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Informação local: uma desgraça nunca vem só

Por Margarida Magalhães

Uma desgraça nunca vem só. Eis uma frase popular inquestionável. Aplicada ao caso tomarense pode resumir-se assim:

1 – Os autarcas que temos tido, e os que temos, não eram nem são os mais indicados para fazer frente à grave decadência da cidade e do concelho. É o que mostra a realidade quotidiana. Só os eleitores/militantes mais ferrenhos e os abancados à vota da gamela é que ainda não admitem o desastre.

2 – Os autarcas não têm sabido estar à altura das funções para que foram eleitos, basicamente porque são tomarenses. Desde o 25 de Abril, os dois eleitos que mais se distinguiram foram Amândio Murta e António Paiva, nenhum deles tomarense de nascimento.

Dirão os socialistas que houve também Pedro Marques. Pois houve. Nasceu no concelho de Seia (Serra da Estrela).

Conclusão provisória: Em Tomar os eleitos não têm sido de primeira água, basicamente porque a população também não é de primeira escolha. E cada árvore só dá a fruta própria da sua espécie.

3 – A outra desgraça local é a informação. Mais propriamente a falta dela. A comunicação social local não é censurada, mas nenhum órgão ousa morder na mão de quem lhe dá comida.

Após consulta, verifiquei que já assim era antes de Abril de 1974. Os jornais da época publicavam informação muito completa… mas só sobre o estrangeiro. Nada de chocar a censura.

Aprofundando agora o ponto 3 das desgraças, um semanário da região já informou quanto vai receber como publicidade governamental:

“Por aqui reina o espírito decidido de quem sabe trabalhar e levar a água ao seu moinho. Para O MIRANTE a montanha pariu um rato quanto aos apoios do Estado em publicidade institucional. Vamos receber 10 mil euros limpos que dão para pagar o gasóleo de três meses de trabalho. Os milhões ficam para as empresas de comunicação social de Lisboa que são cerca de 85% das que se publicam no país e, em muitos casos, se limitam, a nível sócio económico, a fazer informação de carregar pela boca. Não faltam excepções que confirmam a regra, o que prova que não podemos desistir de continuar a sonhar que podemos mudar o mundo nem que seja só na nossa rua.” 

JAE, omirante.pt, 28/05/2020

 

Em Tomar, quanto é que vão receber do governo os vários órgãos de informação? Quanto já receberam e vão receber da Câmara? Quais são as outras fontes de receita? Quantos assinantes tem cada um? Qual a tiragem/audiência/leitorado, certificados? Qual é a situação económica de cada empresa? Onde se podem consultar as respectivas contas? Quem são os donos da empresa? E os administradores?

Não se sabe. Não está publicado. Ninguém esclarece.

Não estão por conseguinte em posição de criticar a usual falta de transparência da autarquia, uma vez que os próprios também não são nada transparentes.

Para dizer tudo numa curta frase: Tal povo, tais eleitos, tais jornais.

Estão uns para os outros. E depois ainda têm a lata de se queixarem, quando alguém se arrisca a criticar publicamente.

                                  Margarida Magalhães

Comentários

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  1. É aquilo a que se pode chamar um silêncio sepulcral. A chamada paz dos cemitérios. Faz lembrar aqueles filmes policiais americanos com muitos tiros e mortos. Regra geral cada bandido leva um tiro bem no meio da testa e fica no chão de pança para o ar.
    Apesar de não ser violento, parece que este texto da Margarida Magalhães produziu um efeito semelhante. Não há mortos, felizmente. Mas já temos feridos nas asas. E o habitual silêncio dos cemitérios. Numa cidade outrora promissora, é mau sinal. Muito mau mesmo.

  2. Concorda-se na generalidade mas não se percebe se no texto se considera A. Paiva como “um autarca à altura das funções”. De facto, apesar de algumas obras convenientes (saneamento, limpeza do rio) e outras erradas ou dispensáveis (campo de futebol, campismo, pavilhão), Paiva foi o impulsionador do convencimento de que a cidade manteria a sua importância económica (logo, política) através do turismo e da cultura. Um erro estratégico que parece ainda não ser entendido.

    • Considerou-se que não era o local para detalhar a actuação de António Paiva durante os seus mandatos. Pretendeu-se passar a ideia segundo a qual, apesar de ter cometido muitos erros, Paiva foi ainda assim um presidente um pouco melhor que a média. Infelizmente, para desgraça nossa, os seus sucessores não souberam estar à altura.
      Uma vez que a política definida por A. Paiva não foi prosseguida, nem pelos seus sucessores partidários, nem depois pelo PS, o que se entende, é bem capaz de ser prematuro condenar essa opção, que visivelmente foi abortada.
      O grande problema de Tomar, creio eu, é que abortadas as opções de Paiva, ainda não se arranjaram outras. Estamos no reino do improviso. Obras conforme calha e recuperação patrimonial para alojar ciganos.
      Programa para 4 anos? Desenvolvimento económico? Criação de empregos produtivos? Investimento? Que bichos são esses? Também são contagiosos como o covid19?
      É pouco e mau demais.

  3. Dª Margarida Magalhães, permita-me discordar destes Seus dois parágrafos.
    – … Em Tomar os eleitos não têm sido de primeira água, (100 % de acordo e independentemente da cor política) basicamente porque a população também não é de primeira escolha (Completamente em desacordo, porque a População, seja ela de Tomar ou de qualquer outra Cidade ou ainda de qualquer parte do Globo, nunca pode nem deve ser equiparada a qualquer tipo de escolha, seja ela de primeira, segunda, terceira e por aí fora, porque senão entraremos em caminhos muito perigosos)…
    – … Mais propriamente a falta dela. A comunicação social local não é censurada (Existem várias formas de evitar a censura, sendo uma delas aquela que a Senhora de seguida afirma), mas nenhum órgão ousa morder na mão de quem lhe dá comida (esta é precisamente uma das formas mais usuais de controlar quem pode censurar, veja por exemplo os apoios (Dinheiro do Contribuinte) que o Estado Central deu (de mão beijada) á comunicação social, é tudo uma questão de controle de quem pode na realidade provocar mazelas no aparelho).

    • Em relação ao seu desacordo no tocante à minha afirmação sobre a população, julgo dever avançar as seguintes considerações:
      1 – O senhor escreve, e eu concordo, que “a população … …nunca pode nem deve ser equiparada a qualquer tipo de escolha”. Na verdade, eu não a equiparei ao que quer que seja. LImitei-me a constatar e mantenho que, do meu ponto de vista, a população tomarense podia ser muito mais esclarecida nas suas escolhas.
      2 – Salvo melhor opinião, parece-me que a usuais más escolhas do eleitorado nabantino resultam não só da evidente falta de hábitos democráticos, mas sobretudo de ignorância associada a formas de egocentrismo. Votam assim porque não sabem escolher, mas julgam que sabem. Fechados na sua auto-suficiência, ninguém vai conseguir convencê-los do contrário.
      Quanto à questão da censura de jure e censura de facto, creio que concordamos sobre o fundo, porém discordamos no vocabulário. Não existe como antigamente uma comissão de censura, mas os eleitos tratam do assunto segundo as suas conveniências.

      • Ok, agora já estou esclarecido.

        Porque muitas das vezes, são as formas de escrever que podem induzir a interpretações erradas.

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