam lá… fiquem em casa …tenham cautela ….haja bom-senso …não abusem …usem máscara  …protejam-se …cuidem-se. Tudo isto para quê afinal?

Houve até agora, na cidade e no concelho, apenas 19 casos de infeção pelo coronavirus. Em 2019 registaram-se muito mais casos de gripe, que também é mortal em certas situações, e não houve todo este alarido. Nem se gastaram 110 mil euros dos contribuintes na compra de testes, cuja utilidade real está por demonstrar. Nem largas centenas de euros em almoços-convívio, tipo última ceia, para celebrar a reabertura dos restaurantes confinados, com os jornalistas avençados a partilhar a franqueza.

Parece haver portanto uma tendência deliberada para infantilizar os eleitores, destacando-se os concelhos governados por mulheres, que têm uma natural apetência para se considerarem mães de toda a população.

No mesmo registo, todavia mais para a palermice pura, a senhora que dirige o Convento de Cristo, se calhar considerando que os turistas são todos umas criancinhas grandes, sem vontade própria, e que por isso tudo consentem, acaba de fazer o inimaginável.

Determinou que, mediante a usual entrada de 6 euros/pessoa, cada visitante só pode permanecer no monumento durante meia hora, com um máximo de 10 minutos na Charola. É claramente a mamã a punir os filhos, para os ensinar a portarem-se bem. Vejam depressa, façam as selfies e pirem-se!

Seis euros por cada visita de 30 minutos, dá uma média de 20 cêntimos por minuto. Uma tarifa superior à de muitas profissionais do sexo, que usam o seu próprio corpo, e não o património construído por outros. Porque é preciso ter muita falta de bom senso, e uma razoável dose de palermice, para pensar que se pode usufruir da Charola e dos seus quase 9 séculos de história, em apenas 10 minutos, ficando então mais 20 minutos para o resto do Convento. Incluindo a Janela do capítulo, cuja explicação cabal demora mais de meia hora. Topa-se portanto que, além de excessivamente maternal e autoritária, a senhora não nasceu por estas bandas, nem nunca soube adaptar-se, salvo na área das bebidas.

Outro e bem mais favorável era, noutros tempos, o entendimento da Adelaide Barca de Água, respeitável meretriz profissional na Rua de Pedro Dias. Quando a tarifa aprovada pelas autoridades era de 20 escudos = 10 cêntimos atuais, a Adelaide, apesar de analfabeta, intuiu que devia fazer promoções destinadas aos jovens, à tarde, quando havia menos clientela. Cada cliente pagava apenas metade. E tinha direito a 3 em 1. Enquanto se divertia entre as pernas da profissional, ela ia ouvindo o romance do Tide na rádio, e comendo tremoços.

Era outra época, com polícia política e outros inconvenientes, porém sem mulheres no poder a exagerarem o seu sentido maternal e a sua palermice.

Tudo tem vantagens, tudo tem inconvenientes. Não há regimes perfeitos.

                            Xavier da Encarnação Marques

 

Comentários

Responder
  1. É tão pouco tempo que ninguém vai reclamar. De certeza.
    Por falta de tempo para pedir o livro respetivo e redigir a reclamação.
    Medida sábia, portanto.
    Os alfacinhas sempre foram excelentes a aldrabar os provincianos. Sobretudo os mais palonços. Que ficam sempre mudos e quedos, à espera que alguém resolva por eles.
    Não é verdade tomaristas?

  2. Este Rebelo é um pândego. Sempre do alto da sua catedra tirada lá nos corredores de Paris8, ou assim diz, escreve os textos, comenta-se a si próprio, um verdadeiro Tony Silva.

    • Peço desculpa aos leitores. Bebi uns copos a mais e excedi-me. Resolvi embirrar outra vez com um indefeso cidadão que até está bem longe da sua terra.
      Peço perdão aos leitores e ao cidadão injustamente atacado.

