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Congresso da Sopa já não atrai as multidões de outros tempos

XXVI anos a promover a sopa

Meia centena de variedades de sopas apresentaram-se à degustação dos participantes no XXVI Congresso da Sopa provenientes de 21 restaurantes do concelho mais do restaurante Almourol de Tancos e das Associações da Serra,  dos Pais e Encarregados de Educação da EB1 e Jardim de Infância de Casais, Associação de Pais da Pedreira, Forcados Amadores de Tomar, CIRE – Associação de Pais, Escola Profissional de Tomar, Instituto Politécnico de Tomar e da grande superfície Pingo Doce sediada na cidade.

Porém com tantos participantes a  nível de confeccionadores do prato que já foi base da alimentação de um povo, a quantidade levada é diminuta, apesar dos participantes, diga-se “congressistas”, serem cada vez menos e um evento, que os serviços de turismo da Câmara através de dedicados funcionários põem de pé, vai definhando fruto “do mais do mesmo”;  está a cair pela base e, com pena nossa, as sopas esgotam num ápice, o evento não dura mais de três horas e um dia de convívio por excelência, numa ilha paradísica, que bem podia ser um grande evento turístico gastronómico, não passa de um evento popularucho, longe de anos áureos que o seu idealizador, Prof. Manuel Guimarães pensou há 26 anos, – pioneiro em Portugal e que depois o médico Bento Batista lhe dava o cunho científico e nutricional deste prato na alimentação das pessoas.

A receita, com entrada a preços simbólicos, diga-se de verdade, destina-se a fins sociais a causas nobres e isso só por si deveria arrastar muito mais gente e menos borlistas (de pulseira amarela a começar pelos jornalistas que devem contribuir para a causa do CIRE).

A culpa, referem para o definhar do  “Congresso da Sopa” é apontado por nos dias de hoje o evento ter sido copiado, deixado de ser um evento original, foi muito  copiado e que até há associações do concelho que fazem e muito bem eventos de “mostras de sopa de aldeia” que têm grande sucesso.

De verdade este “Congresso” organizado pela Câmara necessita urgentemente de uma “volta” e se bem que hoje as exigências em termos de HCCP, não sejam a do tempo do Manuel Guimarães, este  “Congresso” deve deixar cair esta denominação, pois não há debates nem palestras em torno deste prato e do seu valor nutricional, mas sim para “mostras de sopas regionais e petiscos”  e convidar restaurantes e associações do concelho, que com barraquinhas fechadas e não tendas, para responder às exigências da manipulação de artigos alimentares ao ar livre, e mais espaçadas e distribuídas por toda a área, evitem o aglomerado e concentração de pessoas, num espaço exíguo em filas, para algumas sopas, para o pão, para os doces, para os cafés.

Depois tem que haver lugares sentados para 3 mil pessoas.

A tradição das sopas regionais deve ser ponto assente!

As inovações ou modernices em termos de confeccionar um prato simples, mas que pode ser de uma riqueza enorme, tem que passar por um caderno de encargos com sopas tradicionais, ancestrais e deixarmo-nos de “cremes de beterrabas com cenoura”, “Sopa de corno” “canjas de leitão” “Creme de cenoura com laranja e gengibre” ou “sopa de castanha com cogumelos”.

E acima de tudo tem que haver muita sopa, o mínimo de 100 litros  por participante e acima de tudo divulgação, comunicação, que até nisso a Câmara e os seus serviços “ adormeceram” não há comunicação nos jornais e revistas, idas à televisão, contrastando com outros tempos em que se via nos programas populares das TV´S,  o dedicado médico Bento Batista a falar da sopa e das suas vantagens na alimentação e que dizia e bem que graças a este Congresso, um prato que tinha entrado em desuso na nossa base da alimentação, foi promovido e trazido à ribalta e que hoje comia-se muito mais sopa em Portugal. Até nisso sabia  bem promover Tomar!

De todas as sopas apresentadas, e com mérito para quem as confecciona e que se desloca, por um subsídio simbólico ao Mouchão a “Sopa do Espírito Santo” do Ninho do Falcão merece um prémio, por ter  trazido, um nome de uma sopa tão ligada às nossas Festas do Divino (Festa dos Tabuleiros) a sopa da partilha e que nos Açores ganhou uma força, que não há festa do Divino sem distribuição de Sopas do Espírito Santo gratuitamente. Com orgulho já estive, em vários anos,  com mais de 200 tomarenses nas Grandes Festas do Divino Espírito Santo a Ponta Delgada, que já viram como se come a mesma sopa, é certo, mas por 10 mil pessoas, sentadas, que em fila as vão levantar a mais de 20 postos, em grandes panelas e até mesmo o nosso vereador Hugo Cristóvão um ano destes nisso participou.

Longe de grandes filas e excursões de outros tempos no “nosso Congresso da Sopa” oxalá que a câmara não deixe o evento morrer, que saiba convidar associações e ranchos para se ter animação musical e que este “Congresso”  passe a ser uma tarde de convívio, que arraste visitantes, que se sintam ali bem, que se vá degustando sopas e que o vinho  das cinco adegas participantes, continue a ser servido, mas até neste ponto, deve ser por um máximo de cinco senhas para um copo por bilhete comprado, que em qualquer evento as bebidas alcoólicas devem ser servidas e bebidas com moderação, e dado os vinhos serem de excelência quem  gosta compre garrafas e leve para casa, que os produtores de vinho, produzem-no para vender.

Um dos aspectos que tem de se evitar, saiba ou não bem o subsídio/patrocínio ao “Congresso”, é de as “grandes superfícies” e neste caso o Pingo Doce,  poderem ser patrocinadores deste evento, pois as “grandes superfícies ” sem as quais já não podemos viver, são  a antítese do  tradicional e do regionalismo e não se inserem,  nem jamais pode vir a inserir num evento desta natureza.  O Pingo Doce  uma cadeia de supermercados e hipermercados portuguesa pertencente ao Grupo Jerónimo Martins, neste “Congresso da Sopa” era quase o patrocinador “master” e a cidade tem mais insígnias que podem patrocinar, de forma indirecta mas não estarem a  distribuir sopas algumas. Saudades quando o nosso Regimento de Infantaria e bem participava neste Congresso, pois insere-se bem a temática do “prato” no seio da alimentação da nossa tropa e de alguns restaurantes que deixaram de marcar presença.

A ir por este caminho brevemente até o Pão da Festa dos Tabuleiros passa a ser por eles fornecido.

António Freitas

Escrita por António Freitas

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