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Gato escondido com o rabo de fora

Análise ao atraso nas obras da Nun’Álvares

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“(…) As obras que estão a decorrer na avenida D. Nuno Álvares Pereira estão com um atraso na ordem dos quatro meses, sendo que a Câmara Municipal, na reunião que terá lugar nesta segunda-feira que se avizinha, irá aceitar a prorrogação (por igual período temporal) do prazo para a execução dos trabalhos, neste caso a título gracioso, num cenário justificado pela autarquia face aos «fundamentos apresentados» pelo responsável da obra. De entre essas razões estão os constrangimentos causados pelo contexto pandémico que atravessamos.” 

 

Em Tomar é praticamente sempre assim. Quando se fala de obras, há sempre imprevistos, anomalias, atrasos, e por aí adiante. Mas a Câmara nunca assume a responsabilidade. Apesar de, posteriormente, se vir a perceber muito bem qual a origem dos erros, quem os cometeu e porquê.

Resulta da leitura atenta da notícia supra, difundida pela insuspeita rádio da rua das Poças, que o caso se repete uma vez mais, nas obras da Av. Nun’Álvares. Muito antes do covid-19, já havia atrasos na obra e desavenças com o empreiteiro. Tudo provocado por lacunas e outros erros do projeto, segundo informações então colhidas no local.

Pouco tempo depois, tomando como quase sempre os tomarenses por parvos, a srª presidente tentou justificar a lamentável situação como decorrente da pandemia, numa evidente falta de respeito para com a verdade. Mais uma.

Agora, na reunião de segunda-feira 11 de Maio, a Câmara vai conceder, gratuitamente, um prazo suplementar de quatro meses para conclusão da obra, refere a notícia acima.

Para que não restem quaisquer dúvidas sobre a evidente intenção de maquilhar a desagradável realidade, o jornalista da referida rádio, certamente menos atento ao contexto, menciona os “fundamentos apresentados” (uma expressão corrente do jargão autárquico, que figura em todas as atas), porém logo explicitando (sublinhado nosso) que de entre essas razões estão os constrangimentos”…. Por outras palavras, há razões bem mais fortes, como por exemplo os erros e omissões do projeto inicial, nomeadamente no que diz respeito à rede subterrânea de água, esgotos, gás, telefone e eletricidade: Mas não convém que se saiba.

Opta-se por proteger novamente alguns péssimos quadros superiores da autarquia, como forma de em 2021 lhes angariar os votos E quem perde é Tomar. Como sempre.

Triste sina a nossa.

                               Hipólito Alves Cerqueira

Comentários

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  1. Bem sei que, por causa dos dinheiros de Bruxelas, há por esse país fora abortos e mais abortos urbanísticos. Mas mesmo assim, julgo que este disparate da avenida D. Nuno Álvares Pereira, com duas ciclovias sem continuidade, uma de cada lado, deve ser caso único em Portugal.
    Quando a obra terminar, já só faltam os ciclistas.
    Mas quem é que se arrisca a ir de bicicleta ou a pé para a Borda da Estrada, ou para Carvalhos de Figueiredo?
    Como aquilo não tem passeios, nem espaço suficiente nas laterais da faixa de rodagem, o melhor será mesmo o sr. vigário mandar instalar algures ali um confessionário em cada extremidade. Assim, em caso de acidente, os sinistrados sempre estarão na graça de Deus.
    É que duas ciclovias novas, que desembocam numa velha estrada nacional, sem passeios nem espaço para os instalar, só de doidos, ou obra do Diabo. Mas em Tomar já nada espanta.

  2. Falta referir a redução do estacionamento automóvel. Ciclovias? Não chega a experiência da ciclovia do Prado? Inacabada, cheia de ervas, logo, INÚTIL? Mas ninguém percebe que Tomar será cada vez mais uma cidade de idosos reformados e nunca uma cidade de jovens? Tomar não atrai juventude, nem através do mercado de trabalho nem pelo politécnico.

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