    • Tomarense? Esclarecido? A debitar parvoíces como esta de hoje?
      Não me faça rir . Tenho cieiro nos beiços. Sou alérgico a alguns animais.
      Você será, no máximo, Tomarudo convencido. Convencido de que sabe do que fala quando escreve. Um lamentável equívoco.
      Quando tiver vagar, diga-me, por favor: Seja quem for o autor da prosa inicial, qual é para si a relação entre a autora, ou o autor, o suporte e o conteúdo?
      Ao beber uns copos, é mais importante para si a marca, o copo, ou o vinho? Então porque insiste em escrever insanidades?

  3. Xavier da Encarnação Marques. No tempo das visitas gratuitas ao convento quando os cicerones ganhavam para a buxa é que era bom. Aproveito para agradecer o nobre obituário que fez ao Alberto Graça. Foi uma coisa digna! … mas continue com a sua triplice pseudonomia que amalta gosta. Aquela da cisterna grande, em vez da pequena é de génio. Valeu a pena manda-lo estudar.

  4. Peço perdão pela aparente esquizofrenia do abrasileirado Rebelo e por tomar tempo a quem aqui venha com os seus dislates.
    (qualquer miúdo da escola sabe fazer este jogo Rebelo).

    • Foi uma coisa que me ensinaram na política e que ainda não esqueci: Nunca responder a provocações. Sobretudo quando quem provoca é nitidamente reles, obstinado e grosseiro.
      Point final.

  5. Voltando ao texto. Realmente o parquímetro estabelecido para as visitas não lembra a ninguém que tenha o mínimo respeito pelo património e pelos visitantes. Quanto a tendências para infantilizar os eleitores, parece ser bastante ver as opções continuadas desses mesmos eleitores tomarenses, seja a opção PSD, seja a opção PS, para os considerar no mínimo muito pouco exigentes. Quem tem governado a cidade não tomou o poder de assalto nem foi lá colocado pela tropa.

  6. Vocês falam muito e se calhar nem lá vão. Falam mal das mulheres mas nao vivem sem elas e o mais certo isso é só dor de cotovelo ou então até queriam algo mais mas so lhes restam as profissionais

    • Ora aí está um comentário muito tomarista, de quem não percebeu patavina do texto. Com aquele enovelado que identifica as estalinistas encapotadas. No caso, esta Ana a tentar defender a patroa e a patroa da patroa, até é bem capaz de ser Sóares, se me faço entender.
      Mas pronto. Defender a côdea é normal. Convém é não exagerar, que o final do mandato é já ali adiante. Quem ocupa lugares de confiança política, conseguidos sem concurso, corre sempre o risco de poder vir a cair do cavalo abaixo. O Paulinho que o diga.
      E deixe lá as profissionais em paz. São quase sempre melhores na cama, e mais sérias que muita gente séria, uma vez que não tentam enganar ninguém.

  7. Boas tardes, muito sinceramente não estava sequer nos Meus pensamentos redigir o que quer que fosse sobre este artigo/tema em concreto. Isto porque, apesar de ser longo no conteúdo é vazio no mesmo.
    O que Me faz redigir neste preciso momento, não é sobre o artigo/tema em si mas sim sobre alguns (maioria) dos comentários aqui redigidos.
    Em vez de se estarem a atacar uns aos outros se fizessem mais pela Cidade de Tomar, é que na realidade seria excelente, porque assim, continuaremos Todos (residentes ou não residentes) na mesma cepa torta.
    E já agora para que fique esclarecido, Sou alfacinha de gema (e com muito gosto) mas não sou o Senhor Rebelo, isto para que não fiquem dúvidas.

