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Festa dos Tabuleiros: Pior a emenda que o soneto

Opinião

Tinha resolvido não escrever sobre os tabuleiros até depois da FESTA. Por duas ordens de fatores. Antes de mais, porque a Festa dos Tabuleiros é para os tomarenses uma crença. Um ato de fé. E as crenças não se devem questionar, desde que não violentas.

Depois, por causa do conhecido sermão do padre António Vieira, já lá vão mais de três séculos. Aquele onde ele fala do semeador, da semente e da terra, concluindo que se a colheita é nula ou fraca, a causa poderá estar no semeador, na semente, na terra, ou mesmo um bocadinho em cada um deles.

Segue-se, em qualquer caso, que, nesta bendita terra banhada pelo Nabão, as pessoas são, na prática, de ideias fixas. Sobretudo quando conseguiram ser eleitas para qualquer coisa, por muito modesta  que seja, no peculiar sistema eleitoral que temos de aguentar. Por conseguinte, falar, escrever, alvitrar, sugerir, criticar, divergir, para quê? Tudo o que não seja aplaudir só pode prejudicar quem diz ou escreve. Quem está no poder tem sempre razão. Julgam eles, que os factos aí estão, demonstrando o contrário.

Estava nisto quando li, aqui no Tomar na rede, que os lugares nas bancadas para ver passar os tabuleiros vão custar 10 euros, com bilhetes a comprar na Net. Haja paciência, que a asneira é monumental!

Sabe-se que a chamada FESTA GRANDE vai custar perto de meio milhão de euros aos cofres municipais, de uma câmara que só paga aos fornecedores em média passados cinco meses, decerto por não ter disponibilidade para o fazer mais cedo. Impõe-se portanto tomar medidas urgentes e drásticas. Porque se não há para o essencial (pagar aos fornecedores), parece mal que haja para o supérfluo (Tabuleiros, subsídios, passeatas, comezainas, festarolas…)

Entre essas medidas, a mais urgente e importante é sem dúvida rentabilizar a Festa dos Tabuleiros. Investir o tal meio milhão, mas conseguir recuperar diretamente pelo menos o dobro. Como? Simplesmente vedando o circuito do cortejo e cobrando os respetivos acessos. Exceto para os residentes, com é óbvio. É impossível? Não! De todo! É difícil? É sim senhor. Mas há milhares de experiências nessa área pelo mundo fora. Basta ter a humildade suficiente para ir procurar e aprender.

Em vez disso, visando calar algumas vozes mais incómodas, a srª que dirige resolveu mandar instalar umas bancadas  em parte do percurso do cortejo, com acesso a 10 euros. Com relativamente poucos lugares, e ainda menos condições de acesso em segurança, o mais provável é que a receita das entradas mal chegue para cobrir as despesas da montagem e desmontagem, bilhética e pessoal de segurança. Resta aguardar para ver.

Para já, salvo demonstração em contrário, parece-me pior a emenda que o soneto. É como pregava o António Vieira -Por muito bom que seja o semeador, não adianta espalhar boa semente em terra infértil…

                                      Vasco Abravanel

 

Escrita por Redação

Comentários

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  1. O senhor Abravanel não tem um quartinho para me alugar nos últimos 3 ou 4 dias da Festa por um custo módico, digamos 30/35 euros por dia?
    Um abraço.
    Méééé…
    (Templário)

    • Lamento informar que não sou hoteleiro. Ainda assim, posso esclarecer que, pelo preço pretendido, e de acordo com os dados obtidos, só conseguirá arranjar alguma coisinha para lá de um círculo com um raio de 50 quilómetros.
      Boa sorte

  2. Já estava a estranhar, os arautos da desgraça ainda não terem aparecido. Dizem que amam a Festa mas são uns terroristas, é evidente que não corre tudo bem, mas diz o bom senso que, para enaltecer é em público, para repreender é em privado. Mas existem alguns, o que vale são muito poucos, adoram sangue, e quando dizem que adoram a Festa, querem mesmo é que corra mal.

    • Ó Pompeu! Com franqueza! Você é que me parece um arauto da falta de maneiras. De verniz, digamos assim. “Arautos da desgraça, terroristas, adoram sangue”… Domine-se, homem. Modere-se. Recentre-se. Você parece usar termos sem saber bem o significado deles. O campo semântico, para ser mais preciso. E partindo do princípio que você entende.
      Se bem percebo a sua posição, tudo o que não seja unanimismo cai automaticamente no campo dos arautos da desgraça. Desculpe que lhe diga, mas é demasiado primário. Faz lembrar o tempo da “situação” e do “reviralho”, antes do Abril libertador. Quando os do reviralho iam parar a Caxias ou até à ilha do Sal.
      As divergências são normais e saudáveis em democracia. Por conseguinte, caro concidadão Pompeu, quando tiver algum vagar, faça favor de meditar na hipótese seguinte.
      A ideia de erguer bancadas desmontáveis na Avenida Cândido Madureira, vulgo Rua da Graça, para assistir a parte do cortejo dos tabuleiros, pode considerar-se estranha, na medida em que, há quatro anos, as bancadas foram montadas na Alameda 1 de Março, com melhores condições de espaço. Porquê a mudança para um local mais acanhado? Devido à fraca afluência em 2015? Porque houve protestos dos moradores? Não se sabe, pois nunca foi explicado à população o que se passou. O costume.
      Agora, não se trata antes de montar bancadas para ter prejuízo, na mira de assim conseguir arranjar um argumento, contra aqueles que defendem a festa dos tabuleiros com entradas pagas em todo o percurso do cortejo?
      Fica a pergunta e o desafio, senhor Pompeu e senhores dirigentes da festa.. Sem qualquer intuito provocatório.

        • Decisão acertada, cidadão Pompeu. Não sendo o ideal, nem perto disso, sempre é melhor ser só malcriado, que muito mal criado e muito mal educado. Além de outros atributos que, por decência e piedade, me abstenho de mencionar. Cada um é como é, não lhe cabendo grande culpa nisso.
          Saudação respeitosa,
          Vasco Abravanel

  3. Reza a historia que não se pode agradar a gregos e troianos .Mas para que se conste parte do valor de despesa para a realização da festa ja se encontram nos cofres da câmera , os vendedores já fizerem os depositos um mês antes dos festejos comessarem por isso menos uma dor de cabeça .

    • A sua resposta é louvável, Elisabete. Percebe-se que você faz parte de uma das comissões. e tenta informar os tomarenses. Todavia, o problema mantém-se. Os terrados pagos pelos vendedores nunca vão cobrir a totalidade das despesas, nem perto disso. E a câmara, para continuar a financiar a festa, tem de prescindir de outros investimentos mais úteis para o conjunto da população. Por exemplo serviços mais eficazes de limpeza e de recolha do lixo. Convém lembrar que só os vencimentos e outras regalias dos funcionários municipais representam 40% do orçamento da autarquia. Qual a empresa que consegue progredir arcando com 40% de despesas fixas com pessoal em grande parte improdutivo?

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