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E agora… Coronavírus… mundo com pés de barro…

Opinião

José Manuel Mendes Delgado*

Sim, coisa grave, sim coisa imprevisível, sim coisa ausente de qualquer planeamento, por mais complexo e rigoroso que fosse, para a maioria de nós, o cidadão comum, que ao abrigo das novas tecnologias e da evolução com um ritmo nunca visto, criou expectativas de dimensão estonteante, uma falsa segurança, uma falsa dimensão, que erradamente encaminhou as sociedades, para um mundo fundado sobre pés de barro….

Um vírus, cuja origem se desconhece, cuja dimensão se desconhece, um vírus sem fronteiras, que chega e carrega na tecla …. ou páras e cumpres… ou o caminho é apenas um, a destruição de pessoas e bens. Um vírus sem rosto, silencioso, vil e até cobarde, que tudo arrasta, arrasta gerações, sem olhar a idades, sem olhar ao género, sem olhar à classe social, profissão ou religião, uma marca para o nosso mundo atual, que de evolução em evolução, de cinismo em cinismo, de ambição em ambição, foi ignorando os sinais devastadores da mãe natureza.

Os sinais têm sido muitos, as ditas alterações climáticas, muito faladas muito debatidas, mas essencialmente muito ignoradas, em especial, dos mais poderosos, os mais poluidores, os violadores dos recursos naturais, que de medida em medida tardam em estancar a dimensão devastadora, que de maneira simples e cruel, a natureza dita e mata sem olhar a quem, as cheias, as altas temperaturas, as baixas temperaturas, os tsunami, os sismos, os tornados, as doenças, as epidemias, enfim as ações e sinais, que o ser o humano e as suas instituições, não conseguem superar, não conseguem estancar, porque em geral são reativos, muito ambiciosos e muito pouco pró-ativos e preventivos, enfim chorar sobre o leite derramado. Quantas mortes e quantos danos se poderiam ter evitado.

As grandes potencias, as do G8, os decisores da economia mundial, os grandes poluidores e carrascos do mundo, que apesar do avanço e das ofertas em termos de novas tecnologias, teimam em queimar o Planeta Terra em lume brando.

Hoje, esfumou-se o velho conceito “o nosso cantinho, a nossa tranquilidade, o nosso paraíso, o nosso refúgio, o lugar seguro”.

O coronavírus, deixou a mensagem, com violência cruel, sem dó nem piedade, mostrando a incapacidade e a fragilidade do mundo atual, que na época do 5G, na época dos veículos sem condutor, da exploração espacial, põe aos seus pés os mais poderosos, o mundo em geral, que de angústia em angustia, vai lutando e chorando, numa luta desigual e sem tréguas.

Estamos perante uma guerra global, cujo Coronavírus se apresenta sem rosto e sem forma e com meios bélicos desconhecidos, que de fronteira em fronteira, de transportador em transportador, cria o pânico, a dor e a incerteza… a morte de pessoas, da economia.

Os países, os governos, as instituições tentam minimizar e combater, os efeitos do Coronavírus, mas a coisa está difícil, primeiro por impreparação e ausência de medidas de prevenção acertadas e atempadas, como por exemplo, fronteiras fechadas, voos cancelados, logística escassa, onde estão os ventiladores, as máscaras para todos, álcool para todos, entre muitas outras situações, não conseguem sossegar os cidadãos, não conseguem evitar a corrida aos supermercados, aos bens de primeira necessidade.

Os governos, as comunidades internacionais, gastam milhões, biliões em discussões e movimentos estéreis a discutir alterações climáticas, que pouco resolvem e que os mais poluidores não cumprem, mas quando soa o alarme “Coronavírus”, as grandes, as pequenas economias, caem e choram, sem se perceber, porque tal coisa ocorre, neste mundo dito tão evoluído, da tecnologia e da investigação.

As fragilidades dos governos e instituições está a ser superado, por mulheres e homens de uma dimensão, sem limites, todos os profissionais de saúde, que numa missão sem procedentes, que tudo dão para salvar o próximo, muitas vezes com o preço da sua própria vida. Resta-nos vergar e agradecer a todos estes profissionais e a todos os outros, dos mais diversos sectores, que das mais diversas formas contribuem para que os bens essenciais nos cheguem a casa e que o país não pare. Obrigado.

E agora e depois deste tornado passar, o que muda o que vai mudar:

Tanto mudou neste período do vírus, coisas que nunca nos passaram pela cabeça, nem aos mais audazes e inconformados, tanto deixámos de fazer, os sem tempo, estão agora com todo o tempo, sentados a pensar na saúde, na sua saúde e na necessidade da economia ter saúde , a saúde suficiente, para que a sociedade pós crise consiga arrancar e devolver a vida aos cidadãos, aos países, voltar a ser um mundo livre, sem fronteiras, mas com segurança.

Vamos então ficar em casa, cumprir as diretivas do governo contra o Coronavírus e ter o equilíbrio de não matar as empresas, não matar postos de trabalho, não adiar a sustentabilidade e desenvolvimento do país.

Agora e em especial, após a crise, vamos todos contribuir para o fortalecimento de Portugal, do nosso país, vamos consumir “Fabricado em Portugal”, criado em Portugal, passar férias cá dentro, viver ainda mais em família, em comunidade, em solidariedade e já agora devolver e partilhar os abraços, que deixámos por apertar.

Vamos ser simplesmente os portugueses de sempre, que sabem evoluir e aprender com as dificuldades e adversidades, que sabem dar, que sabem receber e acolher, que de forma natural apresentam aquela dimensão que nos distingue do resto do mundo.

Ao estado, ao governo, às autarquias, às empresas, às entidades públicas e privadas compete fazerem o melhor, sem tréguas, informar, disponibilizar, dar o exemplo, fazerem a sua parte e não deixarem para amanhã o que tem de ser feito hoje.

Resta-nos nesta fase ficar em casa, dar tempo à família, ficar mesmo em casa, aproveitar para repor as coisas em atraso, fazer melhorias nos sistemas e assim contribuir para a eliminação do vírus. Mas se tiver de ir trabalhar, faça-o com responsabilidade e em cumprimento das diretivas que se impõem.

Um por todos, todos por um.

*Vereador da Câmara Municipal de Tomar

Escrita por José Delgado

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