    • Acha então a srª que o artigo é longo mas sem conteúdo, não é assim?
      Pois tenho muito gosto em demonstrar-lhe que não perceber aquilo que leu. Ou percebeu e não lhe convém de todo.
      Para que dúvidas não restem, segue um resumo do conteúdo do texto citado:
      O texto tem três partes. A primeira parte enumera a parvoíces políticas da 1ª dama nabantina que nos calhou nas autárquicas: A segunda parte detalha a palermices infantis da senhora alfacinha que o governo de Lisboa colocou a chefiar o pessoal do Convento, pois na capital já ninguém a podia aturar, e sendo a irmã quem é…
      A terceira e última parte relata a ação de uma prostituta profissional analfabeta, nos anos 60 do século passado no alcouce de Tomar, tal como descrito oralmente por quem viveu esses tempos.
      Chega, como conteúdo? Ou gostaria que houvesse também uma garrafita do bom?

      • Bom dia caro senhor,
        Pela primeira vez vejo um autor de um artigo vir defender o teor do mesmo, quando deveria de saber que ao escrever um artigo (seja ele de que tema for), encontra-se sempre sujeito ás diversas opiniões dos diversos leitores, independentemente da cor política ou da ideologia da raça.
        E o mais caricato, são as explicações e comparações que o senhor dá sobre o seu próprio artigo.
        Depois do que aqui redigi sobre este seu comentário, o senhor deveria de ler atentamente e interpretar correctamente este parágrafo “Em vez de se estarem a atacar uns aos outros se fizessem mais pela Cidade de Tomar, é que na realidade seria excelente, porque assim, continuaremos Todos (residentes ou não residentes) na mesma cepa torta.” e tirar as devidas conclusões.

  8. Acha o texto longo e vazio? Está no seu direito. Não há pior cego que aquele que não quer ver. No seu caso, porém, admito que não atine mesmo com a substância textual, quiçá por opção ideológica.
    Concordo, isso sim, com a sua argumentação sobre os comentários. Sendo alfacinha, você ignora os contornos intimos do microcosmo político nabantino. Prova disso é referir-se a um nabantino de nascimento e vivência, como ele fosse lisboeta.
    Termino com uma dúvida: Sendo alfacinha de gema e como muito gosto, lê o Tomar na rede porquê e para quê? Trabalha em Tomar? Tem cá família? Vai ao blogue como quem visita um jardim zoológico?

    • Respondendo apenas a esta Sua dúvida “Sendo alfacinha de gema e como muito gosto, lê o Tomar na rede porquê e para quê? “.
      Esta Sua frase só prova que na realidade o Senhor é desconhecedor da realidade do Povo Tomarense assim como da Gene do mesmo.
      Porque se o Senhor for estudar a verdadeira História do Povo Tomarense, então iria perceber que muitos Alfacinhas já fizeram mais pelo Concelho de Tomar, que muitos Tomarenses de gema.
      Mas para Mim, esta situação (muitos Alfacinhas já fizeram mais pelo Concelho de Tomar, que muitos Tomarenses de gema) até nem é das mais relevantes, porque o que na realidade interessa é defender os interesses da Gente Tomarense, independentemente de ser ou não ser Tomarense de Gema ou ainda da cor politica que se opte.
      E só na realidade se poderá fazer isso, fazendo uso do poder que cada um tem, ao ir Votar.

      • Olhe sr. “Não sei das quantas”, se me permite (é apenas uma expressão para mobilar, porque vai mesmo permitir, dadas as circunstâncias) tento matar dois coelhos com a mesma cajadada. Ou acender em simultâneo duas velas com o mesmo pavio. Mas descanse desde já; serei breve.
        Essa do “fazer alguma coisa por Tomar” integra uma velha lengalenga, que já vem de tempos anteriores a 74. E até agora ainda não vi nem ouvi explicado o que quer dizer realmente “fazer alguma coisa por Tomar”. Por exemplo: A atual maioria PS que tenta dirigir o concelho, está a “fazer alguma coisa por Tomar”?
        São cada vez mais os tomarenses, entre os quais me incluo, que pensam que
        não.
        A sua expressão antropológica “Povo tomarense” é apenas mais uma balela, uma coisa oca, sem substância. Há tomarenses, tomaristas, tomarudos e tomareiros. Uns nascidos cá e outros não. Uns que já se foram e outros que ainda não. Povo tomarense não conheço, como escreve com toda a razão.
        E quanto aos alfacinhas que fizeram muito por Tomar, eram afinal os célebres “patos bravos”, idos sobretudo da Serra e da Junceira para a capital, construtores de Areeiros e Alvalades.
        Sobre grandes tomarenses, amantes da sua terra e dos seus filhos, que tudo fizeram para engrandecer Tomar e conseguiram alterar a face da cidade, só conheci um: O general Fernando de Oliveira, que foi um dos tenentes do 28 de Maio, era grande admirador de Salazar E MORREU POBRE. Mas ajudou centenas de conterrâneos, sem esperar retorno.

      • Esqueci-me no comentário anterior de algo essencial: Concordo inteiramente e aplaudo a sua frase “…fazendo uso do poder que cada um tem, ao ir Votar”. É realmente muito importante, num concelho em que metade dos eleitores não votam.

        • Caro senhor em que é que ficamos, em “Acha então a srª…” ou “Olhe sr….”, mas mais uma vez responde ao que na realidade não tem interesse nenhum a nenhum Tomarense.
          Como resposta ao seu primeiro comentário iniciado por “Olhe sr….”, existem várias formas de ajudar o Concelho de Tomar, vou-lhe dar um pequeno exemplo – Residência Fiscal (apesar de Eu ser um Alfacinha de gema, como anteriormente já o tinha afirmado). Como tal e antes de vir para aqui escrever baboseiras, vá estudar o que significa Residência Fiscal e quais as suas consequências.
          Agora como resposta a este seu segundo comentário “Esqueci-me no comentário anterior…”, poderá verificar a resposta no Meu ponto anterior, mas o grande problema existe porque os Tomarenses que vivem e residem no Concelho de Tomar, estes sim é que na maioria dos casos em vez de irem votar vão para as praias ou simplesmente dar um passeio a um qualquer Centro Comercial.
          Para terminar, continuo a afirmar (é uma questão do senhor se dar ao trabalho de fazer investigação) aquilo que redigi anteriormente, e que passo novamente a citar “Porque se o Senhor for estudar a verdadeira História do Povo Tomarense, então iria perceber que muitos Alfacinhas já fizeram mais pelo Concelho de Tomar, que muitos Tomarenses de gema.”.
          Bom fim de semana para o senhor porque Eu estou em trabalho.

          • A sua insistência, apesar de algo agressiva por aqui e por ali (não é, por exemplo, muito elegante acusar alguém desconhecido de dizer baboseiras, quando os textos em debate demonstram o oposto), merece ainda assim uma resposta sucinta e educada.
            Aqui vai:
            Quanto a Residência fiscal, estou devidamente informado, ao contrário daquilo que deixa entender. E pago ao fisco 45% daquilo que aufiro, como contribuinte domiciliado em Tomar.
            Sobre o seu 1º parágrafo, peço desculpa mas parece-me que se enervou e acabou escrevendo o que não queria. “Mais uma vez responde ao que na realidade não tem interesse nenhum a nenhum Tomarense.”
            Como é que pode garantir semelhante coisa? Consultou os Tomarenses todos? Tem procuração para falar em nome deles?
            Quem lhe garantiu ou garante que só respondi “ao que na realidade não tem interesse nenhum”?
            Talvez sem disso se dar conta, você usa um vocabulário próprio de ditadores e de gente de extrema-direita. O que não me parece, por outro lado, que seja o seu caso. Mas posso estar enganado.

  9. É curioso, ou talvez seja também outra coisa, mas passados 4 dias este texto de opinião desapareceu do Tomar na rede. Agora só se consegue aceder digitando o seu título completo.
    Querem ver que também já há ratice no blogue do Zé Gaio!. Só faltava mais essa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Loading…

0

Quinta do Bill volta a juntar-se mas só online (c/ vídeo)

Necrologia